Longe dos Holofotes #10 – Paulo Martins
20 de dezembro de 2016
Foto: RV Sports.
Ainda jovem, o atacante Paulo Martins se mostrou um bom
goleiro na categoria que treinava antes da sua. Dali pra frente, ele deixou de
marcar gols para evita-los, participando, inclusive, de alguns torneios de
baixo das metas. No entanto, o que já parecia uma confusão, teve outra
reviravolta: ele se descobriu na zaga.
Não bastassem essas mudanças de função no inicio de sua
trajetória, outras complicações ainda se fizeram presente. A falta de
oportunidades nos clubes do país incomodou e não fosse o apoio da família,
Paulo não teria chegado aonde chegou. Se financeiramente as coisas eram
complicadas, motivação nunca faltou da parte deles.
Como grande parte dos jogadores que surgem por aqui, o
jogador passou por vários clubes de pouca expressão, tendo dificuldade para se
firmar e de fato realizar um trabalho contínuo. O zagueiro defendeu o Poções,
na Bahia, o Formiga e o Coimbra, em Minas Gerais e, por fim, o Serrano, do Rio
de Janeiro. Nesses clubes, a realidade mais dura da vida do jogador brasileiro:
a falta de estrutura e os salários constantemente atrasado.
“Era muito complicado, a situação era muito difícil nessa
época, as condições não eram adequadas e salários atrasados constantemente.”
As coisas mudaram em 2013, quando um amigo, que jogava na
China, o indicou. As esperanças depositadas na possível chance foram poucas,
mas um telefonema confirmou a oportunidade. Os chineses gostaram do que viram
de Paulo e o queriam lá imediatamente. Como era de se esperar, o zagueiro não
pensou duas vezes e partiu rumo à aventura que se estende até hoje pela Ásia.
“Adaptação foi bem complicado pela cultura, língua e o dia a
dia em geral. Não tinha um salário bom que pudesse levar minha família e estar
lá sozinho dificultou ainda mais esse processo.”
De começo, Paulo não acreditava na oportunidade, mas acabou fazendo história na China.
Por lá, mais especificamente no Macau, Paulo fez história.
Foram 14 jogos invictos e um título que não vinha há sete anos para o Monte
Carlo, clube que, segundo ele, tinha boa estrutura e pagava em dia, o
suficiente para trabalhar com muito mais tranquilidade do que costumava em sua
terra natal.
As boas atuações abriram uma porta interessantíssima para o
jogador: defender a seleção de Timor Leste. A oportunidade veio por meio do
técnico do país, que também era brasileiro.
“Me apresentaram um projeto de reestruturação do país
através do esporte e isso me cativou. Ninguém acreditava em nossa seleção por
vários motivos e fizemos história classificando Timor para as Eliminatórias da
Copa 2018, algo inédito, até então. Fiz 16 jogos pela seleção e acredito ter
virado ídolo lá.”
Depois da passagem pela China, Paulo retornou rapidamente ao
Brasil, onde ficou por um período curto no Itaboraí, do Rio de Janeiro. Bastou
a janela asiática reabrir para que ele voltasse para um novo desafio. Dessa
vez, o destino foi Dubai, onde encontrou estrutura elogiável e teve o
privilégio de enfrentar vários jogadores brasileiros.
“A oportunidade em Dubai foi muito boa, é uma liga que
cresce a cada dia, tanto em visibilidade como tecnicamente. Tive a oportunidade
de jogar contra jogadores de nome no Brasil como: Everton Ribeiro, Caio (ex-Inter),
Léo Lima, Mauricio Ramos, Marion, Ederson (atualmente no Vasco), entre outros.
A estrutura lá é sem comentários, algo indescritível (risos). Foi uma
realização poder viver essa experiência.”
Depois desse período maravilhoso em Dubai, veio o período
mais difícil da carreira de Paulo: sua passagem na Tailândia. Embora tenha
encontrado um bonito lugar e uma liga competitiva, uma lesão séria no joelho o
obrigou a voltar para o Brasil, visando o tratamento da mesma. Com isso, atuou
pouco no país.
Na Tailândia, uma lesão o obrigou a voltar ao Brasil.
O próximo passo foi a Indonésia, onde ficou por pouco tempo
até rumar ao Omã, onde joga atualmente. A intenção do brasileiro em ir ao país é
colaborar com o desenvolvimento do esporte por lá.
“Aqui em Omã eu vim para tentar ajudar o País na evolução do
futebol, a estrutura ainda é limitada, o futebol ainda tem muito a evoluir e eu
espero colaborar para que isso aconteça. Atualmente meu time está disputando o
campeonato do País, estamos em primeiro na nossa chave e estou tento a
oportunidade de jogar com regularidade, sendo o capitão do time”
A boa fase no clube não vem se repetindo na equipe nacional,
isso por que ele ficou um período fora por conta de lesão e Timor Leste não
está mais disputando as Eliminatórias. O brasileiro espera voltar em breve às
listas de convocação de sua seleção.
Paulo defendendo o Ahli Sidab, seu atual clube, no Omã.
Apesar das adversidades, a carreira exótica do zagueiro é recheada
de desafios e realizações. Das dificuldades da Tailândia a excelência de Dubai,
o que nunca faltou para ele foi à vontade de jogar futebol, nos clubes ou na
modesta seleção de Timor Leste. Além dos êxitos individuais, fazer parte da
evolução do esporte em países de menor apelo no meio é uma enorme vitória.
Estando perto ou longe dos holofotes, Paulo Martins é um vencedor.

“Que todos os jovens que tem sonhos, dentro do esporte e
também na vida, nunca desistam. Lutem e trabalhem com muita humildade, coloquem
Deus na frente e vocês poderão chegar onde almejam. Agradeço ao Blog 4-3-3 pela
oportunidade de falar da minha carreira e espero um dia voltar a falar com
vocês atuando por um clube competitivo aí do Brasil. Até breve!”
Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.