Ninguém sabe quando vai fazer história: a noite dos sonhos da Aparecidense – Kaio Wilker
11 de março de 2018

Jogadores colocaram seu nome na história da Aparecidense com histórica classificação.

Faltavam pouco mais de cinco minutos para o jogo acabar. O time da casa, por mais improvável que isso parecesse, mandava no jogo. A superioridade de grande parte da partida não se convertia em gols e o empate por 1 a 1 seguia dando a classificação aos visitantes. Os minutos se passando simbolizavam a chance de fazer história escapando pelos dedos. Foi aí que o atacante, do alto de seus um metro e setenta e cinco, subiu mais alto que a defesa, testou para dentro e fez o estádio explodir. Estava escrito e guardado na eternidade. O Aparecidense, da série D nacional, eliminava o gigante Botafogo.

No calor da partida, pensamos em fazer um texto sobre o tamanho do feito dos goianos. Mas esse tipo de classificação pede mais do que isso. Sendo assim, fomos buscar um dos personagens do jogo para, numa espécie de filme que começa pelo final e volta ao começo, traçarmos uma retrospectiva de como foi protagonizar este feito.

Ninguém sabe quando vai fazer história. É claro que os jogadores do Aparecidense pensavam nisso, mas a correria da temporada e dos treinos não deixou que o clima fosse especial em torno da partida contra o Botafogo. É isso que conta o meia Kaio Wilker, de 23 anos. O calendário apertado nem permitiu que treinos mais específicos fossem feitos. O jogo histórico começou com clima de duelo comum.

“Vínhamos de um empate. Desempenhamos um bom futebol mas o resultado não veio. Mesmo com o clima de lamentação, imaginando que podíamos ter vencido, mudamos a chave para a Copa do Brasil. Era um jogo só, muito importante e muito grande pelo adversário. Mas nos preparamos de modo normal. Há sempre uma ansiedade de jogar contra uma equipe grande. Mas fomos cientes que a obrigação era do Botafogo, por isso não tínhamos esse peso, essa carga”, relembra.

Time treinou normalmente para duelo pela Copa do Brasil.

Com pouco tempo para treinar, o time se concentrou na segunda-feira, véspera da partida. Vindo de lesão, Kaio Wilker tinha duas motivações para a partida. Além de enfrentar um dos times mais tradicionais do Brasil, em um competição grande, ele contava os minutos para voltar a fazer o que mais ama. Recuperado, o meia sabia que ia entrar em campo, mas não fazia ideia do que ia vivenciar naquela terça-feira, dia 6 de fevereiro.

“Estava muito motivado, mas em paz, bastante tranquilo. Porque a equipe vinha bem, desempenhando um bom futebol. Por isso eu sabia que, entrando no jogo, eu podia contribuir e ajudar”, comentou.

E foi exatamente o que aconteceu. Mas calma, já chegamos lá. A hora do duelo se aproximava e, mesmo sem cobrança, a torcida confiava em uma classificação. O bom futebol mostrado no futebol sustentava a esperança de, horas mais tarde, fazer história. O clima de otimismo, obviamente, chegou ao vestiário. A conversa foi simples: atuar como a Aparecidense. Nada de se fechar ou mudar as características. “A preleção foi muito voltada para nossa equipe. Para realmente atuarmos da maneira que vínhamos fazendo. Trabalhar muito a bola, todo mundo dando opção, buscando o gol e jogando para frente“, conta.

Kaio Wilker entrou no decorrer do confronto contra o Botafogo.

A ousadia custou caro. Indo para cima, o time goiano logo tomou o primeiro gol. O que podia ser fatal acabou se transformando em combustível. Com o placar favorável, o Botafogo diminuiu o ritmo e viu os mandantes tomarem o controle do jogo. A partir daí, o clima no Estádio Aníbal Toledo mudou. Kaio, nessa altura, ainda observava o confronto do banco. Foi dali que ele viu o experiente Nonato empatar o duelo, logo na volta do intervalo.

“Foi nessa hora que eu pensei que o jogo estava para nós. Tudo começou a ficar favorável. Porque a gente estava bem fisicamente e dominando tecnicamente desde o primeiro tempo. As oportunidades, então, foram surgindo. Entrei no jogo com 1 a 1 e eles tiveram um jogador expulso. Seguimos agredindo e conseguimos um gol“.

O gol. Já narrado no primeiro parágrafo, o tento surgiu de cruzamento de Filipe Costa para Gustavo Ramos, que apareceu na área para ganhar da defesa botafoguense no alto. Se Jefferson não conseguiu ver a bola, a torcida viu. E com certeza reviu milhares de vezes no replay. Um dos maiores gols da história do clube. Mesmo restando cinco minutos para o fim da partida, os jogadores sentiram, dentro de campo, que estavam escrevendo seus nomes na eternidade do Aparecidense e, porque não, da Copa do Brasil.

Soubemos na hora o tamanho daquele gol. A gente acreditava na vitória, mas o empate, até aquele momento, era o resultado mais natural. É sempre uma emoção fazer um gols nos minutos finais. Sentíamos que era possível, mas que a atuação era muito boa e, mesmo sem a vitória, ficaríamos orgulhosos. Com o gol parece que caiu a ficha. Aí virou uma tensão para acabar. Mesmo assim, com o Botafogo tentando ir para cima, nossa superioridade ficou ainda mais visível. Chegamos a ter a chance de marcar o terceiro gol”.

O pós-jogo trouxe para o clube uma enorme visibilidade no país. Apesar do reconhecimento nos quatro cantos do Brasil, o que ficou mesmo foi o clima da cidade, feliz com a certeza de que aquela sexta noite de fevereiro iria ficar para sempre na memória dos torcedores do clube.

“O desfecho foi muito bom, mostrou que nosso grupo está comprometido e tem condições de fazer uma boa Série D”, concluiu Kaio, que vivenciou de dentro do campo uma das grandes vitória do futebol goiano nos últimos anos.

Presente como esse so poderia ser Dele ????✝? Toda Honra e Gloria ao Senhor . @aparecidenseoficial_ 2 x 1 Botafogo … Parabéns a todos @aparecidense1985 #CopadoBrasil ✅ #Classificaçao ✅ #AlegriaeFé ✅ ??? ⚽

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Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.