Pode não ser a Seleção que queremos, mas é a que precisamos
28 de março de 2018
Categoria: Futebol e Seleções

Pense, torcedor.

Não, torcedor, a Seleção não vai ser o que você quer em 2018. Vai ser a que você precisa.

Mais uma Copa do Mundo chegando, mais quatro anos se passando e cá estamos nós brasileiros e apaixonados por futebol novamente no aguardo de mais um espetáculo, afinal, somos intitulados como o país desse esporte, os melhores na arte de jogar bola e o soberano na competição. Tantos e tantos anos entrando como favoritos e temidos, hoje estamos num meio termo. Claro que o respeito com a amarelinha continua, mas o forte baque na última Copa transforma a Rússia 2018 em uma espécie de início de uma nova era, um novo ciclo, e isso pode deixar o povo brasileiro incomodado.

Veja bem, sempre que entramos num torneio como esse, o que se espera da Seleção é um futebol bonito, vistoso, pra frente, com lances plásticos e grandes craques desfilando nos gramados. O famoso “brasileiro médio” gosta de se sentar frente à TV de sua sala e assistir um Brasil que jogue como Brasil, ou seja, com jogadores estilo Ronaldinho Gaúcho, e que o faça vibrar com gols a todo instante. Esse também espera que o treinador chame todos os 23 melhores por posição, na cabeça dele, é dessa maneira que a Seleção vai render mais.

O “estilo Ronaldinho” ainda permeia o imaginário de muitos brasileiros.

O que acontece é que isso não existe e nem nunca existiu, não se faz um time com os melhores. Uma equipe se constrói de acordo com as necessidades do modelo tático do treinador. É isso que parte dos torcedores não entendem e é isso que você precisa entender. O Tite não é nenhum palhaço a beira do campo pra zoar com a sua cara convocando Taison, Ismally, Paulinho, Renato Augusto, entre outros. Tite é um dos maiores e melhores treinadores que já tivemos nesse país, um cara que tem todos os atributos necessários pra gerir uma equipe, tanto na parte psicológica, quanto na tática, um multicampeão, um líder, um gênio na arte de gerir seu 4-1-4-1, um cara que soube aceitar a inferioridade do seu time e o fez enfrentar seus rivais da maneira mais prática e correta, ou seja, dentro do seu modelo de jogo e limitações de seus jogadores.

Me digam, quem era Paulinho antes de Tite assumir a Seleção? Mais um atirado às traças e acomodado em solo chinês ganhando seus milhões e curtindo a vida. Quem é Paulinho agora? Entendam, o Tite não é apenas um treinador de futebol, ele é o cara que a Seleção precisa e que nós precisamos. Ele é quem pode fazer com o Brasil o mesmo que fez com o Corinthians, sejam pacientes e estejam convictos de que precisamos aceitar a inferioridade e implantar um sistema de jogo a longo prazo, se não vamos continuar nessa mesmice, passarão outros Dungas, Felipões e Parreiras por aqui, alternando modelos de jogo a cada quatro anos, levaremos nossa cultura futebolística de demitir treinadores para a nossa seleção, e daqui 30 anos ainda continuaremos sofrendo com a seca da Copa, ficando para trás e perdendo o posto de país do futebol, aquele que ostentamos com tanto orgulho.

Você pode não gostar, mas Paulinho dá o que Tite espera.

Tudo isso por arrogância, por subestimar quem poderia ajudar e por não aceitar algo que fuja dos padrões. O Brasil que vai a Rússia em 2018 não é que você quer e os jogadores brasileiros que serão convocados não serão os que você quer, mas é o necessário para o momento. Eu fiz esse texto porque já não aguentava mais esse tipo de ridicularização com o modelo de jogo do time, principalmente após esses dois últimos amistosos onde fizemos a Alemanha dar chuveirinho o jogo todo (e não venha me dizer que era o mistão da Alemanha, pois esse mesmo time é o que foi extremamente elogiado depois da Copa das Confederações). Sim, um país que encantou o mundo nessa década por sua evolução futebolística, deu balão, não conseguiu fazer uma jogada trabalhada e se mostrou balançado diante de um modelo de jogo fortíssimo e necessário para o Brasil hoje.

Independentemente do que aconteça na Rússia, saibam que Adenor Bachi é o único treinador hoje no Brasil capaz de nos levar à glória novamente. Pedir sua cabeça depois da Copa por convocar algum jogador que você não goste nunca será a solução, a continuidade no trabalho e saber que estamos no caminho certo, sim. Praticamente todas as seleções e times marcantes e vencedores na história precisaram disso, não é a Seleção Brasileira, a qual ostenta cinco estrelas no peito, que não vai poder fazer, certo? Valorizem a Seleção nessa Copa, contestem, critiquem, deem sugestões, mostrem seus pontos de vista, mas façam isso com convicção, sabendo do que estão falando, não sejam desonestos.

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Postado por Faruk Bakri Brasileiro de origem Palestina, 20 anos de idade, estudante de Engenharia de Petróleo e torcedor do Brasil de Pelotas. Um apaixonado pelo futebol e tudo que o cerca, tem como ídolos Johan Cruyff e Alex Ferguson dentro do esporte.