West Ham de Moyes: De briga contra o rebaixamento à disputa por competições europeias
24 de março de 2021
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

O West Ham está com 49 pontos na atual Premier League, ocupando a 5ª colocação, e com 10 pontos a mais do que somou na Premier League passada inteira. Com algumas mudanças no elenco e ideias interessantes de jogo David Moyes transformou a equipe londrina de candidata ao rebaixamento a candidata à uma vaga numa competição europeia da próxima temporada. Nesse texto vamos detalhar como o técnico escocês fez isso.

Para melhorar o rendimento da equipe, fazendo com que ela tivesse peças que encaixassem no seu estilo de jogo, Moyes promoveu uma transformação ousada no elenco dos Hammers. O técnico decidiu se desfazer de nomes de peso, como Haller (€50M) e Felipe Anderson (€38M), as contratações mais caras da história do clube; e também liberou jogadores experientes como Snodgrass e Zabaleta, além de Wilshere, que tinha um salário alto e se ausentava muito por lesões.

As duas contratações mais caras da história do West Ham não corresponderam às expectativas criadas.

A venda mais contestada foi do jovem ponta Grady Diangana que após fazer uma boa Championship emprestado ao West Brom foi contratado em definitivo pelo clube. Sua venda gerou descontentamento dentro do próprio elenco do West Ham, inclusive pelo capitão Mark Noble, que deixou claro no Twitter sua irritação pela saída do jovem revelado nos Hammers. Entretanto, a saída de Diangana, somada às outras vendas geraram caixa e espaço na folha salarial para que o clube trouxesse jogadores que se encaixassem nas ideias propostas por Moyes, incluindo jogadores para a ponta.

Venda do jovem Diangana gerou descontentamento dentro do elenco, principalmente por parte do capitão Mark Noble

Diferente da postura que vinha adotando nas últimas janelas de transferências, onde o clube ia buscar jogadores em ligas fortes, como a Serie A Italiana e a Bundesliga, dessa vez o clube apostou em mercados mais alternativos. Da República Tcheca, mais precisamente do Slavia Praga, veio o lateral direito Vladimir Coufal, fazendo o mesmo caminho do seu compatriota, o meia Tomas Soucek, que havia desembarcado no estádio Olímpico de Londres ainda na temporada passada por empréstimo e nessa temporada foi contratado em definitivo. Da Championship, segunda divisão inglesa, chegaram o experiente zagueiro Craig Dawson e, um dos destaques da temporada passada, o ponta Said Benrahma, o único dessas contratações que custou mais de €20 milhões. E na janela de transferência do meio da temporada chegou Jesse Lingard, por empréstimo do Manchester United.

Para essa temporada o clube apostou em contratações de ligas menos badaladas e em jogadores em baixa no seus clubes.

O West Ham de Moyes tem jogado essa Premier League utilizando basicamente duas formas de escalações, o 5-4-1 e o 4-2-3-1. O técnico escocês começou o campeonato o utilizando mais a formação com três zagueiros, mas ao longo do primeiro turno, principalmente após a lesão de Masuaku, que fazia a ala esquerda, ele adotou o 4-2-3-1 como formação principal, utilizando o 5-4-1 apenas em alguns jogos.

Porém, mesmo quando o West Ham joga com uma linha de quatro na defesa o time, em alguns momentos acaba formando uma linha de cinco para se defender, pois o meia do lado que está sendo atacado pode recuar fazendo com que o lateral desse lado torne-se o terceiro zagueiro. E para cobrir o espaço deixado pelo meia aberto que recuou, o meia atacante que joga centralizado, desloca-se para esse espaço, fazendo com que o desenho do time seja basicamente um 5-4-1. Mas em outros momentos o time opta pela opção mais tradicional se posicionando num 4-4-2 no momento sem a bola.

As duas principais formações utilizadas por Moyes nessa temporada.

A equipe londrina tem um estilo de jogo mais focado em defender próximo à sua área e sair em transições rápidas. Isso fica comprovado quando olhamos o seu PPDA, que significa Passes Permitidos por Ação Defensiva, que é uma métrica que diz quantos passes uma equipe permite que seu adversário execute até que ela realize uma ação defensiva (desarme, interceptação, duelo, falta). O PPDA do West Ham é o maior da Premier League no momento: 17.29, ou seja o time de Moyes permite que seus adversários realizem em média 17 passes até que ele tente alguma ação defensiva. Isso confirma como o time tem uma postura de esperar mais o adversário no seu campo, ao invés de ir pressioná-lo mais acima. O time também não costuma ficar muito com a bola durante as partidas, é a quinta equipe com a menor média de porcentagem de posse de bola com 43.2%.

Jogando no contra ataque é importante ter jogadores de lado velozes e com qualidade no drible e na condução de bola. E o West Ham  tem isso não só com os meias abertos, mas também com o meia centralizado do seu 4-2-3-1. O atual trio titular formado por Bowen, Benrahma e Lingard possuem todas essas características e isso faz com que a ideia de Moyes consiga funcionar como ele deseja. Além disso, no centro do ataque a equipe conta com Antonio, que desde a temporada passada se encontrou nessa função de centroavante e, além de oferecer muito no jogo físico para as disputas de bola, o inglês, que deve defender a seleção da Jamaica, oferece também mais uma opção de saída em velocidade. O camisa 30 já soma 12 participações em gols no campeonato (7 gols e 5 assistências). Com isso os Hammers contam com quatro opções para as saídas em contra ataque, que costumam contar ainda, com o apoio de Soucek/Rice pelo meio, além das subidas dos laterais.

Outra arma ofensiva da equipe são as bolas paradas, o time conta com ótimos cabeceadores, como Antonio, Rice, Ogbonna, Dawson e Soucek, o tcheco inclusive é o artilheiro dos Hammers na Premier League com 9 gols, com 4 desses gols saindo em lances de bola parada e 3 deles tendo sido marcado de cabeça. Nenhum time marcou mais gols em lances de bola parada do que o West Ham, foram 15 tentos no total. Não à toa o líder de assistências do time é o Cresswell, que é o responsável pelas cobranças de faltas e escanteios, com sete passes para gol na liga.

West Ham news: £3m Dawson signing 'deal of the year'

Soucek e Dawson têm sido muito importantes nas bolas paradas ofensivas dos Hammers

Vale destacar também o impacto imediato e impressionante de Lingard. O ponta inglês que marcou apenas um gol na Premier League passada, desde que chegou ao West Ham, já registra 5 gols e duas assistências em 7 partidas, ou seja, média de uma participação direta em gol por jogo. Seu momento é tão bom que ele voltou a ser chamado para a seleção inglesa.

Moyes reveals when Lingard transfer will be discussed as West Ham mull over talks with Man Utd | Goal.com

Essa tem sido uma temporada de volta por cima tanto para David Moyes quanto para o West Ham. O técnico escocês que não fazia um bom trabalho havia algum tempo recoloca sua carreira nos trilhos ao mesmo tempo em que também dá um norte para os Hammers seguirem, depois de temporadas tão frustrantes onde a equipe sonhou e planejou alçar voos maiores, mas não conseguiu realizar. A chance de voltar à uma competição europeia é real.

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Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.