Longe dos Holofotes #05 – Romeu Romão
28 de agosto de 2016

Se aos 11 anos muitos garotos tem a bola como melhor amiga,
Romeu Romão vai um pouco além disso. Ainda criança, ele já morava na toca da
raposa, e corria atrás do seu maior sonho: se tornar um jogador de futebol. É
bem verdade que aqueles pequenos meninos que viviam com uma bola do lado também
vislumbravam esse destino, mas materializar a rotina de um jogador assim tão
cedo é bem diferente. Esse processo, obviamente, precisa de apoio dos
familiares, que mesmo longe tem de dar sustentação ao seu filho.

“A ajuda dos meus pais
foi essencial para a minha carreira. Fui uma criança entregue ao mundo da bola
bem cedo, com 11 anos já era independente morando no Cruzeiro Esporte Clube.
Precisava desse apoio.”

Foram quatro anos no clube celeste, até que rumasse para o
América Mineiro. Tempos depois, acabou indo para a Ponte Preta, onde se
profissionalizou e passou a ter mercado no futebol nacional. Dali para frente,
Romão passou pelas equipes “B” de Palmeiras e Inter, dois gigantes, onde acabou
não tendo oportunidades.
“Com certeza num
grande clube a estrutura que dão para você se profissionalizar é gigante.
Porém, as oportunidades na equipe principal são pequenas, justamente por eles
preferirem gastar com jogador já formado e rodado. Assim eles acham mais fácil
brigar pelo titulo do que apostando em jogador formado nas categorias de base”
Romeu, no centro inferior, passou pelo time B do Inter, mas acabou sem chances no profissional do clube.


Sem oportunidade nas grandes equipes, Romão acabou por
retornar a equipes de menor porte. Em 2013, no entanto, a primeira chance na
Europa surgiu. O destino foi a Húngria, para defender as cores do Vasas SC. Por
lá, quatro brasileiros ajudaram na adaptação, principalmente com a língua, mas
para se acostumar com frio a tarefa foi um pouco mais difícil.
“A adaptação foi
tranquila. O futebol é típico europeu, muita posse de bola e exigência tática.
Mas sobre o frio, aí sim tive dificuldade. Cheguei a treinar com -13º e muita
neve.”

Não demorou muito para que Romeu retornasse ao país natal.
Em 2014, defendeu as cores do Toledo, do Paraná, e no ano seguinte foi para o
Dom Bosco, do Mato Grosso. Regiões completamente diferentes, que cobravam adaptação
rápida. A família o acompanhava e esperava muito de seu futebol. Era hora de se
firmar.
Porém, não foi em território tupiniquim que a afirmação veio.
Ainda em 2015, mais uma oportunidade de jogar na Europa aparece, dessa vez em Malta,
pelo Valetta FC. No novo clube, recepção boa e adaptação rápida ajudaram, e
hoje Romão se sente em casa no país. O fato de ser brasileiro ajuda.
“Em qualquer lugar do
mundo as pessoas gostam de jogadores brasileiros, acredito que pela
simplicidade fora do campo e com a alegria que fazemos nosso trabalho dentro
dele. Aqui eles tocam algumas músicas brasileiras na torcida quando jogamos e
sempre acompanham o futebol do Brasil.”

Pouquíssimo conhecida por aqui, a liga nacional tem seu
valor. Se em estrutura ainda fica bastante atrás das grandes equipes do Brasil,
em questão de salários, segundo o lateral, se equipara a nossa série B. Além
disso, a valorização que dão para os estrangeiros é elogiável, deixando os
jogadores mais a vontade para desenvolver seu trabalho e mostrar seu futebol.
Porém, engana-se quem pensa que o jogar o campeonato do país
foi a maior realização de Romão. Em sua temporada de estreia, o Valletta conquistou o campeonato local e com isso conquistou uma vaga nos playoffs
da UEFA Champions League. Acabou ficando pelo caminho contra o Estrela Vermelha,
mas para o jogador, foi uma experiência única.
“Sem duvida foi uma
das melhores sensações que tive na minha carreira. Jogar com 40 mil vozes
contra e de igual pra igual não foi para qualquer um. Não conseguimos a
classificação tão sonhada para fase de grupos, mas sentimos um gostinho de fazer
um campeão da Europa ter que se preocupar com a gente.”
Romão representando as cores verde e amarela na festa do título nacional em Malta.


Hoje com 26 anos, Romão ainda é aquele garoto de 11 anos que
sonhava em fazer da bola sua profissão. Se este objetivo ele já conseguiu, uma
enormidade de outros estão aí para serem alcançados. A vaga para a UCL é um
deles. Mas o principal é ser campeão nacional novamente com o Valletta, e se depender da
força de vontade do jogador, que mesmo longe dos holofotes sempre se doou o
máximo pela carreira, Malta vai ter, de novo, um campeão brasileiro.
“Queria deixar meu
muito obrigado a todos que acompanham o meu trabalho e ao 4-3-3 por essa
entrevista. Quero também prometer, se formos campeões, minha camisa autografada
por mim e todos os jogadores do Valletta FC para sortear para as pessoas que
nos acompanham, aquele abraço e obrigado.”
Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.