Vitória na Champions dá respiro a Zidane, mas falta muito para afastar de vez a pressão
25 de outubro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

Zidane vive clima de muita pressão no comando do Real Madrid (Foto por OZAN KOSE/AFP via Getty Images)

Após voltar no fim da temporada passada ao Real Madrid, Zidane já começa a balançar no cargo. O pavio curto de sua torcida e da imprensa espanhola parece estar maior que o futebol de seu time e nem mesmo suas três orelhudas servem de escudo nesse momento.

Os últimos dias não tem sido dos melhores para o francês. Após derrota para o Mallorca fora de casa, afinal, a liderança da liga escapou e foi parar nas mãos do arquirrival Barcelona. E os resultados passam longe de ser o único problema.

A performance em campo oscila demais. É possível ver jogadores rendendo bem abaixo de seu normal, além de contar com um departamento médico quase sempre cheio. Somado a isso, o comportamento do comandante na pré-temporada também chamou atenção: ele deu declarações onde claramente tocava Bale e James pra fora do clube. Não há muita coisa boa pra se ver nesse Real.

Em sua saída no começo da temporada passada, Zizou disse que o time precisava de mudanças, senão ficaria muito difícil de ganhar títulos futuramente. Em sua volta, não vemos as mudanças necessárias acontecendo. E não é por falta de diagnóstico.

Com apenas uma derrota em nove jogos e 18 pontos conquistados na La Liga, o grande problema dos blancos é que eles não parecem o Real Madrid em campo.

Equipe amargou derrota para o Mallorca na última rodada da La Liga (Foto por JAIME REINA/AFP via Getty Images)

Nessa janela de verão, Zidane tentou renovar o plantel. Olhando para o futuro, o clube foi atrás de jovens promessas e jogadores quase prontos. O problema é que suas jovens apostas oscilam demais e não conseguem ameaçar quem tem cadeira cativa no time titular.

Time titular que também joga sempre uma nota abaixo de seu adversário. Quando ganha é sempre em um momento de superação. Foram poucos jogos que o Real Madrid dominou a outra equipe e saiu de campo sem correr sustos.

Por isso, o clima entre as entrevistas do time merengue ficou mais pesado. Perguntas ásperas começaram a aparecer pra todos e mesmo que você seja muito ídolo no Real, em algum momento terá a corda em seu pescoço. Chegou a vez de Zizou e o tema de sua possível demissão ganhou força nas coletivas e entrevistas antes do embate contra o Galatasaray.

Zidane foi direto em sua resposta. Se disse incomodado com a suposição de que seu cargo estaria em jogo caso o time voltasse a tropeçar agora pela Champions League, mas que não pode controlar a opinião das pessoas.

Mas algo precisa ser feito, não da pra escalar os mesmos 11 sempre que estão disponíveis. Mesmo que suas jovens apostas não tenham o nível de desempenho desejado, eles precisam de continuidade. Em sua saída, Zidane citou várias vezes o termo “fato novo”. Pois é, está faltando isso mesmo.

Um dos grandes problemas é sua defesa, que não vem mostrando confiança. Courtois, por exemplo, passa longe de figurar a lista de melhores goleiros do mundo, chegando a perder a posição na volta do intervalo da partida contra o Brugge – por um problema estomacal, segundo o clube.

Aliado a deficiência defensiva, a falta de dinâmica do meio de campo também tem atrapalhado. Casemiro destoa e sempre entrega muito em campo. Kross e Modric, por sua vez, são muito responsáveis pela falta de velocidade e chegada à frente.

Por fim, o ataque, que depende muito de valores individuais pra salvar os jogos. Sorte que Karim Benzema, agora liderando a linha ofensiva, se mostra muito competente – na desastrosa temporada passada, foi um dos poucos nomes que se salvou e nessa temporada consegue criar jogadas mesmo estando isolado no ataque. Hazard, Jóvic e Vinícius precisam aparecer mais.

Benzema é uma das poucas coisas boas do Real Madrid na temporadas (Foto por OZAN KOSE/AFP via Getty Images)

Com a soma desses fatores, o multicampeão francês levanta muita dúvida em grande parte da torcida e da imprensa espanhola. Já se perguntam se ele realmente é esse treinador todo ou o se Real Madrid tricampeão da Europa era uma máquina e só precisava de alguém competente pra controlar o vestiário.

Na Champions, a situação do grupo após um 3 a 0 fora de casa para o PSG e um empate em casa contra o Club Brugge não é da mais tranquilas. Na primeira metade do grupo, o Real teve dois jogos fora de casa e um em casa. E diante da sua torcida, a equipe empatou justamente contra o mais fraco da chave. Por isso, a partida desta semana, contra o Galatasaray, na Turquia, ganhou tanto importância.

Ainda com sua defesa instável em alguns momentos e com sua última linha bagunçada no começo do jogo, o Real Madrid aproveitou o gol criado em um raro lance coletivo de seu ataque. Seu plano para o resto do jogo foi de sair em velocidade, usando Benzema como o jogador que vai reter a bola no campo de ataque e distribuir pra quem vem de trás.

Dependendo mais de valores individuais do que de seu coletivo, os três pontos conquistados são muito comemorados porque deixam o Real na zona de classificação às oitavas, com dois pontos de vantagem para o Brugge – há um confronto direto contra o time belga em seu único jogo fora de casa no returno do grupo.

Uma vitória que em outros tempos parecia ser protocolar, então, se mostrou essencial para Zidane ter um respiro. Se esse triunfo é o ponto de virada da temporada, eu duvido muito. Foi apenas uma vitória onde o Real Madrid caiu pra dentro e contou com atuações superiores de seus jogadores. Não foi aquele jogo onde você é superior do começo ao fim. Três pontos na conta, mas o prognostico pro futuro é o mesmo do começo da semana.

Sabemos que um tropeço na próxima partida, contra o Leganés,  já pode trazer os questionamentos e a ameaça de volta. E o pior: com ainda mais força. No Real Madrid, afinal, você não pode perder nem o “toss” pra decidir o bola ou campo. É tudo muito intenso e até seus ídolos são fritados mais rápido que calamares no azeite de oliva.

A cada jogo, só a vitória importa para Zinedine Zidane, ainda mais depois de uma temporada onde elas eram escassas como foi a passada. Com o triunfo na Turquia, as nuvens de tempestade se afastaram um pouco do Bernabeu, mas é preciso mais. Muito mais.

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Postado por Caíque Andrade Estudante de jornalismo, corneta e alguém que sofre pra escrever em 280 caracteres