LONGE DOS HOLOFOTES #18 – João Vitor
18 de abril de 2017

 

Com apenas seis anos, o pequeno João Vitor já sabia o que amava e sonhava alto. Não a toa, as escolinhas de futebol de Anhumas, pequeno município de São Paulo, já o viam dar seus primeiros passos no esporte. Mas ele queria mais. Por isso, as peneiras viraram rotina. Foram oito. Além dos testes em clubes que, para a infelicidade do garoto, costumavam dizer um seco “não”. Depois de algumas decepções, uma porta se abriu, mas as coisas não saíram como ele queria:

 

“Fui bem em uma peneira no Palmeiras e acabei passando. Porém, meus pais não me deixaram sair de casa por conta da pouca idade. Acharam que eu era muito novo para uma mudança tão grande. Meu avô até tentou convencê-los, mas acabou não dando certo”

 

Mesmo sem rumar ao alviverde, a peneira no clube abriu os olhos de João, afinal, em meio a mais de mil “concorrentes”, passar era um excelente sinal. Ele passou a se sentir mais perto do sonho. Viu que podia ser uma realidade. Não demorou, então, para jogar no seu primeiro clube, o Presidente Prudente FC.

 

“Três pessoas foram responsáveis pela minha ida: meu avô Antônio e meus dois professores, Rodrigo e Arthur. Joguei nas categorias de base até o primeiro ano do sub 17. Depois tive a oportunidade de defender outras equipes de São Paulo e do Paraná”

 

O zagueiro em ação pelo AD-Poiares, sua casa em Portugal.

 

Durante esse tempo, sua família sempre esteve presente, apoiando. Pelo menos a grande maioria, já que uma pequena parte sempre batia na tecla de ser uma maluquice e da necessidade de estudar. No entanto, nada que o convencesse a deixar o futebol. Seus amigos e parentes mais próximos foram o alicerce para que ele continuasse.

Seguindo seus passos no Brasil, uma oportunidade veio para mudar sua vida. Era uma proposta de Portugal. A chance que todo jovem almeja: ir para a Europa. De começo o medo de abraçar o desafio, sempre pensava em primeiro se profissionalizar para depois alçar voos tão altos. Mas resolveu ir. Tudo mudou da noite para o dia, como conta o zagueiro:

 

“Meu avô sempre brincava comigo. Me dizia que logo eu estaria na Europa. A oportunidade veio. Não só pelo meu esforço. Mas também pela força e pelo ’empurrãozinho’ de muita gente. Acreditaram em mim e devo muito a elas”

 

A mudança foi ainda maior por conta das adversidades que João vinha enfrentando no Brasil. Salários atrasados, estruturas precárias. A situação era convidativa. A desistência passou muitas vezes pela cabeça, mas o sonho e o amor pelo futebol falaram mais alto.

 

“Pensei muito em desistir. Mas me agarrei a Deus e persisti muito. Mesmo não tendo o que comer no dia a dia eu me ajoelhava e pedia muito. Graças a Deus o sonho do menino que vem do interior está se concretizando”

 

Depois de aceito o desafio, embarcou em setembro de 2015 para o maior momento de sua carreira até então. Acompanhado de Deus, como gosta de frisar, chegou a Portugal para defender o Sporting Club Ribeirense. Na bagagem: muita persistência e um grande sonho. Depois da primeira experiência, passou pelo Sport Lisboa e Marinha para, nesta temporada, juntar-se a Associação Desportiva de Poiares, em Coimbra.

 

“O clube tem uma estrutura ótima, um estádio excelente e os torcedores são espetaculares. Costumam lotar nos jogos em casa. O nível do campeonato é bom, bastante técnico e muito forte fisicamente. Disputamos o Campeonato Português Seniores – Divisão Honra. É um torneio sem favorito, cada jogo é uma história”

 

Zagueiro que faz o simples e também pode atuar como volante, João se define como um bom passador, além de destacar a sua força no jogo aéreo. Além disso, humildemente, reconhece não ser extraordinário, mas afirma com todas as letras que trabalha muito para atingir tal patamar. Fora das quatro linhas é tranquilo, sai pouco, aproveita as horas de descanso para ouvir músicas e ler a bíblia. Está focado em seguir crescendo.

A bola e João: relação de amor. Desses a primeira vista.

João Vitor é mais um dos tantos brasileiros que corre atrás da bola desde criança e toma importantes decisões diariamente para se manter no trilho de seus sonhos. Em Anhumas ou Portugal, o jogador de apenas 19 anos sempre deu seu máximo dentro e fora de campo. Agora, realiza seus sonhos dia após dia, mesmo tãop longe dos holofotes. Se depender do esforço, o veremos em breve no mais iluminado dos centros.

 

“Eu gostaria de agradecer esta oportunidade, obrigado Blog 4-3-3. Peço que continuem acompanhando o trabalho do Blog 4-3-3 para saberem mais sobre a história de vida de outros jogadores, como a minha história, um menino novo que só brinca com a sua bola. De Anhumas-SP para o mundo! Abraço a todos que me acompanham e torcem por mim , Deus abençoe grandemente. Tamo junto!”

Acompanhe o jogador em sua página oficial clicando aqui.

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.