Luiz Adriano, finalmente um 9!
11 de março de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

O homem-gol. O centroavante. O artilheiro. Personagem do futebol que recebe a ingrata responsabilidade fundamental do esporte. Ser a peça que basicamente tem como missão definir lances, e assim jogos, e então campeonatos. No Palmeiras, desde 2016 a busca por esse personagem movimenta dinheiro, expectativas e decepções. No entanto, parece que essa função finalmente ganhou um dono digno. Luiz Adriano é a resposta.

O legado e as tentativas

Gabriel Jesus foi o último. Não só cumpriu sua função básica como também levou consigo diversos prêmios individuais. O craque do Brasileirão de 2016 foi responsável pela passagem de bastão mais pesada dos últimos tempos nas terras alviverdes. Sua performance o levou ao centro do mundo, à camisa 9 da seleção e uma Copa do Mundo, além de deixar um espaço vago.

De início, o suposto rei da América Miguel Angel Borja herdou de cara a 9. Em 2017, um começo promissor, um meio de altos e baixos e um fim blasé. Os 36 gols marcados pelo colombiano no verde não garantiram o amor de uma das torcidas mais difíceis do Brasil. Por isso, mesmo com participação no título brasileiro de 2018, 2020 o levou de volta para a Colômbia sem muito alarde e manifestações contrárias.

Deyverson chegou já na falta de consistência de Borja. A segunda passagem de Cuca deixou o peculiar atleta de presente para seus sucessores. A insanidade as vezes útil do carismático “Deyvin” dificultou bastante o estabelecimento de uma boa relação com a torcida. Talvez foi o principal personagem do ataque no Brasileiro de 2018, mas mesmo assim se despediu sem deixar saudades em 2020.

Vale a menção honrosa pra Willian, que quando joga de centroavante não decepciona, e é talvez o jogador mais importante de finalização do time. Porém, centroavante não é propriamente sua função. Joga muito pelos lados também.

Luiz Adriano é a solução!

(Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)

Eis que de forma até surpreendente no meio de 2019, já no final da passagem de Scolari, um ex camisa 9 da Seleção se apresenta na Barra Funda. Depois de romper seu contrato no frio da Rússia, Luiz Adriano decidiu retornar ao calor das garoas de São Paulo.

Demorou para pegar no tranco. O time já estava em clara decadência na temporada. Tanto que seu primeiro gol sai no fatídico jogo da eliminação da Libertadores para o Grêmio. Troca de treinador. Mano. Primeira sequência. Hattrick. No entanto, a disputa com mais três atacantes (Willian, Borja e Deyverson).

Aos poucos o talentoso atacante foi caindo nas graças tanto das arquibancadas quanto da mídia especializada. 2020 trouxe Luxemburgo e levou embora dois de seus concorrentes. O novo técnico deu confiança. Deu jogos. Luiz apresenta características extremamente diferentes dos outros que tentaram ocupar sua função. Sua capacidade incrível de domínio de bola e movimentação acrescentam muitas possibilidades ao time verde.

Quando esse texto foi escrito, Luiz deixou três em um jogo de Libertadores. Três gols em uma competição continental. Assim como a Champions, em que ele fez 21 durante sua passagem pela Europa.

Esperanças não faltam para o torcedor palmeirense. Será que finalmente o legado de Jesus pode ser passado a frente?

Perguntas são jogadas ao ar como lágrimas na chuva. O que é real é que agora a posição de centroavante do Palmeiras tem dono, e ele parece estar com confiança suficiente para mantê-la em boas mãos.

Postado por Igor Varejano 19 anos. Estudante de Jornalismo. Do interior de São Paulo, morando em Minas. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha. twitter.com/varejanoiu