Um time de destaques da Premier League – mas sem o Big Six!
2 de agosto de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

(Foto por Michael Regan/Getty Images)

Após o encerramento da Premier League, muito se debateu acerca dos melhores jogadores do campeonato. O genial Kevin De Bruyne com seu recorde de assistências, Bruno Fernandes que surpreendeu com sua adaptação meteórica ou o líder e regular Jordan Henderson. De fato, todos os grandes nomes foram muito bem, mas esse texto é dedicado àqueles fora dos grandes holofotes. Montamos um time com jogadores que se destacaram na temporada 2019/2020 e que atuaram em equipes fora do Big Six. Lembrando que não é necessariamente uma seleção dos melhores jogadores dentre esses 14 times, até porque não deixaríamos nomes como Jamie Vardy de fora, por exemplo, mas sim alguns nomes que achamos interessante dar o destaque por uma boa temporada que cada um deles desempenhou na liga nacional mais importante do mundo. Confira:

(Foto por Alex Livesey/Getty Images)

Goleiro: Nick Pope (Burnley – inglês)

O arqueiro de 29 anos foi destaque em mais uma campanha muito sólida da equipe de Sean Dyche. Até a última rodada tinha possibilidade de conquistar a luva de ouro, prêmio dado ao goleiro que chega ao fim do torneio com o maior número de partidas sem ser vazado, porém com a derrota de sua equipe para o Brighton por 2×1 e a vitória do Manchester City sobre o Norwich por 5×0, Ederson levou o prêmio. Ao longo das 38 rodadas, Pope atuou em todas e atingiu ótimos números, sendo o quarto goleiro com o maior número de defesas, o quinto com mais defesas dentro da área, quarto em saídas de gol. Segundo o site de estatísticas SofaScore, obteve a quinta melhor nota entre todos os goleiros, terminando a frente de ótimos concorrentes como Alisson e Ederson. Pope ainda ganha força na disputa pelo gol na seleção inglesa, que hoje possui um Pickford pouco confiável e seu nome passa a circular nos escritórios de contratação das grandes equipes.

(Foto por OLI SCARFF/AFP via Getty Images)

Lateral Direito: Ricardo Pereira (Leicester City – português)

A fração final de Premier League após a pandemia serviu para evidenciar o quanto Ricardo Pereira é parte fundamental de um Leicester muito competitivo. Devido a uma lesão, o português ficou de fora da reta final de campeonato. O lateral terminou a Premier League com 119 desarmes, se tornando o terceiro no critério, apenas atrás do companheiro de equipe Wilfred Ndidi e do lateral do Manchester United, Wan-Bissaka. Além do bom desempenho defensivo, foi também o defensor com mais dribles realizados ao longo do campeonato. Ricardo Pereira compôs com excelência a linha defensiva de um ótimo Leicester City e se credenciou para disputar a posição em sua seleção, onde tem a concorrência do ótimo João Cancelo, e também se torna uma ótima opção para equipes com mais poderio financeiro que desejam um lateral com muito vigor físico, técnica e qualidade defensiva.

(Foto por Aitor Alcalde/Getty Images)

Zagueiro: Chris Basham (Sheffield United – inglês)

Dessa vez um jogador da maior surpresa da Premier League, o Sheffield United. E quando se fala do Sheffield, é necessário falar de seus zagueiros. John Egan e Jack O’Connell se destacaram em uma equipe em que os centrais possuem cada vez mais a função de servir como opções ofensivas pelo lado do campo. Mas dos 3, Basham foi quem mais se destacou, atingindo excelentes números defensivos como desarmes, cortes, interceptações, disputas de bola vencidas e duelos pelo chão vencidos. Além do ótimo desempenho no momento defensivo, o zagueiro de 32 anos foi fundamental com seus apoios pelo lado direito. Ao observar os mapas de calor do jogador, é possível confundi-lo com um lateral direito, o que é uma das grandes armadilhas da equipe de Chris Wilder. Graças ao treinador, a um time bastante coeso e a Chris Basham, o Sheffield com um elenco extremamente barato se manteve na Premier League e chegou a disputar vaga nas competições europeias.

