Um valente recomeço – Keirrison
21 de janeiro de 2017
Categoria: Entrevistas

Depois de seis anos, o atacante está de volta a Portugal.

 

A meteórica ascensão de um jovem sempre chama atenção no futebol brasileiro. Com Keirrison não foi diferente. O atacante viveu fases incríveis no Coritiba e no Palmeiras, não a toa foi contratado por um dos maiores times do mundo. Seu grande diferencial era ser, já naquela época, um nove considerado moderno nos dias de hoje. Como dependia muito do seu corpo, as lesões o atrapalharam demais, mas ele não se arrepende de nenhuma escolha que fez.

“Não me arrependo de nada. É muito importante a movimentação. Porque que quem joga nessa função de 9 abre muito espaço para os companheiros, e ao mesmo tempo abre espaço para nós mesmos. Mas faz muita diferença as movimentações, conseguimos criar muitas situações. A lesão prejudica a todos os atletas que já viveram isso. O tempo parado, a paciência de retornar, a adaptação de você acostumar com um corpo novo (por causa da cirurgia).Mas consegui me adaptar e hoje me sinto super bem.”

Explosão, força, movimentação e excelente finalização. Keirrison impressionava no inicio de sua carreira.

Apesar de vermos muitos jovens ficando pelo caminho por conta do excesso de pressão colocada pela mídia, o atacante não acredita nisso, afirmando estar acostumado com o problema. No entanto, admite que nosso país precisa preparar melhor os jovens que iniciam sua carreira no futebol.

“Não acredito nisso. Eu, particularmente, vivo com essa pressão desde que era criança, para mim já era natural. Não tive nenhum obstáculo. Muito das vezes não existe um preparo no Brasil, precisa melhorar muito. No meu caso, eu tenho uma estrutura familiar, amigos que sempre me acompanharam, então não tive dificuldades. Lógico que se torna tudo novo, uma mudança de País, mas tendo paciência as coisas vão melhorando, principalmente a língua para compreender melhor.”

Mesmo curta, a passagem no gigante espanhol ensinou muito para o brasileiro que, desde criança, sempre teve a bola como melhor amiga. Apesar de estar no meio de inúmeros craques, sua grande inspiração é Deus. Foi na fé que ele achou forças para seguir jogando mesmo depois de tantas lesões e, principalmente, da perda de seu filho, em 2015. Além da religião, o Londrina, time que o abraçou em 2016, foi outro grande alicerce nesse recomeço.

“Desde criança sinto que Deus me abençoou com um dom. Com o futebol eu mudaria a vida da minha família, de outras pessoas e iria sempre me alegrar. A minha vida é Deus. Sem ele nós não somos capazes de viver, de seguir. Sou muito grato ao Londrina também, a todas as pessoas do clube. Eles abraçaram minha família e realmente nos ensinaram muito. Ensinaram que o amor ao próximo existe e isso é um dos princípios mais importantes para vivermos em paz uns com os outros.”

O Londrina abraçou o camisa nove, permitindo-o recomeçar mais uma vez. Gratidão será eterna.

Depois de todas as dificuldades, o camisa nove conseguiu, enfim, voltar a Europa. O destino é o Arouca, de Portugal, onde o jogador já defendeu as cores do Benfica. “Está sendo ótimo. Era um objetivo meu e da minha família retornamos a Europa. Estamos felizes, muito bom de retornar para Portugual também”, comentou o atacante.

Keirrison foi, sem dúvida, um dos grandes talentos que vimos surgir recentemente no Brasil. Se alguns afirmam que o atacante infelizmente “não deu certo” é por que não conhecem sua história. Basta saber sua trajetória, seus percalços e conquistas para saber que sim, ele deu muito certo. Os desafios apareceram aos montes, e muito pesados, mas ele seguiu em frente e hoje está de volta ao continente europeu, algo que meses atrás parecia inviável. “K9” é um vencedor.

“Quero agradecer a Deus primeiramente. Agradecer a cada pessoa que de certa forma sempre pensou e mandou energias boas para mim e minha família. Que Deus continue abençoando as suas vidas. Obrigado pelo carinho de todos. Nunca desistam, Deus tem sempre o melhor para nós. Abraços.”

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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.