Marcelo Grohe: Um goleiro azul, preto e branco
27 de setembro de 2017

Washington Alves/Reuters

Nascido em Campo Bom (Rio Grande do Sul), Marcelo Grohe tem 30 anos de idade e veste a camisa do Grêmio desde o início da sua carreira. O goleiro gaúcho entrou nas categorias de base do Tricolor em 2000, mas se profissionalizou cinco anos depois, ou seja, em 2005. Atualmente, Grohe é titular absoluto do clube desde 2012.

“A formação na base é um grande aprendizado. As experiências que temos lá são completamente diferentes das do profissional, além disso, te ajudam muito quando você alcança o grupo principal. O sacrifício é grande e as dificuldades são grandes também, mas é ali que começa a crescer a ‘casca’. Ainda tenho muitas amizades da época da base”, disse Marcelo Grohe em entrevista ao Blog 4-3-3.

Em 2005, Marcelo começou a sua carreira profissional no Grêmio como terceiro goleiro, afinal, à sua frente ainda tinha o Eduardo e o Galatto. Porém, em 2006, Grohe já era reserva imediato. Entretanto, com o arqueiro titular lesionado, Marcelo Grohe assumiu a titularidade, jogou a final do Campeonato Gaúcho contra o Internacional e passou a atuar mais vezes, fazendo rodizio com Galatto, principal guarda-meta do clube.

Na época, a diretoria do Grêmio decidiu contratar um goleiro mais experiente para disputar a posição com os mais jovens. Logo, o Tricolor Gaúcho contratou Sebastián Saja. Por isso, Marcelo continuou como reserva, mas como segundo arqueiro porque o Galatto passou a ser considerado a terceira possibilidade do treinador. Saja se lesionava e era suspenso com frequência e, de imediato, Grohe entrava para substitui-lo. Sendo assim, o jovem gaúcho assumiu a titularidade no final do ano após uma lesão muscular do goleiro argentino, que ficaria apenas um ano no clube brasileiro.

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Grohe ganhou o Campeonato Gaúcho Juniores ainda nas categorias de base do Grêmio. (Divulgação/TXT Assessoria)

Em 2008, com a saída de Galatto e Saja, tudo parecia favorável para Grohe tornar-se titular absoluto do Grêmio. Porém, a diretoria decidiu contratar Victor – atualmente no Atlético-MG. Marcelo até começou o ano como titular, mas aos poucos foi perdendo a posição até voltar a ser reserva. Naquela mesma temporada, Marcelo Grohe teve a oportunidade de jogar a Sul-Americana contra o Internacional, pois o time estava focado no Brasileirão e decidiu não utilizar a equipe no campeonato continental. Sendo assim, o guarda-meta seguiu esse ritmo até 2011.

“Nunca desanimei. Todo goleiro tem que ter persistência, pois é a única posição em que joga apenas um. Ter trabalhado com todos esses goleiros foi muito importante para a construção daquilo que sou hoje, afinal, a gente sempre aprende com os colegas”, falou Grohe.

Até a metade do ano de 2012, Marcelo seguiu na reserva. Porém, com a saída de Victor, Grohe voltou a assumir a titularidade. A primeira partida do Grêmio sem o antigo goleiro titular e com o prata da casa no gol foi contra o Atlético-MG, justamente o time que o Victor passou a defender. Naquele mesmo ano, Marcelo foi eleito diversas vezes o melhor arqueiro da rodada, o quinto melhor goleiro do Campeonato Brasileiro e conquistou o Troféu Armando Nogueira. Além disso, completou 100 jogos vestindo a camisa do Grêmio e atingiu a marca de quatro partidas seguidas sem sofrer gols.

“Todos sabem que sou gremista, então, alcançar essa marca é sempre importante. Mas, em clube grande, a gente tem que marcar com conquistas coletivas”, afirmou Marcelo.

Grohe foi homenageado pelos 100 jogos. (Reprodução Globoesporte.com)

Ainda em 2012, o Grêmio contratou um novo goleiro. O clube buscava um jogador com mais experiencia, pois iria disputar a Libertadores no ano seguinte. Sendo assim, Vanderlei Luxemburgo pediu a contratação de Dida, que jogava na Portuguesa. Logo na primeira partida do campeonato continental, em 2013, contra a LDU, Dida chocou-se com um jogador adversário, portanto, lesionou-se e foi substituído por Marcelo Grohe. O time brasileiro perdeu por 1 a 0 nesta partida, que foi disputada no Equador. Porém, o Grêmio venceu por 1 a 0 em Porto Alegre e levou a decisão para os pênaltis. Marcelo Grohe defendeu o pênalti cobrado pelo zagueiro Morante e garantiu o time gaúcho na próxima fase.

“Aquele é um momento que guardo com carinho. Era o primeiro jogo oficial da Arena e a expectativa era grande pelo time que o Grêmio montou, além disso, quando o jogo vai para os pênaltis é a oportunidade do goleiro ser decisivo também. Graças a Deus, aquela noite pude contribuir e ficar marcado na história também”, relembrou o goleiro do Grêmio.

