Um ano da eliminação e o que você fez de diferente?
25 de junho de 2020

 

Pouquíssimas pessoas devem saber mas, na última terça-feira, fez um ano que a Seleção Brasileira feminina de futebol foi eliminada pela França na Copa do Mundo de maneira melancólica. Um futebol com muita pobreza tática, mas talento de sobra.

A pior parte de tudo não foi nem a eliminação, mas a maneira como trataram o futebol feminino ao longo da competição. Percebem que o futebol feminino só é assunto em épocas assim e depois ninguém liga mais? Como querem que alguma coisa se sustente sendo assunto do povo de dois em dois anos? E o pior, o assunto não é nem para falar a respeito do esporte em si, mas discutir inúmeras coisas inúteis na intenção de “lacrar”, além de outros sendo extremamente maldosos e ignorantes com a categoria.

Responda sinceramente nos comentários: quantos jogos de futebol feminino você procurou assistir ou ver o resultado nesse um ano? E com a parada devido ao Covid-19, você procurou saber como anda a situação do futebol feminino no Brasil?

Como Marta falou ao fim do jogo em um dos mais emblemáticos discursos da história do futebol feminino, não vai ter uma nova rainha, nem uma Formiga, muito menos uma Cristiane. Mas ela não disse isso por prepotência, e sim porque hoje não há incentivo para o esporte aqui no Brasil, muito menos nas categorias de base, e as pessoas apenas se preocupam com a parte estética, e me desculpem, mas não é assim que o futebol feminino vai crescer no Brasil.

Muitos dos direitos reivindicados são legítimos e deveriam ser revistos, mas não se resume apenas a isso, e sim criar um projeto de desenvolvimento para essa categoria aqui no país. Na seleção tivemos mudanças, saiu Vadão, que infelizmente faleceu recentemente, e entrou a renomada treinadora sueca Pia Sundhage, uma entidade do futebol feminino em toda a história e com certeza um dos maiores acertos da CBF dentro da categoria.

Assistindo a poucos minutos de partida já é possível perceber consideráveis mudanças na metodologia de trabalho, e mesmo com os resultados não tão positivos, o processo é demorado, então deve se dar tempo a treinadora, principalmente pelo fato de a mesma estar convocando jogadoras jovens.

Mas será que só isso é suficiente? De que adianta uma contratação de peso dessas se ninguém liga? Precisamos lembrar das meninas não só quando vestem a amarelinha em Copa do Mundo ou Olimpíada, mas também nos campeonatos nacionais e estaduais, além das categorias de base.

Obviamente que só isso também não basta, pois sabemos que o meio futebolístico é muito machista, e a quebra desses paradigmas virá através de reivindicações e desenvolvimento da categoria em nosso país.

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Postado por Faruk Bakri Brasileiro de origem Palestina, 20 anos de idade, estudante de Engenharia de Petróleo e torcedor do Brasil de Pelotas. Um apaixonado pelo futebol e tudo que o cerca, tem como ídolos Johan Cruyff e Alex Ferguson dentro do esporte.