Profissionalizando o futebol – THE360
6 de Maio de 2017
Categoria: Entrevistas

 

Parece que o mercado futebolístico brasileiro enfim começa a se tocar que precisa se reciclar e se profissionalizar. Cada vez mais os clubes procuram profissionais que tenham seus conhecimentos certificados, que tenham adquirido experiência com trocas de aprendizados com outros profissionais. Pessoas que no geral, estejam mais focadas em admitir que o esporte é, de fato, um negócio. Para isso, existem escolas como a The360. Especializada na atualização, qualificação e desenvolvimento dos profissionais que desejam trabalhar com esportes em geral, a escola vem crescendo bastante nos últimos anos. Com a realização de cursos e palestras de alto nível, o serviço vem conquistando cada vez mais quem o contrata.

Conversamos com o Diretor da empresa, Rodrigo Molina, sobre o seu empreendimento.

Confira na íntegra:

1.Conte um pouco sobre o surgimento de vocês, como foi que a ideia começou?  Por que o nome “The360”?

Acreditamos que as empresas surgem por motivos parecidos em geral, às vezes por necessidade ou oportunidades, foi um pouco de cada questão. Eu durante 4 anos trabalhei com treinamentos voltados para profissionais da área fiscal, financeira e contabilidade em geral. É um mercado bem grande e concorrido pois existem inúmeras empresas que oferecem esse tipo de atualização. Nesses 4 anos eu procurei junto ao meu sócio na época, oferecer um diferencial em relação ao que o mercado já propunha. Porém, posso dizer que quem liderava esse segmento eram sempre as empresas que estavam a mais tempo no mercado.

Em 2012 um amigo meu de infância estava procurando um local para dividir escritório, para onde levaria sua empresa de marketing digital, nosso escritório tinha um espaço grande e acabamos por aceitar dividir com ele. Um ano depois eu comecei a estudar o mercado futebolístico e percebi que é um ramo que possuía uma demanda alta, com uma oferta consideravelmente baixa, não havia nada muito parecido com o que o The360 se tornou hoje, por exemplo. A maioria dos cursos e palestras eram feitas em datas muito espaçadas e a maioria fora de São Paulo. Depois de conversar com algumas pessoas e pesquisar algumas coisas, identifiquei esta oportunidade.

Esse meu amigo que trabalhava com Marketing Digital possuía uma ótica da área que eu não tinha (inclusive contratava externos para fazer o MKT digital da minha empresa) e acabou sendo uma união perfeita. Ainda em 2013 saiu o primeiro evento que contou com diversos profissionais renomados. Porém só em 2014 resolvemos de fato abrir uma empresa juntos, eu e esse meu amigo, foi aí que surgiu a The360.

Nosso nome é uma sigla, na verdade. Treinamento de Habilidades com Experiência 360 graus.

2.Qual é a importância de “educar” futebolisticamente os fãs e profissionais que desejam se especializar na área? Visto que no ensino padrão, dificilmente vemos coisas com teor esportivo.

Quanto mais conhecimento envolvido no desenvolvimento desse mercado, quanto melhor estiverem qualificados os profissionais que exercem essas atividades, melhor para todo mundo que trabalha com isso. Quando você oferece atualização, conteúdo e desenvolvimento para pessoas que desejam trabalhar com futebol ou para pessoas que são apenas fãs, você eleva a qualidade do nicho como um todo e isso beneficia quem consome o esporte.

Em um dos tantos cursos, Vadão de palestrante.

3.Vocês também lidam com outros esportes e algumas pautas relacionadas ao desenvolvimento jornalístico, existe algum outro ramo para o qual queiram se expandir além desses?

No momento estamos estudando bastante e nos aproximando das ligas americanas, estamos criando uma afinidade muito grande com a NFL e a NBA. Recentemente fizemos uma experiência com o nosso curso “Allstar” que consiste em falar um pouco sobre essas ligas. A forma como é conduzido e todo o aparato estrutural dos esportes americanos nos deixa fascinados. Nós também temos prestado atenção em uma febre que vem tomando o mundo inteiro, que são os E-Sports, não há nenhuma modalidade mais praticada pelo cidadão comum no mundo que o ato de jogar um game, além de ser um ramo que vem se organizando e mostrando-se bastante rentável. Inclusive, no segundo semestre deste ano será lançado um curso com foco na gestão relacionada a games.

4.Ainda nessa questão, percebi que vocês até agora só se limitam a São Paulo. Há algum plano de trazer o serviço a outras capitais como Rio de Janeiro, Recife e Rio Grande do Sul? Se sim, em quanto tempo?

Nós recebemos alunos de Roraima, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Salvador, Brasília, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros. Tem sido frequente o desejo das pessoas de levarmos nossos serviços a outras cidades. Entretanto, a grande dificuldade seria o custo do desenvolvimento em outro local, deslocamento de mão de obra, hospedagem, a questão logística como um todo é muito complexa se tratando de um cenário como esse. Além disso, nossa operação ainda é pequena, temos uma sala de aula para 30 pessoas e um auditório para até 80 pessoas.

Mas estamos conversando com algumas agências de turismo, algumas universidades em outras cidades, é nossa intenção levar o nosso serviço a outros lugares além de São Paulo, vamos ver se ainda esse ano conseguiremos tornar isso possível.

5.A questão da inserção da mulher no meio da gestão esportiva ainda soa estranho para alguns, como é a procura feminina em relação as palestras e cursos que vocês ministram? É um número médio considerável?