Grohe teve noite de herói contra a LDU e foi decisivo para a classificação tricolor.

Em 2014, com a saída de Dida e com a chegada do Luiz Felipe Scolari, Marcelo Grohe assumiu a titularidade novamente. Tanto que, em outubro daquele mesmo ano, Marcelo atingiu a marca de 803 minutos sem sofrer gols no Brasileirão, tornou-se o quinto goleiro com maior série invicta em toda a história do torneio e, no final do campeonato, esse número progrediu para 819 minutos. Com isso, o goleiro foi premiado com a Bola de Prata.

“Foi marcante. Tínhamos um sistema defensivo sólido que ajudou em mais uma outra marca. Mas, o que vale mesmo é o coletivo”, analisou Grohe.

Em 2015, o goleiro gaúcho completou 200 partidas pelo Grêmio, destacou-se novamente no Campeonato Brasileiro e ganhou a Bola de Prata pelo segundo ano seguido.

“A Bola de Prata é um troféu de muita relevância no mundo do futebol. Sempre almejei conquistar o prêmio, pois ele recompensa a regularidade dentro de uma competição muito difícil como o Brasileiro. Particularmente, foi um grande ano para mim”, contou o guarda-meta gremista.

Já em 2016, Grohe foi campeão da Copa do Brasil e foi um dos protagonistas do título – quebrando o jejum do clube após 15 anos sem vencer um grande título. Marcelo foi crucial desde a entrada do Grêmio no torneio, houve falhas, mas também teve muitos acertos. O goleiro gremista foi decisivo nas oitavas de finais contra o Atlético-PR, mas a sua atuação memorável foi na final contra o Atlético-MG. Como o Grêmio conquistou a Copa do Brasil, o time se classificou para a Libertadores de 2017, onde atualmente está na semifinal.

“É o nosso ápice. O grupo iniciou um trabalho em 2015 e é merecedor de colher tudo isso. Fazer parte do título da Copa do Brasil foi inesquecível. Entramos para a história do clube e, como diz o Renato Portaluppi, o nosso pôster está na parede de milhares de gremistas”, descreveu o arqueiro.

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Conquista da Copa do Brasil de 2016. (Divulgação/Grêmio FBPA)

Marcelo Grohe foi convocado para jogar na Seleção Brasileira pela primeira vez em 2014, na época, sob comando do treinador Dunga. Sendo assim, o goleiro disputou o Superclássico das Américas de 2014 e um amistoso contra o Japão. Em 2015, foi convocado para disputar a Copa América e para jogar uma partida amistosa contra a Costa Rica. Em 2016, disputou a Copa América Centenário pelo Brasil nos Estados Unidos.

“A Seleção Brasileira é o sonho de todo jogador. Poder vestir a amarelinha é um privilégio, é onde estão os melhores. Na minha posição a concorrência é muito grande. Sou muito grato aos treinadores que me possibilitaram essas oportunidades”, afirmou o gaúcho.

O guarda-meta ganhou diversos títulos coletivos, como por exemplo: Campeonato Brasileiro Série B (2005), Campeonato Gaúcho (2006, 2007 e 2010), Copa do Brasil (2016), Copa Sendai (2005), Superclássico das Américas (2014) e entre outros. Sem contar os prêmios individuais, como: Bola de Prata (2014 e 2015), Troféu Mesa Redonda da TV Gazeta de Melhor Goleiro do Brasileirão (2014) e Troféu Armado Nogueira da Rede Globo de Melhor Goleiro do Brasileirão (2014).

“Todas as conquistas tem o seu momento e a sua importância. Já disse isso outras vezes, mas eu trocaria todas as premiações individuais por ser campeão pelo Grêmio. Por isso, a Copa do Brasil tem um significado especial”, revelou Marcelo.

Grohe renovou o seu contrato no Grêmio até 2020 com uma multa alta, sendo 50 milhões de Reais no Brasil e 50 milhões de Euros para o exterior. Em 2020, Marcelo Grohe estará com 33 anos de idade, mas o mesmo não pensa em aposentadoria e gostaria de ficar no Grêmio até o final de sua carreira.

“Não penso em aposentadoria, mas fazer toda a carreira no mesmo clube é algo especial. Aqui no Grêmio tenho o carinho do clube, dos funcionários e da torcida. Me sinto muito bem aqui e tenho muita coisa para conquistar ainda”, finalizou Marcelo Grohe em entrevista ao Blog 4-3-3.

Grohe tem tudo para encerrar sua carreira no Grêmio. O arqueiro renovou recentemente com o tricolor. Foto: Adriana Franciosi/Agencia RBS

Postado por Arthur Fernandes Arthur Fernandes é carioca, o seu hobby é o aprendizado de idiomas e dialetos, o seu objetivo é superar o máximo de expectativas impostas e torce exclusivamente para o Orlando City.