Hammer to fall?
17 de fevereiro de 2020
Categoria: 4-3-3

(Foto por Glyn Kirk/AFP via Getty Images)

25 rodadas corridas. Seis vitórias, seis empates e treze derrotas, 18° lugar na tabela. Confiança no chão. Essa é a situação do West Ham na Premier League. Depois de sacar Pellegrini e trazer David Moyes, a esperança da diretoria era uma melhora defensiva e anímica na equipe.

Melhora que ainda não veio. Seu começo foi promissor, com dois jogos e duas vitórias. Um sonoro 4×0 no frágil Bournemouth – concorrente direto contra o rebaixamento – e logo após um 2×0 no Gillingham pela FA Cup.
Mas foi uma empolgação curta, quando os hammers enfrentaram o complicado time do Sheffield United no Bramal Lane seus antigos problemas voltaram a ficar escancarados. Com a nova lesão de Fabianski no inicio do jogo, o West Ham se via novamente na situação onde perdera 7 de seus 9 jogos – sem o arqueiro titular. Para ajudar, David Martin que entrara para guardar a meta, errou uma saída de bola e entregou o único gol da partida.

Jogando em casa contra o Everton, que ainda tenta se encontrar no início de trabalho de Carlo Ancelotti, o West Ham manteve sua estratégia para jogos em seu domínio, marcou forte a saída de bola dos visitantes e foi presenteado com um gol na bola parada. Porém, sofreu o empate logo depois e acumulou mais uma partida sem vencer em seus domínios. Contra o Leicester, fora de casa, foram dominados em grande parte do tempo e derrotados por 4×1.

Já que na liga as coisas estão difíceis porque não tentar buscar um bom resultado pra levantar a moral numa partida de copa? Jogando contra o West Bromwich, em casa, pela FA Cup contando com a maioria do time titular, os hammers saíram derrotados do London Stadium mesmo jogando uma parte do segundo tempo com um jogador a mais. Após perder o jogo atrasado contra o Liverpool e sofrer o incrível empate com o Brighton quando esteve duas vezes liderando o placar por 2 tentos, a esperança vai começando a ruir e serão 13 rodadas com a faca no pescoço.

Estando na zona de rebaixamento, com 24 pontos em 25 rodadas, tem Norwich e Watford como companhia, e os times acima são Aston Villa, Bournemouth e Brighton –  já jogou os dois confrontos diretos contra Bournemouth e Brighton, enquanto o confronto contra os villains será na última rodada.

Devido a tempestade Ciara a partida contra o Manchester City fora de casa foi adiada, dando mais alguns dias pra David Moyes preparar o time, mas também congestionando o calendário após a pausa de inverno. Em 10 dias jogará contra o líder e o vice líder fora de casa, e uma complicada partida contra o Southampton em casa para fechar a maratona.

Com a janela de inverno aberta e precisando dar uma chacoalhada no seu elenco, a única contratação foi um goleiro na emergência, pois os dois reservas de Fabianski tiveram diversas oportunidades e falharam em todas elas. Sem confiança embaixo dos postes, a defesa também demonstra sinais de nervosismo e sofre apagões durante as partidas. No meio Mark Noble tenta, mas pouco consegue. E o ataque é inoperante.

Mark Noble e Fabianski são duas das peças que se salvam na temporada ruim do West Ham (Foto por Mike Hewitt/Getty Images)

Um time como o West Ham e seu ambicioso projeto que começou ao assumir o London Stadium estão a beira do abismo e o abismo já os olha de volta, começa a chamar e seu pé começa a falhar em guardar a posição em segurança a poucos centímetros da beira. Tudo parecia certo, dinheiro gasto com contratações de peso, um estádio novo e moderno, média de publico beirando 60 mil pessoas. Mas futebol não é ciência exata e faltou qualidade com Pellegrini. Moyes chegou dizendo que o que ele faz é ganhar, então mostrou bem pouco ao que veio.

A diretoria, na vinda de Pellegrini, dizia ousar para recuperar o West Ham que foi um importante clube para a seleção campeã do mundo em 1966, com três dos 22 convocados. A boa intenção passou longe da concretização, no desespero se agarrou a Moyes, que já salvou o clube em 17/18, quando Bilic deixou o comando, mas o atual trabalho passa longe de empolgar os hammers.

Pressionado pra melhorar o desempenho que varia sempre entre 7° e 11° nos últimos anos, seus comandantes não sabem como fazer e recorrem a figuras do passado que tiveram de alguma forma um certo sucesso no clube.
Difícil de mensurar quão trágico seria o rebaixamento para a Championship ante um projeto tão ousado que abriu os cofres em troca de se abdicar de sua tradição e brio. Hoje o torcedor hammer sofre para “borbulhar de amor por seu time”. Longe de seu santuário e ainda se acostumando a um estádio frio com arquibancadas distantes de seus jogadores. O final da temporada precisa ser diferente de tudo que se passou até aqui, pois se continuar na mesma toada, será difícil de ver o West Ham na Premier League 2020/21.

Postado por Caíque Andrade Técnico em química e agora estudante de jornalismo, sempre amei escrever e sempre amei futebol.