(Foto por Peter Powell/Pool via Getty Images)

Zagueiro: James Tarkowski (Burnley – inglês)

Mais um atleta do Burnley na lista. A equipe de Sean Dyche pratica talvez o futebol mais rústico, menos moderno ou menos agradável da Premier League. Pautado em muitos lançamentos, dois atacantes altos e fortes e duas linhas de 4 muito duras para qualquer adversário. E Tarkowski é uma das chaves para o sucesso que a equipe atingiu nas ultimas temporadas. Aos 27 anos, o defensor vindo do Brentford fez mais um ótimo campeonato, sendo o defensor com mais cortes em todo o campeonato, atingindo um expressivo número de 200 nesse quesito, o que mais venceu disputas pela bola e o terceiro em duelos aéreos. Com ótimos números, muita imposição física e baixa idade, Tarkowski se torna uma excelente opção para times como Arsenal, Chelsea e Manchester United, que passaram por problemas na zaga ao longo da temporada.

(Foto por Michael Regan/Getty Images)

Lateral Esquerdo: Ben Chilwell (Leicester City – inglês)

Da mesma forma que Ricardo Pereira fez muita falta na equipe do Leicester pelo lado direito, a ausência do jogador, em decorrência de uma lesão, prejudicou a equipe nas rodadas finais. Mais jovem que seu companheiro de lateral, com apenas 23 anos, Chiwell conseguiu fazer sua grande temporada até aqui e atraiu o interesse de outras equipes com maior aporte financeiro. Alguns jornais locais já colocam o jogador na mira do Chelsea, que passa por processo de reformulação no seu elenco. O inglês já defende sua seleção e por lá deve seguir muitos anos, uma vez que o English Team não possui hoje uma unanimidade para a posição. Chilwell defende com segurança, possui boas estatísticas de passe e cruzamento, e com muito mérito atraiu os olhares de todos que acompanham a Premier League.

(Foto por ADAM DAVY/POOL/AFP via Getty Images)

Volante: Declan Rice (West Ham – inglês)

Os hammers viveram mais uma temporada complicada na primeira divisão. Apesar de um investimento relativamente alto, a equipe novamente figurou na parte de baixo da tabela durante toda a competição, escapando apenas nas rodadas finais. Contudo, Declan Rice conseguiu fazer mais uma temporada bastante consistente pela equipe londrina, cada vez mais estabelecido como o volante principal de seu time. Com apenas 21 anos de idade, o inglês cada vez mais se consolida como um dos jogadores de maior prospecto no país e já faz parte do grupo que é convocado para a seleção de Gareth Southgate. Jovem, versátil, com boa técnica e porte físico, o jogador já atrai atenção de outras equipes e sua saída para um gigante da Premier League passa a ser cada dia mais eminente, uma vez que o West Ham segue gastando altos valores na montagem de seu elenco, mas os resultados são cada vez menos empolgantes.

(Foto por Justin Setterfield/Getty Images)

Meia: Jack Grealish (Aston Villa – inglês)

Sem dúvidas Jack Grealish foi o grande destaque da equipe de Dean Smith que fez uma campanha muito abaixo das expectativas, se salvando do rebaixamento apenas na última rodada. Sendo a equipe das 3 que subiram da Championship que mais gastou em contratações, praticamente montando um time novo, quem mais contribuiu para a permanência do clube na primeira divisão foi o meia de 24 anos revelado no clube. O jogador, que já é especulado em grandes equipes como o Manchester United, anotou números muito expressivos para quem atua em uma equipe da parte de baixo da tabela na temporada. Com 8 gols, 6 assistências e sendo o segundo jogador com mais passes decisivos em todo o campeonato, atrás apenas do fora de série Kevin De Bruyne, Grealish segue conquistando os torcedores do Villa, que podem estar vivendo seus últimos momentos de uma linda relação com o jogador.

(Foto por Naomi Baker/Getty Images)

Meia: Emiliano Buendía (Norwich – argentino)

Nas fases iniciais do campeonato, o Norwich se destacava por um futebol vistoso, capaz de dificultar partidas contra as grandes equipes e até mesmo bater o todo poderoso Manchester City de Pep Guardiola. Com o finlandês Teemo Pukki marcando muitos gols, a equipe de Daniel Farke parecia ser a surpresa da temporada. Porém com o passar das rodadas foi possível avaliar alguns aspectos desse Norwich: a defesa não era confiável, o que prejudicou demais os canaries, Teemo Pukki não seria o artilheiro da Premier League, e o quão bom é Emiliano Buendía. O argentino de apenas 23 anos foi disparado o melhor jogador do time em todo o campeonato. Um meio-campista capaz de ser o camisa 10 pelo centro e jogar pelos lados como um armador, obtendo ótimos números de passes decisivos e dribles completados. Além de boa técnica, Buendía também demonstra facilidade na parte de pressionar a saída de bola adversária, característica cada vez mais presente após a chegada Guardiola e Klopp na Premier League. Com o rebaixamento do Norwich, Buendía passa a ser uma ótima opção de elenco para grandes equipes e um jogador até mesmo titular em equipes de médio porte ao redor das grandes ligas.

