Longe dos Holofotes #16 – Leonardo
24 de fevereiro de 2017

Apaixonado pelo futebol, Leonardo começou cedo no meio, dando seus primeiros passos nas escolinhas de futebol da sua cidade, Vila Velha. Até que em 2002, já com 15 anos, ele chegou ao time juvenil da Desportiva. No clube, não demorou muito para ganhar espaço entre os profissionais, estreando no ano seguinte. Depois de dois anos vestindo grená, equipes como Fluminense e Flamengo lhe convidaram para testes e peneiras.”Foram experiências que me fizeram crescer como pessoa e jogador até chegar o momento de partir para a Europa”, conta o atacante.

Ainda com 19 anos, Leonardo resolveu aceitar o desafio de deixar seu país e sua família para seguir o sonho de jogar no velho continente. O destino foi a Grécia, no Thrasyvoulos, da segunda divisão nacional. Com cultura e costumes totalmente diferentes, o jogador demorou um pouco a se adaptar, mas contou com a ajuda de seus empresários (gregos) para superar todas as dificuldades.

Além de toda a adaptação necessária dentro de campo, que exige muita força de vontade do atleta, fora dele as coisas também mudaram demais para o brasileiro, que conta um pouco dos principais obstáculos de inicio:


“Apesar de não ter tido nenhum grande problema extracampo, as maiores dificuldades era quando chegava a época do frio, principalmente no primeiro inverno, que eu pude sentir o frio de verdade. Mas a partir da segunda temporada eu fui me acostumando. Mesmo atrapalhando um pouco, pelo pé ficar gelado, até mesmo sem sensibilidade, fomos acostumando e superando”

Em sua nova casa, a maior dificuldade foi o frio.

No seu novo clube, uma estrutura bastante modesta não impediu a sua estrela de brilhar. Logo na primeira temporada foram inúmeros gols e uma campanha de respeito, ainda mais se tratando de uma estreia na segunda divisão nacional:

“A equipe tinha acabado de subir da terceira divisão, estava disputando a segunda divisão pela primeira vez na história. Estrutura normal, sem muita coisa, somente um campo de treinamento, onde também aconteciam os jogos. Tinha uma pequena academia, que podíamos utilizar, mas não tinha de mais. Mesmo assim, graças a Deus, na minha primeira temporada eu pude fazer dez gols e por um ponto não subimos para a primeira divisão. Para um time estreante na segunda divisão, foi uma campanha maravilhosa. Alguns anos depois a equipe conseguiu o acesso á elite”

Depois do Thrasyvoulos, Leonardo passou pelo também modesto Levadiakos, até despertar interesse no AEK, um dos maiores do país. A história do atacante com o clube, porém, começou bem antes disso, logo que chegou a Grécia:


“Jogar no AEK era um sonho que eu tinha, porque antes mesmo de assinar com o Thrasyvoulos eu treinei por 45 dias no AEK. Por algumas questões não assinamos e eu acabei não ficando por lá. Depois de finalmente fechar com eles, foram três anos no clube que eu acompanho até hoje, por notícias, por alguns amigos que jogam lá. Estou bastante feliz com o que vem acontecendo com o time. Há alguns anos caiu para a terceira divisão, mas hoje já está de volta a elite. Quando eu assinei a cobrança aumentou, até porque foi uma negociação que durou muito tempo, então a expectativa dos torcedores era bem grande”

O desencontro de sua chegada a Europa não o impediu de realizar um de seus desejos: jogar no AEK, um dos maiores da Grécia.

