São paulinos pegam no pé de Daniel Alves: é justo?
1 de novembro de 2019
Categoria: 4-3-3

Casamento entre camisa 10 e torcida já passa por primeira crise. (Foto por Miguel Schincariol/Getty Images)

No dia 1 de agosto de 2019, o melhor jogador da última Copa América assinou com um clube brasileiro. O atleta com mais títulos oficiais na história do futebol passaria a jogar no Brasil, aliás, em seu clube de coração. Daniel Alves virou jogador do São Paulo.

A partir daí, a sua apresentação, glamurosa e válida, sua postura vencedora e o ato de lhe entregarem a camisa 10 do tricolor animou à beça todo torcedor. A até então desanimada torcida são paulina agora tinha algo à que se agarrar para sentir esperanças. No entanto, após 12 jogos, dois gols e três assistências do craque, os questionamentos e uma pressão considerável começam a surgir.

Após mais uma derrota por mais de dois gols de diferença sofrida contra o Palmeiras no Allianz Parque, os tricolores foram às redes sociais para questionar o desempenho e a postura do camisa 10 em campo.

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A realidade é que para analisar o rendimento de Daniel, primeiro deve-se olhar para a sua utilização dentro dos esquemas de jogo. Cuca, o seu primeiro treinador nessa volta ao Brasil, cismava em dispor do talento de Daniel no meio-campo, quase como um armador mesmo, próximo dos outros meias e com a função de pegar a bola dos zagueiros. Muito dessa utilização se deu também pela contratação de Juanfran. Até funcionou nos primeiros jogos, porém conforme o trabalho de Cuca foi desandando, esse posicionamento deixou de surtir efeitos.

Na estreia, tudo parecia perfeito. Mas logo seu rendimento caiu (Foto por NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

Cuca caiu. E muitos jornalistas atribuem a Daniel a indicação do nome de Fernando Diniz para substituí-lo. Diniz chegou e Daniel em um primeiro momento não mudou de posição. Contra o Cruzeiro, por exemplo, manteve-se no meio-campo quase por toda a partida.

Porém, Diniz finalmente resolveu colocar Alves em seu lugar de origem dentro do campo. Dani agora tem a função de “lateral-construtor”, que é basicamente o estilo de jogo que ele desempenhou no final de sua passagem na Europa e na Seleção Brasileira na Copa América.

O lateral-construtor nada mais é que um jogador que defende pelo lado sem a bola, e ataca pelo meio com ela, como um armador no ataque e um defensor pela direita.

Talvez, essa seja uma saída interessante para a utilização dele no time do São Paulo, que já há algum tempo apresenta problemas na criação das jogadas. No entanto, o restante do time precisa apresentar mais alternativas de jogadas ofensivas.

São inúmeros os momentos em que o atacante pelo lado direito Antony ataca o lateral ofensivo sozinho, ou com um apoio aleatório dos meias. Dani não consegue criar por todos.

O técnico do São Paulo finalmente começou a usar Igor Gomes entre os titulares, jogador que vinha pedindo passagem, e pode ajudar a desafogar e tirar um pouco o peso  da criação das costas de Alves.

As críticas ao principal jogador do time também são relativas a postura do atleta. Alguns dizem que há uma passividade. Porém, é provável que quando o time começar a render ofensivamente, ele consiga render tanto técnica quanto animicamente.

Daniel não entrega tudo que imaginamos dele, mas as críticas deveriam ser muito mais dirigidas aos treinadores que subutilizam suas potencialidades. É bem possível que a partir do momento em que for construída toda uma estrutura tática baseada no estilo de jogo que Diniz defende, não só Dani conseguirá render tudo o que pode, quanto outros jogadores, como Alexandre Pato e Hernanes. Ademais, devemos lembrar que ele é um lateral.  Já passou da hora de entendermos que não existe salvador da pátria.

Postado por Igor Varejano 19 anos. Estudante de Jornalismo. Do interior de São Paulo, morando em Minas. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha. twitter.com/varejanoiu