(Foto por PETER BYRNE/POOL/AFP via Getty Images)

Atacante: Danny Ings (Southampton – inglês)

Mais um jogador fundamental para a permanência de uma equipe na Premier League. Ao contrario da maioria dos citados até então, Ings já é atleta mais experiente e se aproxima dos 30. Após uma passagem muito marcada por lesões no Liverpool, o atacante chegou para ser a esperança de gols do time de Ralph Hasenhüttl, que chegou a perder para o Leicester no primeiro turno por 9×0. Porém, a equipe conseguiu reagir na fuga do rebaixamento e terminou o campeonato sem correr risco nas rodadas finais, muito graças a Danny Ings. O atacante anotou 22 gols ano decorrer do campeonato, terminando apenas um tento abaixo do artilheiro Jamie Vardy. Ings não é o atacante mais alto, mais rápido ou mais técnico, mas novamente se mostrou muito eficiente em uma equipe de médio porte na tabela, como também conseguiu ser quando atuava pelo Burnley.

(Foto por Peter Powell/Pool via Getty Images)

Atacante: Adama Traoré (Wolverhampton – espanhol)

Não seria justo analisar destaques da Premier League fora do Big Six e não citar nenhum jogador do Wolverhampton. O ótimo time treinado por Nuno Espírito Santo joga em um esquema com 3 zagueiros e 2 alas, o que possibilita jogadores talentosos na frente como Jimenez e Jota atuarem com liberdade. Mas o destaque escolhido da equipe foi Adama Traoré, um jogador que parece ter nascido para atuar na Premier League. Muita velocidade, explosão, força física e imposição. Adama não possui o físico clássico de um jogador veloz de lado de campo. Não é leve, pelo contrário, o jogador surpreende com sua força física e alia isso muito bem a sua boa técnica para driblar e gerar espaços nos contra ataques dos Wolves. O jogador com passagem por Barcelona, Aston Villa e Middlesbrough teve sua grande temporada terminando como terceiro artilheiro do time e maior assistente, além de ser disparado o jogador com mais dribles realizados no time. Uma liga que demanda força física atrelada a precisão e bom aproveitamento nas ações ofensivas parece cenário ideal para o desenvolvimento do ponta direita do Wolverhampton.

(Foto por RUI VIEIRA/POOL/AFP via Getty Images)

Atacante: Richarlison (Everton – brasileiro)

Fechando nossa lista de jogadores com um brasileiro. O carismático Richarlison segue fazendo ótimas temporadas na terra da rainha e parece estar cada vez mais adaptado do país. O atacante de 23 anos nunca foi o mais refinado, porém desde os tempos de Watford sempre demonstrou um bom desempenho enquanto teve sequência. Empatado com Calvert-Lewin, o brasileiro terminou o campeonato como artilheiro da equipe, com 13 gols e foi o terceiro com mais assistências. O Everton não atravessa um bom período em sua história, com muitos gastos e poucos resultados. No decorrer da temporada, o renomado Carlo Ancelotti foi contratado como novo treinador e ajudou o Everton a evoluir em alguns aspectos do jogo e aumentar as expectativas para a próxima temporada. E muito dessa expectativa passa por Richarlison, outro atleta que parece ter nascido para atuar na Premier League. Força física, velocidade, faro de gol e capaz de ajudar a equipe no momento sem bola. Essas características já colocam o atacante na mira de gigantes como Chelsea e Manchester United há algumas temporadas, porém até a data desse texto, o brasileiro segue no Everton.

Felipe Luz de Figueiredo
Postado por Felipe Luz de Figueiredo Universitário, carioca e apaixonado pelo jogo. Acredita que troféus e prêmios passam longe de ser o mais importante no universo do esporte. Defensor ferrenho dos ideais de Marcelo Bielsa e Pep Guardiola. Aspirante a colunista.