Longe dos Holofotes #04 – Matheus Leoni
24 de julho de 2016

Filho de jogador profissional, Leoni, nascido em Rondônia, vive no meio do futebol desde pequeno. O gosto, no entanto, veio de forma natural. Nada de pressão familiar. Acompanhar o seu pai nas partidas foi, aos poucos, o cativando. Aí o incentivo veio e as coisas começaram a acontecer já aos seis anos, quando jogar futsal passou a ser costume. Aos 13 anos as quadras ficaram para trás, vieram as chuteiras de trava e os torneios de futebol de campo começaram a aparecer.

“Tivemos um torneio no Paraná, onde viajamos 2 dias e meio de ônibus, fomos vice campeões, perdendo pro Guarani de Campinas, tiramos equipes tradicionais como o Cobreloa do Chile, foi um campeonato sul-americano da categoria. Depois nossa equipe chamou atenção de alguns clubes, e acabei indo pro PSTC, do Paraná”

Ainda garoto, ficou três anos no clube, e dali rumou para o Atlético Paranaense, por onde ficou mais dois anos e meio antes de deixar o estado e ir para o Figueirense, de Santa Catarina. Depois de passar por Florianópolis, o jogador deixou o país e foi para a Alemanha, por onde ficou por um ano, defendendo o BSV Rehden, hoje na quarta divisão do país. (Confira a matéria da ESPN comentando do período de Leoni na Alemanha clicando aqui)


“Gostei do País, super organizado, custo de vida baixo, as pessoas são um pouco fechadas, porém, fiz amizades legais no clube. Minha maior dificuldade foi o idioma mesmo, muito complicado, mas consegui me adaptar bem ao estilo deles e foi uma experiência bacana. Penso muito em voltar, até porque hoje no Brasil as coisas não estão fáceis, e como tenho cidadania Italiana, fica mais fácil de voltar, espero ter uma oportunidade em breve”


Depois das experiências na base, sua primeira chance como profissional veio no Salgueiro, em Pernambuco, sob o comando de Marcelo Chamusca, ao qual Leoni é muito grato pela oportunidade. Daí pra frente, o lateral começou a dar os seus passos no mundo do futebol.

Matheus teve suas primeiras chances no Salgueiro, de Pernambuco.

Em 2015, acabou sendo vice-campeão baiano com o Vitória da Conquista, depois de campanha surpreendente e vitória por 3-0 na partida de ida da final. No entanto, o feito acabou um pouco diminuído pelo sonoro 6-0 sofrido no jogo de volta, contra o Bahia.


“Creio que da forma que foi ficou um pouco marcada negativamente a nossa campanha, mas faz parte, futebol é assim, um dia vencemos e no outro perdemos. Poderia ter mudado muita coisa esse titulo, pelo time que tínhamos, vários atletas seriam vistos com outros olhos, mas a vida segue”


Apesar da decepção, a temporada foi muito boa para Leoni, que ficou na seleção do estadual daquele ano. E se o campeonato não veio no ano passado, em 2016, agora pelo Luverdense, a taça chegou, com boa participação do jogador, novamente entre os melhores da competição.

“Foi muito bacana, pude contribuir bastante com a equipe e fico muito feliz por isso, meu primeiro titulo como profissional, espero que venham muitos. Também tive a felicidade de estar mais uma vez na seleção do campeonato, e poder marcar três gols no campeonato”

Depois de rodar o pegado futebol do sul, o solto futebol do nordeste e o moderno futebol alemão, Leoni encontra-se sem clube, mas já projeta o seu futuro no futebol. O título estadual  dessa temporada é só o primeiro da carreira do jovem jogador, ainda com 24 anos.

“Tenho planos de crescer, ter uma carreira sólida no futebol, fazer dela algo especial pra quando chegar ao fim, ver que tudo valeu a pena. Vou seguindo em frente, trabalhando muito e tentando aproveitar ao máximo a oportunidade de conhecer pessoas, culturas e diversos ambientes, isso o futebol te proporciona bastante. No momento estou esperando algumas coisas que estão em andamento, estudando outras situações, mas nada concreto”

Ainda novo, o lateral projeta uma longa carreira e analisa as possibilidades para o futuro.

Leoni é mais um desses jogadores que, apesar da pouca idade, já rodou demais em busca do seu sonho. A dificuldade de correr o Brasil todo acaba ficando para trás quando se está dentro de campo, correndo atrás da melhor amiga: a bola. Essa é só mais uma entre as milhares de caminhadas diárias que temos pelo Brasil. Mesmo longe dos holofotes, aproveitar o ambiente que o futebol proporciona é o que move muita gente como Leoni, um garoto, que mesmo rodado no futebol, vai ser para sempre um sonhador, a espera do próximo passo, gol ou título.

“Eu agradeço a oportunidade de estar mostrando um pouco mais sobre esse esporte, sobre as dificuldades e também as alegrias. Queria fazer um apelo a todos e pedir para que possamos lutar pela melhora do Brasil em geral, não somente no futebol, mas em todas as areas. Se cada um fizer um pouco que seja, teremos um país cada dia melhor”

Colaboração: Fernando Domingos e Leonardo Tudela.






Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.