Longe dos Holofotes #15 – Deyverson
10 de fevereiro de 2017

Incentivado pelo pai, que muitas vezes trocava um bom café pelas passagens para o treino, o garoto Deyverson não podia nem pensar em desistir do futebol. Por isso, ingressou ainda novo nas categorias de base do Mangaratibense. No clube da série C carioca, o atacante conseguiu certo destaque, despertando o interesse do gigante Benfica, de Portugal. No novo país, muito novo e sem a família, nem mesmo a semelhança das língua ajudou no começo. A adaptação é complicada e exigiu tempo.

“Muita gente fala que jogar em Portugal é fácil por causa do idioma. Porém, é totalmente diferente a cultura, o modo das pessoas lidarem com você, interpretação de algumas palavras. No começo foi um pouco complicado. Mas fui me acostumando e consegui me virar bastante nos três anos que fiquei lá. Foi um período de luta e dificuldade, mas tem que enfrentar para vencer. Hoje em dia posso ir pra vários países que chego sem nenhum medo”

Além de todos os desafios fora das quatro linhas, dentro delas as coisas também exigiram um certo esforço do atleta. Mesmo sem oportunidades no time principal do Benfica, a alegria de defender o time B do gigante português o motivava a aprender cada vez mais como se comportava o futebol do país. Depois disso, emprestado ao Belenense e atuando na primeira divisão nacional, as diferenças foram bastante perceptíveis, mas o brasileiro logo se adaptou ao que se pedia:

“Senti um pouco a diferença já no Benfica para o futebol que jogávamos no Brasil. Demorei um pouco para me acostumar com o que os treinadores esperavam, por que é bastante distinto o que praticam aqui na Europa. Depois de um tempo, no entanto, me adaptei e já estou acostumado ao futebol daqui”

Faltaram chances no time A do Benfica para Deyverson.

Depois de bons meses pelo Belenenses, foi emprestado ao Colônia, da Alemanha. Agora nem mais o idioma parecido ajudava. Os treinadores e companheiros pouco o entendiam, o frio castigava e era difícil até mesmo sair para jantar. Mesmo assim, seguiu trabalhando firme e conseguiu aproveitar o período no país da atual campeã do mundo:

“Foi o mais complicado até aqui. O idioma é muito difícil, além do frio que fazia por lá. Minha saída foi um treinador que falava um pouco de português. Graças a Deus algumas pessoas chegam na nossa vida para nos guiar e ajudar. Ainda encontrei vários brasileiros, como meu professor de alemão e inglês. Hoje sei falar alguma coisa e tenho grandes amigos. Foi uma fase que gostei bastante, apesar de tudo”

 

Na Alemanha, nem as dificuldades impediram Deyverson de desfrutar.

Retornando da fria aventura em terras alemãs, o brasileiro foi repassado para o Levante, da Espanha. Dessa vez, não demorou muito para que ele se adaptasse. O jogador se identificou com o estilo de jogo da Liga e logo se sentiu em casa, com um time que, segundo ele, também casava com suas preferências dentro de campo.

“Logo na primeira partida eu vi que era meu estilo de jogo. Um estilo de pressionar e lutar, coisa que o Levante também fazia. Sou umcentro avante que luta e que ajuda a equipe em todos os setores. Por isso foi fácil de entender o futebol daqui. É de bastante contra ataque e resistência física. Pro meu tipo de jogo eu vi que era a Liga ideal, então me adaptei bastante rápido”

Além da facilidade de adaptação ao futebol do país, o calor da torcida nas ruas também colaborou para que Deyverson se sentisse em casa. Sempre tirando foto com crianças e seus pais, o brasileiro tenta retribuir o máximo de carinho. “Dependemos desse apoio da torcida. O clube depende”, frisa o atleta.

 

Em casa no Alavés, o brasileiro reconhece a importância do carinho do torcedor para a equipe.

 

Sua primeira temporada na Espanha foi bastante positiva: foram nove gols em 33 jogos com o Levante, sendo um deles contra o Real Madrid, por exemplo. Porém, engana-se quem pensa que esse tento foi algo isolado. Agora no Alavés, Deyverson marcou novamente contra o Real e a cereja do bolo foi o gol da vitória do modesto clube no Camp Nou, contra o Barcelona.

“A sensação desses dois jogos foi a melhor do mundo. Poder marcar e ganhar no Camp Nou é o sonho de todos que jogam contra o Barcelona. Contra o Real também, pude fazer gols pelo Levante e pelo Alavés. Embora tenhamos perdido, foi um motivo de alegria para mim e para minha família, que estava vendo esse jogo. Além de todos meus amigos e todo mundo do meu bairro, o Santa Margarida, em Campo Grande-RJ”

Gol contra o Barcelona: sensação única.

Superadas as inúmeras dificuldades enfrentadas pela sua caminhada, o ainda jovem Deyverson quer muito mais. O brasileiro já faz parte da história do Alavés, tendo garantido o Alavés em sua primeira final de Copa do Rey, quando enfrentará o Barcelona, time que já conhece o atacante. Apesar do excelente momento, Deyverson, fã de Alan Kardec, quer mais.

“Espero coisas ainda melhores. Não digo por estar passando necessidade ou qualquer coisa, mas por querer crescer e aprender a cada dia. O melhor dia para mim vai ser quando um treinador falar que eu sou completo. Ainda falta muito para aprender aqui no futebol europeu, mas ainda vou chegar lá, para poder ser como grandes centroavantes como Luis Suarez, Ibrahimovic”

Batalhador, Deyverson seguiu os passos que seu pai quis para ele. Trabalhou e batalhou muito para chegar onde chegou e ainda quer muito mais. Agora na final da Copa do Rey, o brasileiro sonha com mais um gol para cima de um dos maiores times do mundo, dessa vez para dar o caneco ao Alavés, modesto time que defende. Mesmo longe dos holofotes midiáticos do Brasil, o atacante é mais um exemplo de carreira vitoriosa e muito interessante que contamos aqui no Blog 4-3-3.

 

“Queria primeiramente agradecer a Deus e mandar um abraço
pro meu pai, mãe, meus irmãos, meu sobrinho, minha sogra, meu sogro, meu
cunhado, a minha esposa, aos meus amigos Daniel e Marlon e todo mundo que
deseja algo bom pra mim. Desejo o dobro pra todos vocês, que Deus abençoe
todos.”
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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.