O “glamour” da décima divisão inglesa – George Booth
26 de fevereiro de 2016
Categoria: Entrevistas

As piadas são inevitáveis. Muito por conta delas tenhamos uma fanpage brasileira do Cheddar FC, time que disputa a Toolstation Western League, ou simplesmente, a décima divisão inglesa. Do nome ao antigo escudo, da pequena cidade ao simpático estádio. Tudo chama atenção no minúsculo clube inglês.

Vamos começar falando da cidade sede, homônima desse simpático time. Cheddar é um pequeno vilarejo inglês, com população aproximada de seis mil pessoas. Algo considerado minúsculo na realidade brasileira. Apesar do pequeno tamanho, a vila não deixa de ser atrativa, e os lindos desfiladeiros de “Cheddar Gorge” não nos deixam mentir. É uma paisagem única. Assim como o time de futebol da cidade.

A bela paisagem formada pelos desfiladeiros.

O Cheddar AFC foi fundado em 1892 e nunca teve grandes aspirações. Disputar campeonatos locais e regionais sempre foi o grande objetivo, e até hoje segue sendo feito, com um pouco mais de ambição. Com capacidade para 600 pessoas, o Bowdens Park recebe as partidas do anfitrião de maneira única. O estádio, se é que pode ser chamado assim, mal tem arquibancadas e quem vai ver uma partida fica muito próximo dos jogadores. Os embates do “Cheesemen” não costumam lotar, mas entre 50 e 200 pessoas tem o hábito de acompanhar de perto o time do vilarejo.

Estádio em dia de bom público (228) pagantes. Resultado: 3-3 contra o Wells City. 

Apoiados pela torcida, a equipe vem rendendo mais que o esperado e a campanha surpreendente surte efeitos na estrutura, que segundo o vendedor George Booth vem sendo bastante melhorada:

O clube cresce temporada a temporada. A estrutura está melhorando e já temos três times, o que é excelente para um vilarejo tão pequeno. A expectativa é conseguir o acesso e se firmar na liga de cima. Seria incrível termos uma boa caminhada na FA Cup.

Você deve estar se perguntando o por que de um vendedor falar assim do clube. Explicamos: Booth não vive apenas de suas vendas. Além de passar todos os seus dias atrás de clientes para compras, também treina e atua pelo clube da cidade.

O capitão em ação pelo Cheddar.

Capitão da equipe, Booth nos contou um pouco do seu estilo e em quem se inspira para atuar: “Sou meio campista central. De desarme e passe, me considero um box-to-box. Quando eu era mais novo gostava muito do Robbie Savage”.

“O futebol é o esporte nacional e por mais que não esteja na rotina de todos, eu gasto boa parte do meu tempo treinando e jogando”. Talvez essa frase, dita pelo próprio, explique muito sobre o que é atuar por clubes como o Cheddar. Amor pelo esporte e por tudo que envolve.

Como a maioria dos jogadores, Booth não se contém em apenas atuar e também aproveita seu tempo vago para assistir a partidas dos grandes times, na Champions League, principalmente. O meia conta que já enfrentou um time de primeiro escalão e brinca com o trio MSN, os comparando ao trio de ataque dos “Cheesemeen”.

Já atuei uma vez contra um chamado gigante. Foi contra o Liverpool, na FA, quando eu ainda tinha 16 anos. Nunca vou esquecer.  E eu gosto muito de assistir a Champions League e o Barcelona. O trio de ataque da equipe espanhola lembra o trio de ataque do Cheddar.

O estádio fica assim em dia de jogo.

Assim como a grande maioria dos ingleses até aqui, Booth também estranha o fato de existir um fã clube brasileiro do clube do vilarejo de Cheddar. Porém, agradeceu pelo apoio e se demonstrou muito feliz em falar com o povo daqui. E quando se fala em Brasil, se fala em futebol, então, perguntamos ao meia qual time ele conhecia e ele, mesmo com medo de errar, respondeu:

Só Deus sabe o por que de uma página do Cheddar no Brasil. Não sei se são torcedores ou se é uma brincadeira, mas é legal. Quanto a conhecer times brasileiros, não sei, estou com medo. São Paulo? “Correnthenians”? Não sei ao certo como falar.

O Cheddar é só mais um dos inúmeros exemplos de que por menor que seja a cidade, por mais engraçado que seja o nome, o estádio ou até o escudo, o futebol nos proporciona histórias, experiências e momentos. Booth é mais um dos tantos que trabalham do que podem e ainda sim acham tempo para o esporte. Apaixonados, como a gente. Que daqui do Brasil enxerga e se identifica com um clube que está longe de cair no desfiladeiro do esquecimento.

Por menor que seja a instituição, a paixão sempre é grande o suficiente para contar histórias. Esse é o futebol.

Colaborações: Saulo Castro, Guilherme Medeiros, Lucas Vasconcelos e Cheddar FC Brasil.
Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.