ÍCONES ALTERNATIVOS #18 – O Aranha Negra das Américas
5 de julho de 2017

 

Filho de pai polonês e mãe espanhola, nascido no Uruguai em uma cidade que, se ficasse no interior de São Paulo, ninguém iria estranhar (Pirianópolis), Ladislao Mazurkiewicz é o Ícone Alternativo da vez. Multicampeão pela celeste e pelo Peñarol, nome complicado de falar e, no Brasil, conhecido pela grande maioria apenas por levar um drible do nosso Rei.

Apesar de ter descendência europeia, Ladislao nunca sequer pisou na Polônia. Foi revelado pelo Racing (o de Montevideo) em 1963 e, de lá, rumou direito para o Peñarol, seu time de infância pelo qual sempre foi muito apaixonado. O goleiro tinha apenas 1,79m de altura, tamanho muito aquém do padrão de arqueiros de hoje em dia. Embora pequeno para a posição, o jogador se destacava bastante pela sua elasticidade e seus reflexos, sempre apurados.

O atleta tinha como referência o lendário Lev Yashin. Segundo o uruguaio, Lev teria afirmado em uma declaração na sua despedida dos gramados em 1971, que ele (Mazurkiewicz) seria seu sucessor. O arqueiro usou o Aranha Negra como inspiração não só na maneira de jogar, mas também nas vestimentas – só usava preto.

Sua carreira não teve deslizes ou sustos em relação ao seu rendimento, chegou no Peñarol com 19 anos e por lá ficou várias temporadas. Sua regularidade e intensidade impressionavam os adeptos e aterrorizava os atacantes adversários. Bastante impetuoso na meta, tinha uma saída do gol bem rápida e dificilmente tomava gols fáceis ou frangava. Além disso, tinha o DNA vencedor.

A máquina uruguaia.

 

Pelo clube uruguaio são três títulos de liga nacional, uma libertadores e um mundial (vencendo o lendário Real Madrid de 1966). Incluindo uma rivalidade mágica com Pelé e o supertime do Santos, que era o principal adversário dos uruguaios nos anos 60. Ladislao se firmou e é, de longe, o maior e melhor goleiro da história do Peñarol. Curiosamente, em 1972, trocou de time e veio a Minas Gerais atuar pelo Atlético Mineiro, que havia conquistado o primeiro Campeonato Brasileiro oficial organizado no país. Há quem diga que, para assinar com o Galo, foram necessárias 12 horas de negociações insanas e diversas condições impostas pelo atleta – a negociação foi conduzida pelo então presidente do clube, Nelson Campos.

Aqui no Brasil, o Aranha Negra das Américas teve uma passagem boa, embora não tenha vencido nenhum título relevante, viveu bons momentos com a camisa atleticana, se tornando querido pela massa alvinegra.

Bons momentos atuando por aqui.

 

Pela seleção, o jogador também fez história ganhando a Copa América de 1967 e participando de três Copas do Mundo. O arqueiro é um dos jogadores que mais vestiu a camisa celeste no torneio mundial, sendo eleito o melhor goleiro da Copa de 1970, a mesma que contou com aquela defesa espetacular de Gordon Banks, na cabeçada de Pelé.

Ladislao também protagonizou grande lance com o Rei durante a competição. Em uma das jogadas mais emblemáticas do futebol, Pelé o driblou sem sequer encostar na bola mas, na hora da conclusão, chutou para fora. Aquele jogo também teve outro lance memorável, em que o uruguaio bate o tiro de meta errado e, em uma decisão repentina, Pelé resolve chutar de primeira, quase marcando o que seria um gol antológico para a coleção do maior de todos os tempos.

Na Copa de 1966, foi o responsável pelo único tropeço da seleção da Inglaterra, que viria a se sagrar campeã posteriormente. Na partida contra os ingleses, fechou o gol e garantiu o empate por 0 a 0 com os inventores do futebol.

Teve passagens também por América de Cali-COL, Cobreloa-CHI e Granada-ESP, encerrando sua carreira no Peñarol em 1981, ano do seu último título uruguaio.

Diversos jornais e jornalistas da época o consideram o melhor goleiro da década de 60. Nunca mais houve ninguém sequer perto do nível dele defendendo a meta uruguaia. Infelizmente o lendário goleiro faleceu no segundo dia do ano de 2013 devido à problemas respiratórios. “Mazurka”, como alguns o chamavam no Brasil pela dificuldade de pronunciar todo o nome dele, já estava com 67 anos na data da sua morte.

Um legado imortal.

Com certeza um dos maiores (se não o maior) goleiros da história da América do Sul. Mesmo sendo baixo para a posição, se destacou mundialmente pela segurança, elasticidade e habilidade nas metas que defendeu. Infelizmente, aqui no Brasil é mais conhecido pelo drible que levou, por isso, esperamos, por meio deste texto, mudar  um pouco o entendimento do torcedor brasileiro sobre esta lenda imortal.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.