Longe dos Holofotes #09 – Arghus
14 de dezembro de 2016
Tratando de futebol, o inicio de carreira nunca é algo
fácil. Arghus que o diga. O zagueiro, hoje no Excelsior, da Holanda, chegou a
cogitar a possibilidade de desistir de seu maior sonho: jogar bola.
No entanto, apesar de todos os percalços enfrentados, a perseverança
e força de vontade sobressaíram. Aos 17 anos foi aprovado em uma peneira do
Atlético Paranaense, onde, dentre centenas de garotos, foi o único selecionado.
Desse modo, passou a residir em Curitiba, onde ficou por um ano usufruindo
de uma estrutura fantástica para trabalhar.
Após a ótima passagem pela capital paranaense, o jogador
sentiu necessidade de respirar novos ares e dar continuidade a sua trajetória,
rumando, assim, para o Rio Grande do Sul, onde fez uma excelente temporada pelo
time B do Juventude, despertando interesse do Reggina, da Itália. Arghus
aprendeu muito em terras europeias, porém, uma lesão grave de ligamento acabou
atrapalhando o percurso do zagueiro. Com isso, acabou retornando ao Brasil para
se tratar, com a promessa de que retornaria a terra da bota assim que se
recuperasse. Não foi bem assim:
“Aprendi muito como jogador, tática e cultura. Fiquei
emprestado por um ano, me lesionei e me mandaram de volta ao Juventude para
tratar meu joelho e posteriormente retornar para lá, contudo, não fizeram a
opção de compra, nem mesmo me deram uma satisfação e acabei operando meu
menisco e retornando aos juniores do Juventude, com o qual ainda havia
contrato.”
Mesmo sem contar com o apoio dos italianos, recuperou-se
rápido no Juventude e logo assumiu a faixa de capitão da equipe que ficou em
terceiro lugar do Gauchão sub-20. Após a boa campanha, o zagueiro foi promovido
ao time principal e deu inicio a sua carreira como atleta profissional. No
entanto, mais uma vez, as coisas não correram como ele esperava.

“Não foi como gostaria, fui pouco aproveitado e comecei a
rodar pelo Brasil por times de menor expressão. Até que, em 2010, fui para o
River Plate, de Sergipe. Lá fui bicampeão estadual e fui observado por um manager,
que me levou ao NK Maribor.”
No River, os primeiros títulos e proposta da Europa. Começava a sua história fora do país.
Finalmente, no ano de 2011, a história de Arghus começou
para valer na Europa. E esse início não poderia ter sido melhor. Na equipe
eslovena, o zagueiro recebeu oportunidades de imediato e o gol na estreia já
dava bons sinais do que seria sua passagem pelo país.

“Na minha estreia fiz um gol e sabia que seria um bom ano,
mas não sabia que seria tão maravilhosa minha trajetória nesse clube. Joguei
três Ligas Europas e uma Champions League. Estou na história do clube com 9 títulos
em 4 anos. Tenho um enorme respeito pelo clube, está no meu coração em com
certeza, por tudo que fiz e conquistei por lá acho que foi meu ápice até
então.“
Arghus com um caneco. No período em que esteve no Maribor, foi rotina.
Brilhando na Eslovênia, era impossível não aguardar por
oportunidades em centros de maior destaque. A primeira proposta foi do Braga,
de Portugal, que lhe abriu as portas para mais um desafio. Em que pese a
passagem pouco memorável pelo clube, devido às raras escalações, ela foi
importante na preparação para sua grande chance: jogar no Excelcior, da
Holanda.

 “Aceitei esse desafio
para ter mais oportunidades em campo e voltar a estar em evidência. O clube fez
um grande esforço para me trazer e eu sinto o carinho que mostram por mim diariamente.”
As poucas oportunidades no Braga o motivaram a ir em busca de outro desafio.
O carinho demonstrado por clube e torcida, tão importantes
para o zagueiro, tornaram-se seu esteio diante das adversidades vividas
atualmente. Arghus, que contundiu-se seriamente ainda nos primeiros jogos pelo
Excelcior, afirma que todo o apoio que tem recebido é primordial na sua
recuperação.
Contando com o amparo do time holandês e sua torcida, o
jogador vem se esforçando para retornar aos gramados. Entretanto, nega qualquer
intenção em retornar aos nossos, pelo menos por agora. Voltar a jogar no Brasil
ainda não é um objetivo na lista do zagueiro, que gosta muito do continente
europeu e só pensa em se destacar por lá.
“Voltar para o Brasil sempre é muito delicado de se
falar,pois eu sempre tive sonhos de jogar uma Libertadores e um Brasileirão por
um grande clube. Porém, me sinto muito feliz na Europa, realizado com tudo o
que construí e conquistei. Nada foi fácil para mim até agora, nunca tive medo
de encarar os desafios e sei que ainda voltarei a brilhar.
O zagueiro brasileiro viu no Excelsior a chance de voltar a ter sequência entre os titulares.
Se a atual batalha de Arghus é recuperar a forma física, sua
grande luta sempre foi pelo seu sonho. Por vezes as dificuldades o assustaram,
mas ele nunca desistiu. A carreira de jogador de futebol não é fácil e isso
todos nós sabemos. É preciso ter força para não esmorecer e fé para prosseguir,
apesar dos obstáculos. E de superar obstáculos o zagueiro entende. Longe ou
perto dos holofotes, Arghus, de 28 anos, realizou seu sonho: conseguiu seu lugar ao sol.
“Minha mensagem é de
perseverança, nunca devemos desistir dos nossos sonhos, por mais difíceis e
distantes que pareçam.”
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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.