Sentimento de dever cumprido – Fábio Simplicio
16 de abril de 2017
Categoria: Entrevistas

Revelado pelo São Paulo, Fábio se considera abençoado. Coroado por uma carreira de sucesso em três continentes diferentes, o meio campo se sente feliz pelo legado que deixou. Embora magoado por conta de alguns problemas que aconteceram no tricolor paulista, o atleta segue acompanhando o clube como pode. Batemos um papo com o ex jogador.

Confira na íntegra:

1.Você praticamente nasceu e foi criado dentro do São Paulo, vindo desde a base até se consagrar já no time profissional do tricolor paulista. Em 2004 você acabou vendido ao Parma mesmo contra vontade, em uma saída bem conturbada. Segundo entrevistas, você e o clube não acertaram uma questão contratual pendente e você não fazia parte dos planos do Cuca, o técnico da época. Porque acha que o treinador não o via como peça do esquema dele? Quão difícil foi sair do clube que te projetou?

É uma história bastante longa, mas faz parte do futebol. Sai livre do clube, acabou o contrato e fui pra Europa. Não fazia parte da equipe do Cuca, acabei sendo afastado, treinando em períodos alternativos a equipe. Mas não guardo mágoas porque tudo que sou hoje é graças aos mestres que tive nas categorias de base do clube.

2.Em entrevista ao UOL em 2013, você afirmou que sua paixão pelo tricolor paulista havia diminuído bastante depois de sair de lá, afirmando inclusive que havia esquecido rapidamente o período no São Paulo. Hoje, 4 anos depois, qual é o seu sentimento em relação ao seu ex clube?

Isso gerou uma certa discórdia de alguns torcedores, mas não tiro a razão deles, pois são apaixonados pelo clube. Gosto sim do clube porque me projetou para o futebol mundial, vou aos jogos e tenho um carinho grande por parte de muitos torcedores quando os encontro pelas ruas. Fiquei bem chateado com os dirigentes da época pela forma que conduziram minha situação, mas jamais deixei de respeitar o de gostar do clube pelo fato ocorrido.

3.Mesmo em alta na Itália, sempre que perguntado você mencionava que gostava do Flamengo e gostaria de vestir a camisa rubro negra em algum momento da carreira. Já aconteceu alguma negociação entre você e o clube carioca? Como surgiu essa simpatia?

Não sou torcedor do Flamengo, mas tive sim esse desejo de um dia poder jogar lá, mas não tive a oportunidade e nem proposta. Gostaria de jogar lá porque gosto muito do Junior,  que jogava na lateral e depois jogou um período no meio, jogou muito por sinal!

4.Sem dúvida alguma, ao chegar no Palermo você se tornou um dos melhores jogadores daquele time. Chegou a ser convocado para a seleção brasileira em 2009 pelo então técnico Dunga. Como era uma fase de transição entre o fim da geração de 2006 para um novo ciclo, você acredita que deveria ter tido mais chances com a amarelinha? O período no Palermo foi a melhor fase da sua carreira?

O tempo de Palermo foi uma fase muito importante da minha vida, estava mais maduro e experiente. Não me queixo de ter ou não ter mais oportunidades na seleção, só de ter sido convocado já me coroou, é o limite onde um jogador profissional pode atingir no mundo da bola. Jogar em um grande time do Brasil, ter sucesso na Europa e Ásia, fechar com uma convocação e atuar pela nossa seleção, encerro minha carreira abençoado demais.

Maduro e mais experiente, Simplício foi peça importante no Palermo.,

5.Em decorrência das boas atuações no Palermo, a Roma acabou te contratando. Porém seu contrato foi rescindido após 2 anos e menos de 50 jogos. Por que acha que não jogou na Roma como jogou no Palermo?

No Palermo tive mais sequência cheguei como contratação de peso na equipe, então pude mostrar mais meu futebol em alto nível. Já na Roma cheguei com uma lesão, demorei para me recuperar e tive uma concorrência forte no meio campo. Porém quando fui chamado em campo sempre representei bem o valor do meu contrato. Fui embora porque o diretor novo na época não queria os brasileiros contratados pela direção anterior, então fui para o Japão.

6.Pegando um gancho, ao sair da Roma você tinha apenas 33 anos, ainda com alguns anos para jogar em uma liga grande ou talvez voltar para algum gigante brasileiro, mas acabou indo para o Cerezo Osaka. Por que foi para o Japão? Não era o momento certo de voltar ao seu país natal?

Fui pro Japão pensando na minha situação financeira. Você sai do país e quando volta todos pensam que irá voltar o mesmo jogador de 10 anos atras. Pensando melhor, preferi ir para o Japão onde se tinha menos pressão e a garantia de se estabilizar financeiramente, pois a Roma ainda me pagava um ano de contrato e o clube japonês também. Isso além de ter uma experiência de vida diferente, coisa que para os meus filhos foi muito importante, viver outra cultura.

7.Após encerrar a carreira de jogador você criou uma empresa de assessoria de carreira juntamente com o Doni, ex goleiro da Roma. Como surgiu essa ideia e como anda a empresa atualmente?

Somos sócios em outra área fora o futebol, visando o nosso futuro e dos nossos filhos. Estou me tornando empresário, procurando ajudar algumas novas promessas. É um mundo meio complicado mas vou me aventurar nessa área, já estou decidido.

Além dos frutos para sua carreira como jogador, a Roma também serviu para conhecer Doni, sócio de sua empresa até os dias de hoje.

8.Você saiu do São Paulo apenas um ano antes do clube vencer praticamente tudo, até 2008 foram 1 Libertadores, 1 Mundial, 3 brasileirões e uma dominância plena no cenário esportivo brasileiro. Você sente que poderia ter feito parte disso? Bate uma certa mágoa ao lembrar?

Gostaria muito de fazer parte, mas se não era pra ser não posso ficar lamentando. Torci muito pelos companheiros que fizeram parte dessa história. A minha fiz de outra forma, sou feliz do mesmo jeito.

9.Nos seus 2 anos na Roma você esteve frente com o maior ídolo da história deles, Totti, no seu dia a dia. Como é Francesco fora das 4 linhas? Vendo de perto, como analisa a idolatria da torcida com o italiano?

Totti é um grande jogador, fora de campo era um jogador reservado, organizava alguns jantares para o time, mas não era um cara de se expor tanto fora dos gramados. E realmente, ele é a bandeira do clube e da cidade de Roma.

10.Agradecemos pelo tempo disponibilizado para nós e desejamos toda a sorte do mundo daqui para frente, deixe nesse espaço suas últimas considerações. Um grande abraço de toda a equipe 4-3-3!

Agradeço o espaço dado por vocês. É sempre bom poder falar um pouco da nossa história. Fico sempre à disposição, foi um prazer respondê-los, precisando de nós estaremos à disposição. Um grande abraço.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.