Longe dos Holofotes #06 – Cauê
8 de novembro de 2016

Como muitos garotos do Brasil, Cauê Cecilio da Silva desde cedo
sonhou em jogar futebol. Mesmo com incentivo da família, seus primeiros passos
não foram nada fáceis. Tentou iniciar a carreira em vários clubes, mas demorou
a se firmar em um. Tentou em Corinthians, São Paulo, Santos, América Mineiro e
muitos outros, porém, foi perto de casa, no Santo André, que tudo começou. O
volante ficou, então, dos 16 aos 20 anos no Ramalhão, onde foi promovido ao
profissional ainda com 17, mas atuou apenas uma vez.

Cansado de não receber oportunidades mesmo sendo um dos
destaques da base do clube do interior paulista, Cauê não pensou duas vezes
quando recebeu sua primeira proposta do exterior. Rumou então ao Leixões, de
Portugal, onde, enfim, começou a receber mais chances entre os profissionais.
Mesmo assim, a adaptação foi difícil. Apesar do idioma facilitar no aspecto extracampo,
dentro dele era preciso evoluir demais e se adaptar ao estilo de jogo da
Europa. Após duas temporadas no Leixões, foi contratado pelo Olhanense, também
de Portugal, onde foi titular durante toda a temporada, marcando cinco gols.
Cauê em visita ao Santo André, seu primeiro clube.
Depois disso, já com 23 anos, o volante brasileiro teve uma
grande mudança na sua carreira: o Vaslui, da Romênia. A realidade muito
diferente, principalmente no modo de gerenciamento e de como vivem o futebol,
dificultou um pouco na adaptação. Para ele, essa mudança na forma de gerenciar
os treinos e o clube foram o fator mais complicado.
“Lá, país de
influências soviéticas, a forma de gerenciar o futebol é bem complicada e
diferente. Para se adaptar, é preciso muita força mental”      
                  
Apesar das dificuldades, Cauê valoriza muito a sua passagem
pelo bem estruturado clube romeno. Afinal, ele pode notar uma enorme evolução
em dois sentidos: financeiro e técnico.
Apesar de difícil, o período na Romênia foi importantíssimo para seu amadurecimento.
Se, para a grande maioria, a Romênia parece uma realidade extremamente alternativa,
nem imaginamos como é o futebol em países ainda menores. Mas volante teve
experiências ainda mais exóticas. Depois de deixar o país da região dos Balcãs,
foi atuar pelo Neftchi, do Azerbaijão. Por lá, apesar do futebol ser o primeiro
esporte do país, sentiu falta dos estádios lotados, coisa que acontecia muito
raramente. Ao contrário do que viu na temporada seguinte, quando defendeu o
Hapoel Tel Aviv, este mais conhecido por nós brasileiros. Em Israel, Cauê teve
a sensação de defender o maior do país e por isso contava com estádios lotados,
muito apoio e reconhecimento. Porém, seu período no país foi curto. Bom para
sua família, a que mais sofria com períodos de adaptação.
“A maior dificuldade é a adaptação familiar. É o grande
problema. Muitas mudanças e países tão exóticos acabam te deixando “fora caixa”
por muito tempo até se acostumar”
Na atual temporada, então, Cauê retornou a Portugal, país
onde já se sente em casa. Depois de tantos clubes, o volante, que se inspira em
jogadores de bom passe, como Toni Kroos, Modric, Yaya Touré, Busquets e Fernandinho,
chegou ao Moreirense muito mais experiente e confiante.
“Sou muito mais maduro hoje, confiante em quem eu sou e meu
trabalho. Sei o que posso fazer, aonde quero e posso chegar. Ou seja, sei meus
pontos fortes e fracos, sou experiente”    
Cauê vem muito bem no Moreirense, tendo marcado seu primeiro gol recentemente.

Peça importante da equipe, Cauê ficou de fora de apenas uma
partida na temporada, e já tem um gol marcado pelo seu novo clube. O
brasileiro, de 27 anos, fez toda a sua carreira bem longe dos grandes
holofotes, e muito por conta disso, tem tanta coisa para contar.
O gol de Cauê pelo Moreirense.
“Queria agradecer pela oportunidade de mostrar
um pouco da minha história e carreira. Espero que continuem dando espaço para
aqueles que não estão nos focos brasileiros ou mundiais, mas que também são bem-sucedidos.
Um abraço”
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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.