Podemos esperar um Corinthians mais ousado com Tiago Nunes?
7 de novembro de 2019
Categoria: 4-3-3

Foto por Masashi Hara/Getty Images)

Dias turbulentos, entrevistas coletivas polêmicas e a goleada para o Flamengo deram fim ao trabalho de Fábio Carille no Corinthians. Outro nome, então, entrou no caminho do clube: Tiago Nunes. O atual campeão da Copa do Brasil, porém, só assume a equipe alvinegra em 2020 – escolheu tirar férias nos últimos meses do ano -, mas já pode se esperar algo diferente do que vinha sendo feito em Itaquera.

Do sub-19 do Athlético, se tornou técnico da equipe principal após a demissão de Fernando Diniz. Pegou o time na zona de rebaixamento e o levou até o sétimo lugar e ao título da Copa Sul-Americana. Em 2019, já com o elenco montado pro seu esquema, eliminou Grêmio, Flamengo e Internacional e ficou com o título da Copa do Brasil. Fez jogos memoráveis contra a dupla argentina Boca Juniors e River Plate, inclusive vencendo uma vez cada, 3 a 0 e 1 a 0 na Arena da Baixada. Chega ao Corinthians com moral e respaldo para trabalhar.

Como joga?

No já conhecido DNA de jogo corintiano, prevalece o jogo reativo, que prioriza a defesa e busca o ataque de forma mais vertical e veloz. No Athletico, Tiago prefere a posse de bola, mas sem esquecer o equilíbrio defensivo. Com duas linhas de quatro bem definidas, seus times usam bastante os pontas na recomposição, justamente pra fechar a linha e sair em velocidade.

Um dos expoentes do Athletico foi Rony, dada a velocidade no contra-ataque e a inteligência para concluir a jogada, seja com a finalização ou com um passe para gol. O que Carille não conseguia fazer no Corinthians era dar essa resposta rápida no ataque, algo que Tiago Nunes deve agregar ao time alvinegro.

O Athletico formava as duas linhas de quatro na transição defensiva e atacava o portador da bola. Ou seja, enquanto bloco, o time vai variando de um lado para o outro de acordo com o posicionamento da redonda, sem desmontar as linhas, marcando de forma conjunta e diminuindo os espaços do adversário.

Quanto menos espaço para trabalhar pra frente, menor a chance de um defensor forçar um passe, assim, ele recua a bola e o time sobe a linha, pressionando e fazendo com que o último jogador dê um bico pra frente, rifando a bola.

Na transição ofensiva, dá pra se notar um jogo apoiado e bastante alargado. Os laterais abrem e dão mais espaço no meio de campo para os meias trabalharem a bola. Os pontas buscam os espaços entre as linhas de marcação, com Marco Ruben, o camisa 9, dando profundidade. Ou seja, um jogo com mais espaço para se jogar e poder trocar passes, mantendo a posse de bola.

Laterais abrem, dando mais espaço pelo meio (Via: @taticamente)

Com um futebol bastante solidário, o Athletico de Nunes é um time que chega muito ao ataque e finaliza sempre que possível. Até setembro deste ano, a média de finalizações do Furacão por jogo era de 12. E quando eu falo de solidário, me refiro às 9,6 assistências para finalização por jogo. Evita-se as jogadas individuais e se trabalha para chegar ao gol adversário com a posse da bola.

Comparado com o esquema de Fábio Carille nos últimos jogos, víamos uma equipe com dificuldades em se defender e muito lento para atacar. A ideia é que em 2020 vejamos um Corinthians mais ousado e um pouco mais distante do DNA consolidado e trabalhado nos últimos 10 anos – desde Mano Menezes, passando por Tite e, como espera Andrés Sanchez, acabando em Fábio Carille. 

*Números via footstats

Postado por João Vitor Nunes Jornalista no interior de Minas, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. 23 anos. Apaixonado pelo esporte e pela profissão. Gosto de pitacos embasados e boa conversa de bar.