Com nome estabelecido na Grécia, por estar a sete anos no país, Leonardo recebeu o convite de se juntar ao Jeonbuk Hyundai, da Coréia do Sul. Agora na Ásia, a dificuldade de adaptação foi ainda maior, também por conta de uma lesão, mas, novamente, nada que o impedisse de brilhar:


“Posso dizer que da Grécia, da Coréia e agora aqui de Abu Dabi, onde estou agora no Al Jazira, foi o clube que eu mais demorei pra me adaptar. Cheguei no meio da temporada, vindo de férias do Brasil e voltando de lesão, que tinha sofrido no final da temporada europeia. Por isso, tive que fazer toda uma preparação para poder voltar a jogar. Foi dificil, o ano de 2012 foi, então, um ano de aprendizado, de poder me adaptar a cultura, estilo de treinamentos e jogos, que era bastante diferente. A partir de 2013 foi só maravilha. Tenho que agradecer a Deus por tudo que fez por mim. Dos quatro anos e meio que passei no país, só tenho lembranças boas”

Ao contrário do que encontrou em seu inicio na Europa, agora Leonardo contava com uma estrutura de primeira. Os frutos foram logo colhidos, com dois títulos nacionais e, por fim, a Championes League da Ásia, com grande participação do brasileiro, que viveu o melhor momento de sua carreira no Jeonbuk:

“O Jeonbuk tem uma estrutura fantástica. Há três anos atrás o clube inaugurou o CT, com tudo. Quartos, equipamentos de recuperação, piscina, campos. É reconhecido com um dos melhores da Ásia. Foi um investimento muito grande que a Hyundai fez no clube e nós colhemos os frutos disso. Vivi um dos melhores momentos da minha carreira. Foram quatro anos e meio de muito trabalho e eu só tenho que agradecer a Deus. O ano passado foi inesquecível para todos nós, jogadores, comissão, torcida e o povo em geral da cidade. A conquista da Champions foi marcante, onde pude ajudar a equipe de forma incrível, sendo vice artilheiro com dez gols. Minha relação com a torcida é a melhor possível. Eles tem um carinho muito grande por mim e é recíproco”

O brasileiro fez história na Coréia e caiu na graça dos torcedores.

Depois de tanto sucesso, o atacante obviamente caiu nas graças da torcida que nesse ano lotou a caixa de mensagens dele com palavras de apoio, tristeza, saudade e, acima de tudo, agradecimento. Isso por que ele aceitou uma proposta do Al-Jazira Club, dos Emirados Árabes Unidos.

“Depois de três títulos na Coréia, Deus colocou no meu caminho essa opotunidade no Al Jazira. Meu inicio de campeonato tem sido maravilhoso. Nos últimos cinco jogos eu marquei cinco gols. Já são cinco vitórias, somos os atuais líderes do campeonato, então, tem tudo acontecido da melhor maneira possível. O país é diferente, uma nova cultura, uma nova experiência e muitos aprendizados para mim”

Apesar da drástica mudança cultura e de realidades, o carinho do torcedor parece se repetir na nova casa. Afinal de contas, Leonardo foi um dos principais jogadores do continente no último ano e, junto com o Jeonbuk, bateu o maior rival do atual clube na final.

“Tenho recebido bastante carinho, nos jogos e nas ruas. Torcedores de outras equipes me param para tirar foto. O reconhecimento é muito grande, depois da Champions, ainda mais por ter sido contra um dos maiores rivais do Al Jazira, isso cresceu ainda mais. Mas isso não vai valer de nada se eu não fizer minha parte dentro de campo. Graças a Deus eu tenho correspondido, espero trabalhar cada vez mais forte e dar meu melhor para ajudara equipe no caminho das vitórias”

Com moral, Leonardo chegou muito bem no novo clube.

Mesmo sem os holofotes da mídia brasileira, o que não falta para Leonardo é prestígio no futebol. Conhecido e querido na Coréia, na Grécia e agora nos Emirados Árabes, o atacante é mais um dos exemplos de jogadores que constroem, diariamente, uma linda caminhada no meio do nosso amado esporte.

“Eu agradeço, obrigado pelo espaço. Um abraço a todos que acompanham o Blog 4-3-3. Que vocês possam continuar acompanhando para saberem de histórias como a minha, um jogador desconhecido no Brasil que graças a Deus, minha coragem e meu esforço, consegui vencer na vida e fora do Brasil. Abraço a todos que me acompanham e torcem por mim.”
Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.