Os Paralamas do Fracasso – Um retrato de como o Galo se porta pós-Copa do Brasil
1 de março de 2020
Categoria: 4-3-3

(Foto por DOUGLAS MAGNO / AFP) (Photo by DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)

Desde a passagem em 2014-2015 de Levir Culpi, que culminou com a conquista da Copa do Brasil ante o arquirrival, o Atlético coleciona péssimos trabalhos, que só não são piores que as administrações do mesmo período. Sob as presidências de Daniel Nepomuceno e Sérgio Sette Câmara, em seis anos até aqui, dois campeonatos conquistados: uma Florida Cup (2015) e um Campeonato Mineiro (2017). Em contrapartida, 11 (ONZE) treinadores: Diogo Giacomini (por duas vezes interino), Marcelo Oliveira, Roger Machado, Rogério Micale, Oswaldo de Oliveira, Thiago Larghi, Levir Culpi, Rodrigo Santana, Vagner Mancini e, finalmente, Rafael Dudamel.

Este último, sem dúvidas, o maior fracasso dentre todos. Mais do que trazer um técnico de seleção sul-americana, o Galo trazia, depois de muito tempo, um projeto.

Desde a saída de Cuca, que perdeu as seis primeiras partidas pelo clube, levou uma goleada de 6×1 para o maior rival e que perdeu o Mundial para o Raja Casablanca, o Atlético não apostava tantas fichas em alguém. Mesmo com tantas falhas, a glória maior: o tão sonhado título da Copa Libertadores da América.

Além de sintonia com a torcida, havia claramente um modelo sendo aplicado nos jogos: time ofensivo e forte em casa, pressionando o adversário em todo o tempo, sufocando até fazer pelo menos um gol. Um time que em muito contou com a sorte, vide o milagre de São Victor, mas que apresentava sempre estar entrosado, especialmente o quadrado ofensivo formado por Bernard, Ronaldinho, Tardelli e Jô.

Após a saída confirmada em pleno Mundial de Clubes, o clube decidiu trazer Paulo Autuori para a reposição. Sintonia zero com a torcida, resultados ruins e uma passagem de apenas quatro meses. Em seu lugar, Levir Culpi (o bom e velho Levir!).

Já familiar com o ambiente, o “cara legal” fez seu nome e alcançou títulos: Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil e Campeonato Mineiro, este já em 2015, ano em que é demitido em novembro. Entre apostas e fracassos, o nome mais comentado desde então foi sem dúvidas o de Thiago Larghi.

Promovido a técnico após um tempo como interino, propôs um jogo rápido, com tabelas, passagens e futebol agressivo. Agradou rapidamente diretoria, torcida e jogadores, mas após alguns resultados ruins, foi desvinculado do clube no final de 2018, tendo ficado pouco mais de oito meses no Galo.

Thiago Larghi viveu bons momentos no Atlético (Foto por Marcelo Endelli/Getty Images)

E entre tantas ambições frustradas, caminhos mal percorridos e contratações duvidosas, eis que surgia de fato algo novo, uma luz no túnel dos desesperados: Rafael Dudamel, aquele que poderia retomar um Atlético vibrante, intenso e ganancioso por vitórias, com um contrato pensado e planejado para ter vida longa. Ledo engano.

Míseros dez jogos, com 50% de aproveitamento. A dúvida é o que foi pior: o resultado final ou o futebol apresentado. Com escolhas extremamente duvidosas, esquema tático inexistente, movimentação ofensiva inofensiva, defesa esburacada e substituições inexplicáveis, o esperado aconteceu.

Hoje o time é o quarto colocado do fraco Campeonato Mineiro, e foi eliminado da Copa Sul-Americana na 1ª fase pelo Clube Atlético Unión, da Argentina, e da Copa do Brasil apenas em sua 2ª fase pelo Afogados da Ingazeira, equipe pernambucana de seis anos de existência e que disputa a Série D. O maior fiasco desde o confronto perdido contra os marroquinos. Uns diriam o maior desde a goleada para o Cruzeiro. Outros diriam desde o rebaixamento. Há até os que dizem ser o maior vexame da história da equipe.

Afogados, empalados, asfixiados, pisoteados, mortos, astrosos, fúnebres e mórbidos. Assim ficaram os corações da parte preto e branca de Minas Gerais.

O dano financeiro é, de certa forma, calculável, mas assombroso. O orçamento previsto inicial era de quase R$ 40 milhões com premiações. A realidade são duros R$ 3,7 milhões. O dano futebolístico é igualmente assombroso, mas, ainda, incalculável. Uma das piores passagens de um treinador de futebol na história do clube, visto todo o investimento e toda a euforia (de praxe) que a torcida teve com ele. Uma grande lástima para o próprio venezuelano, para os atleticanos e para a instituição. Uma passagem de 43 dias que deixa lacunas e perguntas sobre o futuro.

Quem assumirá essa bucha, esse pedaço de ferro mal administrado e sem apetite como é o Clube Atlético Mineiro? Quem se propõe a enfrentar uma diretoria danosa, com pessoas mesquinhas e jogadores esnobes? Quem se arrisca a enfrentar uma torcida impaciente e desencorajada a participar ativamente do cube? O que esperar de dirigentes tão amadores e prejudiciais? O que resta após tantos anos sem qualquer perspectiva de um trabalho que fosse, no mínimo, decente?

O que há de acontecer para que um projeto criado para médio-longo prazo de fato se concretize, sem o imediatismo das forças administrativas que tanto desmembram o time? O atleticano está na lanterna dos afogados. E está esperando. Mas que me desculpe o cantor e compositor Herbert Vianna, d’Os Paralamas do Sucesso. No Atlético, n’Os Paralamas do Fracasso, pelo visto, a ajuda (ainda) vai demorar.

Postado por Pablo Heringer Brandão Capixaba de nascimento, mineiro de coração. Simpatizante de inúmeros clubes, torcedor ferrenho do Atlético-MG e das seleções holandesa, uruguaia e serra-leonense. Amante de escudos, rivalidades e histórias que circundam toda e qualquer partida de futebol.