Em média nos temos uma ou duas mulheres por classe, o percentual não chega a 2%, é bem pequeno. Infelizmente nós temos um país bem machista e o futebol reflete bem isso. Na verdade dentro do esporte isso é multiplicado, nós não costumamos ver mulheres em posições de liderança ou estratégicas, normalmente são psicólogas, fisioterapeutas, fisiologistas, cargos u m pouco mais periféricos se tratando do ramo, apesar da profissão em si ser bem respeitada.

A Patricia Amorim foi um hiato nesse padrão, porém não desempenhou uma gestão muito satisfatória, fato que acabou por “minar” um pouco a visão das pessoas em relação a mulheres ocupando esse tipo de cargo. Nós temos parceria com a MGE (Mulheres na Gestão do Esporte), incentivamos o debate desse tema e a introdução da mulher neste mercado. A The360 quer quebrar esse paradigma.

Uma união que tem tudo para dar certo!

6.Nossos leitores provavelmente devem estar com essa curiosidade, qual é o valor médio de um curso? Qual a variação desse custo?

A classificação é feita pelo número de horas, número de dias e número de professores. Quanto maior a extensão do curso, maior é o ticket médio, então há cursos de mil reais bem como há alguns de três mil reais. Assim como podem haver cursos de 4, 12 ou até 60 horas de duração. Dependendo do curso também trazemos professores de fora do país, como no que ministramos sobre Marketing, que trouxemos profissionais do Liverpool, do City, isso acaba implicando diretamente em custo.

Em média nossos cursos de fim de semana tem um preço padrão de aproximadamente mil reais, enquanto alguns que duram um mês ou mais, possuem um ticket médio de três mil reais.

7.Até agora na história de vocês, qual feito consideram como a maior realização da empresa?

Na verdade nossa história ainda é bastante curta, acredito que o futuro nos reserva grandes momentos, maiores que os que já tivemos até aqui. Porém um exemplo de feito importante é quando um aluno nosso consegue uma posição no mercado para o qual qualificamos ele. Trazer profissionais de times estrangeiros e grandes clubes nacionais para dar palestra nos nossos cursos também é algo do qual nos orgulhamos muito. Porém acredito que o nosso maior feito até o momento presente foi conseguir organizar o Business Football Club em 26 de agosto de 2013, aquele dia para nós foi inesquecível por ser o primeiro, fazer o primeiro é sempre mais difícil.

8.Aliando essa visão que vem se tornando febre (ainda que emergente) onde todo e qualquer profissional do esporte precisa ter workshops, intercâmbios e troca de experiências com outras pessoas do meio ao crescimento notório da The360, onde vocês almejam chegar nos próximos 5 ou 10 anos?

Acreditamos que um projeto só se torna grande quando se tem grandes parceiros, pessoas que acreditam na sua ideia, no seu conceito. Nosso objetivo é buscar mais parcerias que tornem o nosso serviço mais interessante ainda, mais qualificado, mais atraente. E parcerias podem vir de diferentes âmbitos, temos conversas por exemplo, com profissionais da faculdade ESPM, faremos também um evento em conjunto com a faculdade Trevisan. Além disso, há diversas conversas com outros clubes, instituições e entidades para que juntos possamos trazer o melhor dos esportes para os nossos alunos.

Em 5 a 10 anos espero que sejamos uma das maiores empresas de qualificação profissional do mercado brasileiro e quem sabe um dia ser a maior referência.

9.Que motivo vocês elegeriam como os maiores culpados de até pouco tempo atrás não ter havido interesse quase nenhum em profissionalizar as posições que gerem o nosso futebol?

A maioria das instituições eram (e ainda são) ambientes políticos. Fatores como ego, vaidade e status ainda pesam muito nas decisões estratégicas. Em 2014 nós fizemos uma pesquisa com mais de 50 clubes do interior de São Paulo. Como resultado, conseguimos levantar dados que indicavam que além de ser um ramo pouco profissionalizado, muitas das pessoas que ocupavam alguns cargos, só estavam ali por política ou elo com alguém superior.

Podemos tomar como exemplo alguns clubes do interior, onde o profissional responsável por cortar a grama do CT e do estádio, era quem respondia pelo marketing do clube. Nada contra a função de cortar grama em si, tem sua devida importância dentro de todo o processo, mas esse profissional não tem as ferramentas certas para gerir um marketing. Na nossa pesquisa, onde indagamos esse tipo de funcionário, normalmente não havia formação nem experiência na área. Esse tipo de situação só nos confirmou que dentro deste ambiente não havia muito interesse em profissionalizar, era uma situação de certa forma confortável, ser tudo daquele jeito. Hoje há essa ameaça para essa comodidade, essa leva de pessoas qualificadas surgindo.

A chamada de um dos cursos do The360, profissionalizar é sempre a melhor saída.

10.Abrindo aspas aqui, gostaria de salientar o grande apreço que nós do 4-3-3 temos por iniciativas como a de vocês, como veículo independente esportivo que somos, procuramos sempre a excelência e a realização de um conteúdo sério, informativo e acessível a todos. Dito isso, é reconfortante ver negócios como o de vocês dando certo, profissionalizar, reciclar e manter nossos gestores esportivos atualizados é uma ação que beneficia desde um site como o nosso, como um clube grande da série A, fica aqui nossos sinceros parabéns. Façam suas considerações finais, um grande abraço!

Assim como vocês ficam felizes de ver projetos como o nosso dando certo, também nós sentimos felizes ao ver blogs de colunistas e outras startups relacionadas a futebol. Só assim que conseguiremos mudar esse ambiente, então parabéns pelo seu trabalho, pelo  Blog do 4-3-3. Sempre que for necessário a escola estará de portas abertas para vocês e seus seguidores. Obrigado por dar voz a 360, um grande abraço!

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.