Uma ode a Aubameyang
10 de agosto de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

Quando Van Persie saiu do Arsenal para ir para o Manchester United no início da temporada 2012/2013, numa polêmica transferência, o time londrino se viu sem o seu principal atacante das últimas temporadas. De lá para cá, alguns jogadores tentaram liderar o ataque dos Gunners: Walcott, Giroud e Sánchez foram os que mais se destacaram, com os dois últimos se alternando na liderança da artilharia do time na Premier League em algumas temporadas, porém com apenas Sánchez na temporada 2016/2017 ultrapassando a marca de 20 gols, terminando em terceiro na lista de artilheiros da liga.

Para a temporada seguinte, a diretoria do Arsenal investiu pesado no ataque, contratando Lacazette no início da temporada por 53 milhões de euros e ainda na mesma temporada, só que na janela de janeiro, buscaram Aubameyang no Dortmund pagando 64 milhões de euros pelo gabonês, fazendo dele a contratação mais cara da história do clube. E seu impacto foi imediato. Foram 10 gols marcados e ainda 4 assistências em apenas 13 jogos de Premier League, o que indica uma média de 1,08 participação direta em gols por partida no seu primeiro campeonato inglês. Para fins de comparação, Lacazette, que chegou no início da temporada e disputou 32 rodadas, participou de 18 gols (marcou 14 e assistiu outros 4), ou seja, apenas quatro participações a mais que Auba, mesmo tendo jogado bem mais que o dobro de partidas.
Pelo fato de contar com dois atacantes que jogavam majoritariamente como centroavantes nos seus clubes anteriores, os técnicos que trabalharam com Lacazette e Aubameyang no Arsenal tiveram que encontrar uma forma de encaixar os dois juntos na escalação. A principal adaptação escolhida foi deslocar o camisa 14 Gunner para as pontas, principalmente a esquerda, por conta do seu estilo mais móvel e veloz, em comparação com o seu companheiro de ataque.
Segundo o Transfermarkt, Aubameyang fez 13 jogos ao longo da temporada 18/19 na função de ponta. E na atual época o gabonês foi ainda mais utilizado pelos lados do campo, ainda mais depois da chegada de Arteta, que conseguiu melhorar o desempenho da equipe utilizando como principal formação um 5-4-1, com Laca como seu centroavante titular e Aubameyang jogando como ponta/meia pela esquerda. Foram 25 jogos atuando aberto, somando todas as competições. E mesmo tendo que jogar com frequência mais distante do gol o nível de futebol apresentado por Aubameyang manteve-se altíssimo, com ele terminando com 22 gols tanto nessa última edição da Premier League, como também na anterior, assegurando assim a Chuteira de Ouro da edição passada, ao lado de Mané e Salah e ficando a um gol da artilharia dessa temporada, com o prêmio ficando com Vardy.

Na sua primeira temporada completa, em 2018/2019 Auba já conquistou a chuteira de ouro da Premier League

Uma estatística que ajuda a ressaltar ainda mais o alto nível do futebol apresentado por Aubameyang é o seu xG (expected goals, ou gols esperados), que mede quantos gols é esperado que um jogador faça, baseado nas suas finalizações. Pegando o xG de Auba na Premier League da temporada passada é possível perceber o quão letal é o camisa 14: Ele teve um xG de 23.55, ou seja, era esperado que ele marcasse 23.55 gols, sendo assim ele fez apenas 1.55 gols a menos do que se esperava. Analisando agora a Premier League que se encerrou no mês passado, é possível dizer que o desempenho do gabonês subiu ainda mais, pois ele terminou esse Campeonato Inglês com um xG de 16.35, então como ele marcou 22 gols isso significa que ele marcou 5.65 gols a mais do que era esperado. Isso indica um nível altíssimo na qualidade da sua finalização, que aliado a sua leitura de jogo e características físicas tornam ele um jogador letal.
Mesmo atuando com mais regularidade pela ponta, Aubameyang aparece com frequência dentro da área, tanto que das 93 finalizações realizadas por ele, na Premier League 19/20, 69 aconteceram dentro da área, ou seja, 74.2% do total, sendo que a sua grande maioria (60) aconteceu dentro da pequena área. Isso se deve a alguns fatores. Quando o ataque do Arsenal acontece do lado oposto de onde o camisa 14 está, ele se posiciona mais perto da área, atacando principalmente pelo half-space e muitas vezes se aproveitando do fato dos defensores estarem de costas para ele para tomar isso como vantagem nas corridas para atacar a bola. Sua leitura de jogo e tempo de bola aliados à sua velocidade o permitem se movimentar para o local certo e no tempo certo para finalizar.
Aubameyang se envolveu diretamente em ao menos um gol do Arsenal em 17 das 36 rodadas da Premier League que participou, ou seja, em quase metade dos jogos e foi muito decisivo na reta final da FA Cup, marcando um doblete na semi final contra o Manchester City e outro na final contra o Chelsea, assim como já havia sido decisivo numa competição de mata-mata na temporada passada, marcado 8 gols na Europa League. Porém, dessa vez o resultado foi diferente e Auba conseguiu ajudar o Arsenal a vencer o Chelsea, também adversário naquela final do torneio europeu, e conquistar o título. O primeiro desde a temporada 16/17 onde o time também venceu a FA Cup.
Mesmo jogando com frequência deslocado da função de centroavante e mais distante da área o camisa 14 é a principal arma do ataque do Arsenal, jogando no mais alto nível desde a sua chegada e mesmo com os problemas da equipe, com relação a irregularidade, trocas de técnico e nível dos demais jogadores. Seu contrato ainda não foi renovado e isso deve ser uma das prioridades de Arteta e de toda a diretoria, pois um bom desempenho na próxima temporada passa pela permanência de Aubameyang e Arteta sabe disso, visto que já afirmou que pretende montar o time ao redor do atacante para a próxima época e essa é uma ótima ideia, pois Auba pode ser o pilar de um início de trabalho de sucesso do jovem técnico espanhol em Londres e essa primeira temporada sob o comando de Arteta foi uma boa indicação disso.
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Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.