Uma disputa “Internacional”
10 de janeiro de 2021

(Foto por Michael Reaves/Getty Images)

O nome Internacional e suas variações linguísticas são muito comuns no futebol ao redor do mundo. Para nós brasileiros, pensamos logo no S.C. Internacional de Porto Alegre e na Internazionale de Milão, time que nosso camisa 9 Ronaldo jogou entre 1997 e 2002. Com a popularização da MLS no país e para os amantes de futebol, outro nome mais recente nos vem em mente: o Club Internacional de Fútbol Miami, popularmente conhecido como Inter Miami, time de propriedade da própria MLS, assim como outros times da liga, e do ex-jogador inglês David Beckham. Em outros países, o clube alemão Inter Leipzig e o croata NK Inter Zapresic são mais times de futebol que possuem o termo “Inter” em sua composição e parte da sua identidade. Se há tantos clubes com mesmo nome, a qual se deve a disputa extracampo referida no título?

A Internazionale de Milão entrou com um processo, em 2014, de registro da marca Inter na USPTO, órgão americano responsável pela gestão legal de propriedade intelectual, marca registrada e patentes. No pedido, o clube italiano entrou com registro em diversas categorias de produtos e serviços como material esportivo, além de citar explicitamente a condução de eventos de futebol profissional e exibições em rádio e TV. Sendo assim, qualquer clube que viesse a utilizar o nome Inter para quaisquer fins citados acima, estaria infringindo a marca registrada protegida por lei.

Em 2018, com o anúncio e a subsequente expansão em 2019 da Major League Soccer para Miami, a liga (em nome da Inter Miami) entrou em uma disputa legal contra a Internazionale ao questionar a marca registrada Inter nos Estados Unidos. O processo em si é uma oposição ao registro da marca, e a argumentação estadunidense, inicialmente, era de que tal registro seria incoerente com a realidade do futebol, uma vez que o nome Inter não se refere a um clube específico – se comporta mais como um apelido, principalmente entre torcidas, gritos em estádios, etc. A defesa americana inclusive menciona o clube brasileiro, assim como outros clubes formadores do próprio país para justificar a afirmação de que a implementação da marca acarretaria confusão do público.

A primeira derrota da liga e do time do sul da Flórida veio pela rejeição do tribunal para o argumento de confusão – para a justiça, a MLS não provou interesse sincero e não possui relação com outros clubes citados e nem possui prioridade a marca. Agora, o time de Miami se apega a segunda argumentação: o de simples descrição, que induz que o registro da marca seria inválido pelo nome ser a descrição de um produto e/ou serviço. Mas o que isso significa na prática? Um mercado não poderia pedir para registrar a marca “Mercado” por ser genérico, a própria descrição do item.

O time do astro inglês David Beckham pode ter de passar por um rebranding (Photo by Michael Reaves/Getty Images)

O uso da alcunha Inter não é de fato exclusividade de um clube só, muito menos novidade para o torcedor, mas resta saber se há espaço para mais de um Internacional em solo americano. O cronograma do processo indica que o mesmo deve ser finalizado até 2022, ou pode ser mais curto caso ambas as partes entrem em acordo. Caso contrário, o recém chegado clube do astro inglês e que hoje conta com Gonzalo Higuaín em seu elenco pode vir a passar por todo um processo de reformulação da marca e identidade visual em menos de meia década de existência. Fiquemos atentos às cenas dos próximos capítulos…

Postado por Bruna Freitas Administradora (quase) formada, estudante de gestão esportiva e apaixonada por futebol. Botafoguense escolhida, pé na gringa e coração no Brasil.