Os Anos Dourados do Clube Náutico Capibaribe
4 de novembro de 2021
Categoria: 4-3-3

O Clube Náutico Capibaribe foi fundado em 07 de abril de 1901; quando grupos de remadores – por isso o nome do clube ser Náutico, em referência à prática náutica – resolveu fundar uma agremiação esportiva.

Porém, foi apenas em 1905 que o clube deu início às suas atividades futebolísticas. Durante o início do século XX, o clube ficou conhecido como “o clube dos brancos”, pois proibia a entrada de negros e pardos de serem contratados pela instituição, uma chaga que até hoje o clube tenta extirpar. Em 1909 deu-se início a carreira profissional no futebol, em uma partida contra quem seria o seu maior rival futebolístico: Sport Club do Recife.
A equipe alvirrubra venceu a partida por três a um. Gols marcados por Rolland Maunsell e Thomas.

Durante as décadas de vinte, trinta, quarenta e cinquenta, o Náutico se consolidou como uma das principais equipes do futebol pernambucano; conquistou o tri campeonato estadual (1950/51/52) e chegou a fazer uma excursão de êxito pela Europa, tendo enfrentado clubes como Bayern de Munique (dois a dois o resultado) e o Olympique de Marselha (três a um para a equipe recifense).

Chegou no ano de 1960 como o clube com mais campeonatos pernambucanos conquistados (15) contra 14 e 13 de seus rivais, respectivamente, Santa Cruz e Sport. E sendo o clube de maior sucesso da região. Contudo, esse sucesso iria transpor o nível regional e o Náutico se tornaria o primeiro clube de Pernambuco a possuir um protagonismo nacional, justamente na década de 1960, a sua década de ouro.

O incrível sucesso da equipe pernambucana começou no ano de 1963, batendo o Sport nos dois jogos das finais do campeonato pernambucano.

Esse ano é mágico, já que se iniciaria um verdadeiro reinado futebolístico no estado de Pernambuco: o Náutico se consagraria hexa campeão pernambucano no ano de 1968, feito ainda inédito nos dias atuais.

Em 1961, o Náutico havia sido o quarto colocado da Taça Brasil (equivalente ao campeonato brasileiro dos dias atuais). Em 1963, o Náutico já tinha sua principal estrela futebolística, que seria o marco dessa geração vitoriosa: Bita. Curiosamente, todos os vice-campeonatos do hexa alvirrubro tiveram como vítima seu maior rival: o Sport.

Bita, ídolo eterno do Náutico.

Em 1964, o Náutico conquistou a Taça Brasil – Grupo Norte, com duas vitórias em cima do Paysandu (três a um no Recife e seis a zero no Pará) e seria bicampeão no ano seguinte.

Em 1965, um dos trios de ataque mais poderosos do futebol nordestino já estava reunido: Bita, Nino e Lala, e o timba se consagrou tri campeão pernambucano. Neste mesmo ano o Náutico provou ser um time além no Nordeste, pois foi terceiro colocado na Taça Brasil, derrotando o Palmeiras de Ademir da Guia e tendo como artilheiro do campeonato o ídolo Bita.

Náutico em 1965; Gena, João Adolfo, Toinho, Deda, Gílson Costa e Zequinha (em pé): Nado, Bita, Ivan e Lala (Agachados).

No ano seguinte, quando o Brasil foi eliminado na Copa do Mundo por Portugal, o Náutico se consagrava tetra campeão estadual, bicampeão consecutivo da Taça Brasil – Norte- Nordeste e terceiro colocado novamente na Taça Brasil, tendo pelo segundo ano consecutivo o artilheiro Bita como maior marcador do campeonato com dez gols. Ainda nesse ano, o Rei do futebol se curvaria perante o colossal time alvirrubro recifense, o Santos que era o melhor time do mundo, sofrera uma derrota monumental de cinco a três em plena Vila Belmiro, com quatro gols de Bita.
Pelé diria anos mais tarde que “Um dos melhores times que enfrentei” fazendo referencia ao esquadrão alvirrubro daquele período.

Equipe alvirrubra que derrotou o Santos de Pelé.

Entretanto, em 1967 foi o ano que o Náutico se firmou como um dos maiores clubes do Brasil, sem deixar dúvida para ninguém. Após fazer uma temporada massacrante, de ser pentacampeão pernambucano, tricampeão da Taça Brasil – Norte-Nordeste, o Náutico eliminou o poderoso e atual campeão Cruzeiro de Tostão na Taça Brasil, e decidiu a final da mesma contra o Palmeiras, em três jogos eletrizantes.
O primeiro jogo foi três a um para a equipe alviverde, o segundo dois a um para a equipe recifense em São Paulo, mas o terceiro jogo acabou tendo como resultado a vitória palmeirense por dois a zero.


Os jornais do Brasil estampavam o êxito alvirrubro, que como eu disse, elevou o estado pernambucano ao mais alto nível do futebol nacional, já que junto com o Palmeiras, o Náutico era o representante brasileiro na Copa Libertadores da América.

Em 1968 foi a consagração regional: o hexa campeonato veio! Com destaque para Gena, Nino e Lala, o timba derrotou o Sport na sua casa, o Aflitos.
“Aflitos lotado, mais de 30 mil torcedores presentes (23.320 pagantes). Expectativa geral por parte das torcidas alvirrubra e rubro-negra. No tempo normal, placar inalterado. Como uma alusão ao desfecho, o jogo fora decidido na prorrogação. A tarde já caía quando o atacante Ramos fez a torcida timbu explodir em emoção no Eládio de Barros Carvalho. Final: Náutico 1×0 Sport.”

Segue os números do hexa campeonato consecutivo (como disse anteriormente, ainda inédito):

Campanha do hexa (1963-1968)
140 jogos
100 vitórias (71,4%)
24 empates (17,1%)
16 derrotas (11,4%)
368 gols marcados (média de 2,62)
106 gols sofridos (média de 0,75)
+262 de saldo
Campanha ano a ano
1963 – 27 jogos; 18V, 3E e 6D; 70 GP e 32 GC, +38
1964 – 24 jogos; 19V, 5E e 0D; 80 GP e 20 GC, +60
1965 – 24 jogos; 16V, 4E e 4D; 64 GP e 17 GC, +47
1966 – 27 jogos; 20V, 4E e 3D; 72 GP e 17 GC, +55
1967 – 16 jogos; 11V, 5E e 0D; 31 GP e 6 GC, +25
1968 – 22 jogos; 16V, 3E e 3D; 51 GP e 14 GC, +37

Naquele ano em que perdemos Martin Luther King, o Náutico ainda iria terminar a Taça Brasil em quarto lugar.

O aproveitamento estadual, as excelentes campanhas nacionais e os êxitos conseguidos regionalmente não deixam mentir: o Náutico foi a primeira e principal equipe pernambucana a ter a glória e reconhecimento como um dos maiores clubes do Brasil. Podemos dizer que foi essa glória que abriu o caminho para a década de ouro do Santa Cruz. (com texto meu nesse blog relatando sobre) e posteriormente do Sport.

O fato é que a equipe de Bita, Lala e Gena, marcou uma época que emociona até seus mais recentes torcedores. Sua luta foi recompensada com a glória eterna do esporte bretão: um lugar entre os clubes mais tradicionais do país do futebol.

Postado por Roberty Vieira 22 anos. Pernambucano. Estudante de filosofia e apaixonado por futebol, estatísticas e história. A melhor analise de um fato é procurar entender o seu antes e projetar o seu depois. Twitter: @robertyvsantos