Os últimos goles amargos
19 de maio de 2017
Categoria: Futebol e Internacional

 

Mais um dia de testes. Pego o copo de cerveja, outro gole. A careta naturalmente aparece, é amargo demais, pelo menos para mim. Mas os amigos presentes insistem “é questão de costume, você aprende a gostar”. Talvez nunca vá aprender a beber, pode ser que seja realmente uma questão de gosto, ou não? Apesar de existir essa possibilidade, a maioria acredita que dependa só da frequência inicial. Bebendo três, quatro vezes, o paladar acostuma e a cerveja gelada passa a ser algo delicioso. Talvez.

Como tudo na vida, podemos trazer esse exemplo para o futebol. Nada de falarmos de jogadores que se acostumaram demais com a bebida, embora isso também dê um bom texto. O assunto da vez é o Tottenham, vice-campeão da atual Premier League, conquistada pelo Chelsea. É exatamente desse quase título que vamos falar.
A segunda colocação do campeonato vem depois de uma excelente campanha na última temporada, onde também perdeu o caneco nas últimas rodadas para o histórico Leicester. Agora, um ano depois, fez campanha maravilhosa, melhor ataque, melhor defesa, mais pontos que os foxes na PL anterior. De nada adiantou, viu um Chelsea arrasador sobrar. Azar?

A derrota, no entanto, é como aqueles primeiros copos de cerveja. O primeiro, muito amargo, até assusta, mas serve de experiência, assim como os próximos, cada vez menos amargos. Diria que o Tottenham está aprendendo a beber. Aprendendo a gostar de disputar o título, de fazer grandes campanhas. Com a continuidade de Mauricio Pochettino, o desenvolvimento de jovens jogadores como Alli e Son, o amadurecimento do cada vez mais word class Harry Kane, a tendência é que os goles amargos acabem nos Spurs.

Harry Kane merece entrar para a história do clube com um título.

Além da experiência, a equipe aproveita cada copo. Aprende um pouco a cada temporada. Não só se acostuma com as primeiras posições, como, aos poucos, mostra gostar do topo. Prova disso é o longo tabu quebrado contra o rival Arsenal. Eram mais de vinte anos os vendo a frente na tabela. Esse copo já foi. Desceu queimando, teve muita careta, mas desceu.

Não dá para cravar que o título está tão maduro a ponto de chegar já na próxima temporada, mas é nítida a criação de uma “casca”, um peso, na equipe que começa com outras expectativas cada temporada. O Chelsea, vilão da vez, foi assim na Champions League. Foi aprendendo, caindo, mas se adaptando. No fim, degustou do melhor copo possível, gelado, refrescante.

Com as boas temporadas que vem fazendo, o Tottenham aparenta estar quase no ápice. No tão desejado momento em que pode dizer que aprendeu a beber da fonte dos maiores do país. Enquanto o sabor não for pleno, eles não vão sair da mesa e parar de beber. Se eu pudesse dar um conselho, diria que é bom ficar calmo, os goles amargos estão acabando.

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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.