Longe dos Holofotes #13 – Fabrício Dornellas
27 de janeiro de 2017

Se nos dias de hoje o gramado é o ambiente de trabalho de Fabricio Dornellas, anos atrás as chuteiras de trava não faziam parte da sua rotina, no entanto, chamava atenção demais com seus tênis de salão. Por isso, não demorou muito para que o convite fosse feito: deixar o futsal e ir para o campo, no Flamengo. O garoto, então, aceitou prontamente, cortando caminho e deixando as costumeiras peneiras para trás.

Depois de mais de sete anos na base rubro-negra, um empréstimo para o Paraná o inseria nos profissionais, em 2008, ainda com 17 anos. No ano seguinte, mais um período longe do ninho do urubu. Dessa vez, a distância aumentava consideravelmente, o destino do zagueiro foi a Alemanha, onde permaneceu por pouco tempo no Hoffenheim. Ao contrário do que ocorreu em Curitiba, Fabrício custou a se adaptar.


“Quando fui eu ainda tinha 18, completei 19 lá. Foi mais um sonho realizado e uma experiência fantástica, mas a adaptação foi um pouco mais demorada devido a mudança radical de tudo, país, língua, futebol e alguns trabalhos diferentes. Além da doutrina, disciplina e novas regras, bem distintas do que via por aqui”

Ainda jovem, Fabrício exibia suas inúmeras conquistas na base flamenguista.

De volta ao Flamengo, um sonho realizado: foi campeão brasileiro pelo clube de formação. Porém, as coisas não saíram como ele gostaria depois disso. Foram cinco clubes num intervalo de quatro anos: Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Vasco, Vitória e Fluminense.

“Essa troca constante atrapalhou um pouco, acho que poderia ter dado sequência em alguns clubes. Infelizmente não aconteceu, mas serviu de experiência e contribuiu muito para minha maturação, tanto como jogador de futebol, quanto como homem”

De todas essas passagens, uma, em especial, tem um gosto mais amargo. A vida de Fabrício não foi fácil no Fluminense, onde a torcida acabou pegando muito no seu pé, encurtando seu período no clube.

“Acredito que fui injustiçado e crucificado por uma partida onde não fui o culpado. Acho que o fato de ter sido revelado pelo rival e ter essa marca em mim contribuiu, mas vida que segue e o futebol tem dessas coisas”

No Fluminense, o zagueiro acredita ter sido injustiçado pela torcida.

Passada a decepção nas Laranjeiras, o zagueiro, que estava no Bragantino, recebeu a oportunidade de voltar a Europa. O destino foi a Sérvia. Por lá, o zagueiro foi muito bem defendendo as cores do Partizan e teve a sequência tão desejada nos tempos de Brasil.

“Foi excelente poder voltar a Europa, particiar de uma Europa League, onde tive grandes atuações e fui muito feliz no meu cube. O Partizan é fantástico, tem uma estrutura de muita qualidade, que acrescentou muito para minha evolução. A Sérvia é um país maravilhoso, se vive muito bem por lá, apesar de todas as diferenças”

Mesmo bem na Sérvia, Fabrício aceitou um desafio ainda maior: a Tailândia. Embora tenha se adaptado ao país, extremamente peculiar e distinto do Brasil e da Sérvia, as coisas não aconteceram como ele queria.

“Foi uma grande mudança, um grande baque, tanto de cultura quanto de futebol. Infelizmente esses países ainda tem suas particularidades, onde acabei prejudicado e não consegui fazer o que fui contratado para desempenhar. Apesar de tudo, eu e minha esposa nos adaptamos muito bem ao país. É lindo e muito gostoso de se viver”

Sem poder desenvolver seu trabalho no Muang Thong Utd, o brasileiro abraçou outra oportunidade na Europa, dessa vez na Romênia. O país, muito aconchegante, é a atual casa do zagueiro, importante para o Astra Giurgiu, que briga pelo campeonato nacional e está classificado para a próxima fase da Europa League.

Mesmo enfrentando um forte West Ham nos playoffs, o Astra chegou na Uefa Europa League e passou em segundo do seu grupo.

Apesar de já ter passado por inúmeros grandes times, Fabrício chega ao seu auge bem Longe dos Holofotes. Com tanta bagagem de uma carreira longa, embora ainda jovem, o jogador agora está mais confiante e experiente, desenvolvendo seu futebol da melhor maneira possível.

“Estou no ápice de minha carreira. Tenho maturidade e rodagem, o que faz muita diferença no desempenho. Acredito que posso ir ainda mais além e, se Deus quiser, galgar desafios e escrever histórias ainda maiores”

De passagens por Palmeiras, Flamengo, Fluminense e outros grandes do cenário nacional, o zagueiro é prova de que viver o futebol vai muito além dos holofotes. Agora na Romênia, bem longe da grande mídia nacional, Fabrício escreve lindos capítulos para a sua longa história no meio de futebol.


“Queria agradecer a oportunidade de contar um pouco da minha carreira. Agradeço as pessoas que acompanham e acreditam no meu trabalho, desejo tudo de positivo e espero trazer mais vitórias e alegrias para a gente. Um grande abraço!”

Avatar
Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.