O passado e o presente de um zagueiro de futuro – Gabriel
2 de junho de 2017
Categoria: Entrevistas

 

Como todo garoto, a praia dele não era marcar. Jogando mais a frente, o jogador já dava seus primeiros passos na carreira no modesto Nova Esperança. Foi em um jogo pela equipe, em Sete Lagoas, que seu treinador mudou o rumo de sua vida. Na comum falta de um nome para a zaga, o comandante recuou Gabriel. Com o bom rendimento, passou a jogar assim sempre. Até os dias de hoje, estando entre os titulares do sistema defensivo do Atlético Mineiro.

Apesar da excelente fase atual, alguns questionavam o futuro do zagueiro por conta de sua altura. Com 1,81m, estatura considerada baixa para defensores, Gabriel teve de lidar com essa desconfiança em seu início, mas tirou de letra, compensando com posicionamento e impulso, como alguns de seus ídolos.

“Eu não tenho problema algum quanto a estatura. Minhas referências no futebol são grandes zagueiros e que não eram destaques por serem altos, mas sim pela técnica e pela vontade dentro de campo. Admiro muito as carreiras do Puyol e do Cannavaro e nenhum dos dois era alto. Então, isso não me atrapalha. Trabalho forte para melhorar cada dia mais dentro de campo e ajudar minha equipe”

Gabriel ganha cada vez mais confiança no Galo.

Querido por todos em Matozinhos, cidade onde cresceu, Gabriel também conquistou a torcida do Galo. Mas não são só os torcedores que admiram o futebol do zagueiro de 22 anos. Quem também está de olho no seu desenvolvimento é o técnico Tite, que recentemente o elogiou, comparando-o com Marquinhos, do Paris Saint Germain.

“Tudo que vem acontecendo é fruto de muito trabalho e das bençãos de Deus na minha vida. Isso só me motiva cada dia mais, pois sei o tanto que minha família fez e ainda para que eu possa realizar meu sonho. Receber um elogio do técnico da seleção é sempre muito bom. Mas tenho que continuar trabalhando forte aqui no Atlético, fazendo bons jogos para melhorar cada dia mais”

Até aqui, o zagueiro vem correspondendo às expectativas. Entre os jogadores de 23 anos ou menos, Gabriel é o de melhor média no início do Campeonato Brasileiro, com 7,38 no whoscored, tendo disputado as três partidas do torneio. Esse alto nível de atuação deve, em breve, chamar a atenção de times europeus. O jogador, no entanto, ainda não pensa em seguir os passos de Jemerson, com quem tem sido bastante comparado em Minas. Apesar de deixar de lado por enquanto, o sonho mesmo é ir para direções diferentes de seu antecessor.

“Eu estou focado no Atlético. Penso exclusivamente em ajudar o Galo. Quero continuar trabalhando aqui e, se Deus abençoar, um dia ir para a Europa, mas só depois de conquistar títulos no Atlético. Gosto muito do futebol inglês, sonho em um dia poder atuar no campeonato de lá, que é muito competitivo”

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Sua evolução tem ampla ligação com seus comandantes, assim como sua ida para a zaga, lá no início da carreira. Agora treinado por Roger Machado, o zagueiro valoriza o trabalho do técnico, que faz parte de uma nova safra interessante de profissionais do Brasil, com ideias táticas mais modernas e atualizadas.

“O Roger é um treinador muito moderno que estudou muito para isso. Ele trouxe algo muito importante para nosso grupo, como a compactação do time e várias movimentações, além da aproximação do companheiro que está com a bola. O futebol exige você atacar com todos os jogadores e defender com todos. Com sua linha defensiva estando avançada, você gera superioridade numérica em vários setores do campo, por isso é muito importante as linhas estarem bem próximas”

Acostumando-se aos poucos a enfrentar grandes jogadores, Gabriel se sente privilegiado pelos companheiros de Galo. Além de rasgar elogios a algumas figuras que dividem vestiário com ele, como Fred e Robinho, por exemplo, o defensor destaca alguns dos mais difíceis adversários que já teve de marcar.

“É muito bom trabalhar com jogadores que são referência no futebol. Admiro muito meus companheiros de Atlético. Tiveram dois jogadores que foram complicados para marcar que foram o próprio Fred e o Guerrero, do Flamengo”

Agora companheiro de Fred, Gabriel aponta atacante como o mais difícil que já enfrentou. Foto: Bruno Cantini / Atlético

Elogiado por Tite e nas graças da torcida do Atlético, Gabriel evolui dia após dia. Com apenas 22 anos, já pensa em seleção, títulos com o Galo e uma futura ida a Europa, seguindo os passos de Jemerson, outro zagueiro revelado pelos mineiros. Se antes da mudança de posição em Sete Lagoas era impossível prever o que seria da carreira do defensor, hoje podemos afirmar que a possibilidade de grandes conquistas é o mais óbvio a acontecer. Dessa vez, sem troca de posição.

“Eu agradeço o espaço. Deixo um abraço para a Massa do Galo e falo mais uma vez que trabalho não vai faltar. Busco sempre evoluir e estou extremamente focado apenas no Atlético”

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.