Longe dos Holofotes #08 – William Schuster
10 de dezembro de 2016

Desde cedo William já sabia o que queria: ser jogador de
futebol. Sabendo dessa vontade, sua família sempre o apoiou e um de seus tios o
colocou na escolinha do Grêmio, quando o garoto ainda tinha 10 anos de idade. Assim
como a vontade de jogar bola não demorou a aparecer em sua vida, uma chance na
base do tricolor também veio rápido, afinal, naquele mesmo ano, depois de
observações de olheiros, ele já fazia parte da equipe.

Após anos na base do Grêmio, William passou por um pequeno
período de intercâmbio no Porto, de Portugal, porém, acabou retornando ao
Brasil, dessa vez para o Vitória da Bahia, onde ficou dos 17 aos 18 anos. No
entanto, as mudanças não pararam de acontecer na vida do jogador e com 19 anos
veio a oportunidade de rumar ao Paraguai, onde foi defender as cores do 3 de
Febrero.

No país vizinho foram sete temporadas, passando por
Independiente FBC, Sportivo Luqueño, 12 de Octobre e Guaraní, onde disputou a
Libertadores de 2009, ainda com 21 anos, uma experiência única e extremamente
enriquecedora profissionalmente e pessoalmente, segundo o jogador.  Além do Paraguai, William teve uma rápida
passagem pelo Petare FC, da Venezuela, onde, apesar do nível mais baixo, também
aprendeu muito.

“O Paraguai me ensinou muito do que eu sou hoje como
jogador. É um futebol de muita dinâmica e intensidade. Minhas características
são bem parecidas com isso.”

William no Independiente, do Paraguai. Uma importante escola para sua carreira.

A chance de voltar ao Brasil veio em 2015, quando Roger
Machado, então técnico do Novo Hamburgo, consultou seu ex-companheiro Arce e
recebeu grandes referências do meio brasileiro. Veio, então, o telefonema e o
convite para disputar o campeonato gaúcho de 2015. William aceitou o promissor
projeto do clube, que contava com outros nomes conhecidos como Leandrão, Magrão
e Bolivar.

No retorno ao país, sua equipe fez boa campanha no
campeonato estadual, caindo nas quartas de final, nos pênaltis, diante do
Grêmio. E foi justamente o tricolor gaúcho, time onde William começou, que se
interessou pelo futebol dele na metade do ano. Novamente o convite veio por
meio de Roger Machado e, de novo, foi prontamente aceito pelo jogador.

Depois de conhecê-lo no Novo Hamburgo, Roger quis contar com William também no Grêmio.

Com a equipe brigando pelas posições de cima da tabela, as
mudanças eram poucas e o time estava fechado. Com isso, as chances não
apareciam com tanta frequência, porém, atuou em algumas oportunidades e ajudou
o tricolor a conquistar uma vaga na Libertadores. Com seu contrato de seis
meses chegando ao fim, acertou, ainda em 2015, com o Atlético-GO, que
disputaria a serie B do ano seguinte.

No Atlético Goianiense, as boas partidas chamaram atenção do Catar.

O meia encontrou todas as condições necessárias para um bom
trabalho em Goiânia, fez a pré-temporada e conseguiu grandes atuações no
primeiro turno da competição nacional. As boas partidas acabaram despertando
interesse do Al-Muaither, do Catar. A proposta que chegou era irrecusável e
William deixou o Atlético, que se tornaria campeão no final do ano.

“Era uma proposta muito boa para mim, não tinha como
recusar. Eu sempre tive vontade de conhecer, muitos jogadores brasileiros
vieram e agora que eu estou aqui consigo ver o por que de eles gostarem tanto.
Qualidade de vida muito boa, sem perigo nas ruas, pode andar com a família meia
noite na rua, uma cidade organizada.”

Vivendo uma realidade totalmente diferente e com contrato
até maio do ano que vem, Schuster vem se destacando na equipe, que,
recém-promovida, tem a manutenção na Serie A como maior objetivo. A estrutura
não deixa a desejar para os maiores do país, porém, os clubes de maior poderio
acabam contratando os melhores nomes nacionais.
No Catar, além da excelente qualidade de vida, oportunidades legais como essa: enfrentar o lendário Xavi.

Até aqui, o brasileiro é quem tem a maior distância
percorrida na liga, destacando-se pela presença em todo o campo e
voluntariedade. Nenhuma surpresa para quem conhece sua trajetória. William
percorre grandes distâncias desde o começo de sua carreira, tudo para ir atrás
de seu sonho de infância: jogar futebol. No Rio Grande do Sul, Bahia, Paraguai,
Venezuela, Goiás ou Catar, longe ou perto dos holofotes, William Schuster é
mais um dos sonhadores que constroem a sua carreira na base de muito esforço e
perseverança.


“Muito obrigado a todos que
torcem por mim, recebo muitas mensagens nas redes sociais. Torcedores do
Grêmio, do Atlético, que pedem pra eu voltar. Agradecer minha família e a vocês
pelo espaço e pela oportunidade de estar fazendo parte aí do site. Valeu, um
grande abraço!”
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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.