Longe dos Holofotes #11 – Anderson Lopes
9 de janeiro de 2017

Após dificuldades de adaptação às diversas mudanças (climáticas e táticas), Anderson Lopes, atual atacante do Sanfrecce Hiroshima, superou as adversidades e, finalmente, se sente em casa em seu novo país: o Japão. Tanto, que sequer pensa em retornar ao Brasil. O jogador, ex-Atlético Paranaense, resolveu entrar de cabeça no desafiador futebol asiático e sua dedicação tem rendido bons frutos. No entanto, não há que se começar essa história pelo fim. Falemos, então, do início da carreira do talentoso atacante, que é permeada por transições, oscilações e, sobretudo, superações.

Apaixonado por futebol desde cedo, começou a treinar na escolinha do Sport ainda muito novo. Porém, foi num campeonato do Coque, seu bairro em Recife, que a primeira grande oportunidade surgiu. Walter, que a época atuava pelo Internacional de Porto Alegre e hoje defende o Goiás, foi quem possibilitou a mudança:

“Walter estava de férias do Internacional e me viu jogar aquele campeonato. Ele gostou e disse que iria me levar embora. Minha família foi fundamental, pois sempre me apoiou”

Foi então que o garoto trocou o calor de Pernambuco pelo frio do Rio Grande do Sul e, ainda com 14 anos, começou a compreender que, para alcançar o sonho de uma carreira profissional, alguns sacrifícios eram necessários. A adaptação foi difícil e, para ganhar confiança, Anderson passou pelo São José antes de chegar de fato ao Internacional. O período foi fundamental para que ele adquirisse experiência, afinal, jogava em uma categoria três anos mais velha do que a dele.

Uma vez no Colorado, as poucas oportunidades dadas ao jogador fizeram com que tomasse a decisão de rumar ao estado vizinho, Santa Catarina. O período no futebol gaúcho fez com que Anderson chegasse ao Avaí muito seguro de seu futebol, embora ainda sentisse o medo natural da transição para o profissional.

Foi na segunda passagem pelo clube catarinense que Anderson realmente se destacou.

Apesar da válida experiência, não demorou para a capital dar lugar a cidade interiorana de Itajaí, onde atuou no Marcílio Dias, time que atualmente disputa a segunda divisão do estadual. No clube ele ganhou muitas oportunidades e levou a gratidão que carrega até hoje:

“Eu só tenho a agradecer ao Marcilio Dias. Foi um time que abriu as portas para mim. Confiou em mim. Espero ver eles na primeira divisão catarinense. Estou torcendo mesmo de longe”

Devido à boa temporada no interior, o atacante retornou ao Avaí, onde enfim veio o reconhecimento. Mesmo fazendo parte de um elenco que foi rebaixado, Anderson conseguiu destaque na Serie A de 2015. Gols importantes, grandes jogadas e muita influência na equipe marcaram a temporada do ponta forte, de bom chute, que chamava a atenção na Ressacada.

As boas atuações lhe renderam mais um salto na carreira. O destino dessa vez foi o Atlético Paranaense, onde, segundo ele, poderia ter rendido mais não fossem os poucos meses em Curitiba, as atuações sem destaque e a oportunidade de deixar o Brasil.

“Foi uma experiência muito boa no Atlético também. É um clube sensacional, estrutura de primeira, nos dá toda qualidade de trabalho e profissionalismo. Tenho minha autocrítica que poderia ter rendido mais. Deixei a desejar um pouco”

No Atlético, poucas oportunidades.

Como as coisas não corriam como esperado no rubro negro, a proposta do Sanfrecce Hiroshima foi imediatamente aceita pelo brasileiro. A vontade de ir para o Japão foi, ainda, reforçada pelos conselhos do ex-companheiro Pablo, que já atuou no país, quando defendeu o Cerezo Osaka.

“Quando meus empresários me falaram do Japão e do Sanfrecce, não pensei duas vezes. Não vinha tendo oportunidades no Atlético, por isso acredito que sai no momento certo. Antes de sair falei com o Pablo, que jogou o Cerezo Osaka. Ele disse que eu iria gostar do Japão, da cidade e de tudo que envolvia o país. Além disso, me falou que o meu estilo de jogo e o estilo deles aqui iam casar bem”


Apesar das dificuldades de adaptação dentro e fora dos gramados, as coisas correm bem para Anderson, que teve seu contrato renovado até o final de 2017. Segundo o brasileiro, o futebol do país asiático é muito forte e exige muito preparo por ser bastante coletivo.

“O futebol japonês não tem muito diferença do Brasil. Somos diferenciados em algumas coisas, porém a J-League é muito forte. Temos que estar sempre bem condicionados, todo mundo tem que marcar e jogar juntos. O Kashima Antelrs fez jogo duro com o Real Madrid”

No Japão, o brasileiro vai bem, tendo, inclusive, seu contrato renovado recentemente.

Apesar de estar há pouco tempo fora do país, Anderson Lopes é um grande exemplo de como a carreira no futebol pode ser inconstante, imprevisível e marcada por inúmeras mudanças. Cabe ao jogador saber lidar com as adversidades e superar as dificuldades sem se deixar abater. Hoje, com 23 anos, Anderson aprendeu que o amor pela profissão é maior que qualquer obstáculo e que se os holofotes brilham menos em terras tupiniquins, vale a pena buscá-los, nem que seja do outro lado do mundo.

 
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Colaboração: Camila Queiroz.
Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.