Guia 4-3-3 do Brasileirão 2018 – São Paulo
13 de abril de 2017

 

O ano de 2018 começou cheio de expectativas para o torcedor são paulino, fossem elas boas ou ruins. Os tricolores de todo o Brasil só tinham um pedido quanto ao ano que estava prestes a se iniciar: que fosse melhor do que 2017, quando o clube do Morumbi viu seu maior ídolo, Rogério Ceni, no cargo de treinador, ser demitido com pouco menos de seis meses de trabalho, após três eliminações precoces no Campeonato Paulista, na Copa Sulamericana e na Copa do Brasil. Também foi o ano em que os tricolores estiveram muito próximos de um inédito rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Enfim, um ano para ser esquecido, em quase todos os aspectos.

Chegou 2018 e com o novo ano, veio também uma nova direção para o futebol do clube paulista. O ídolo e ex-jogador Raí assumiu então a vaga de executivo de futebol deixada em aberto pelo empresário Vinícius Pinotti. Para os cargos de coordenador de futebol e de superintendente de relações institucionais vieram, respectivamente, os ex-jogadores Ricardo Rocha e Diego Lugano. A nova direção deu um novo ânimo e uma certa esperança para o torcedor tricolor. Ver três de seus ídolos comandando o futebol do clube, deixou uma sensação de que as coisas voltariam a funcionar pelos lados do Morumbi. E como têm sido desde então o 2018 do Tricolor? O que têm funcionado e o que têm deixado a desejar?

CHEGADAS E SAÍDAS

Aquilo que o torcedor mais temia – até por conta das diversas diásporas ocorridas nos últimos anos – aconteceu logo nos primeiros dias de 2018. O clube, mais uma vez, perdeu seus jogadores mais importantes, deixando todo um projeto a mercê de novas contratações e de constantes reformulações no elenco. As saídas de Hernanes e de Lucas Pratto foram, de longe, as mais sentidas pela equipe paulista. Tanto pela perda técnica quanto pela dificuldade em se repor peças como essas. De imediato, o São Paulo foi atrás de Nenê, para a vaga de Hernanes, e Diego Souza, para o lugar do argentino, que acabara de se transferir para o River Plate. Além dos dois veteranos, chegaram também o goleiro Jean, vindo do Bahia; Régis, lateral-direito do São Bento; o zagueiro Anderson Martins, ex-Vasco; Reinaldo, voltando de empréstimo após dois anos fora; Jucilei, contratado em definitivo; Tréllez, colombiano vindo do Vitória; Gonzalo Carneiro, atacante uruguaio de 22 anos recém chegado ao clube paulista; Valdívia, emprestado pelo Internacional.

Valdívia foi um dos contratados pelo São Paulo para 2018.

Dos novos contratados, apenas Valdívia e Nenê podem ser considerados como titulares absolutos no atual momento do tricolor, sendo que o primeiro está fora do time por conta de uma lesão, e o segundo passou a ser um dos grandes nomes da equipe após a chegada do treinador uruguaio Diego Aguirre. O goleiro Jean recebeu algumas chances no onze inicial do clube paulista, mas após uma falha que decretou a derrota por 1×0 contra o São Caetano, nas quartas-de-final do Paulistão, e um desentendimento com o companheiro de posição, Sidão, acabou voltando ao banco.

O zagueiro Anderson Martins têm convivido com lesões desde a sua chegada, tendo disputado poucas partidas com a camisa tricolor até então. No entanto, seu retorno está previsto para até uma semana antes do início do Campeonato Brasileiro. O colombiano Trellez tem recebido chances como titular, muito por conta do péssimo momento vivido por Diego Souza, mas deve disputar a posição com o uruguaio Gonzalo Carneiro, recém contratado para o setor de ataque.

A TEMPORADA ATÉ AQUI

Entre chegadas e saídas, fato é que o São Paulo ainda não se acertou neste ano. O clube começou a temporada apresentando um futebol de pouquíssima qualidade, sem mostrar o menor sinal de evolução ao longo das partidas. Sob o comando de Dorival Júnior, treinador remanescente da campanha de 2017, o clube paulista colecionou atuações apáticas, derrotas em todos os clássicos disputados e duras críticas quanto ao desempenho e dedicação dos atletas dentro de campo.

A pressão foi tamanha que, após a derrota para o Palmeiras, na Allianz Arena, o treinador não resistiu e acabou sendo demitido. Para o seu lugar, em primeira instância, André Jardine foi o responsável por ocupar a área técnica tricolor interinamente. No entanto, o São Paulo pareceu não querer queimar etapas em relação ao promissor e vitorioso treinador da base, e acabou designando a ele uma vaga na comissão técnica permanente do clube, onde será trabalhado a longo prazo para assumir o comando técnico da equipe profissional no futuro.

Multicampeão pela base, Jardine é o centro de um projeto a longo prazo para o comando técnico do São Paulo.

Quanto ao novo treinador, a diretoria do São Paulo não demorou muito e, menos de uma semana após a demissão de Dorival Júnior, anunciou Diego Aguirre como novo comandante. O uruguaio mal chegou e já se deparou com uma sequência de partidas eliminatórias, sendo duas delas contra o São Caetano, pelas quartas-de-final do Paulistão, duas contra o Corinthians, pelas semifinais da mesma competição, onde o São Paulo acabou sendo eliminado e uma partida, contra o Atlético Paranaense, válida pela ida da quarta rodada da Copa do Brasil. Aguirre ainda terá mais uma disputa de mata-mata, contra o Rosário Central, pela Copa Sulamericana, antes de estrear com a equipe no Campeonato Brasileiro.

Até o momento, o São Paulo tem a seu favor uma boa campanha na Copa do Brasil, com quatro vitórias, uma derrota e apenas dois gols sofridos. Joga a classificação para a próxima fase contra o Atlético Paranaense, no Morumbi, tendo que reverter o placar de 2×1 sofrido na ida. No Paulistão, após campanha mediana na fase de grupos, chegou até as semifinais, onde acabou caindo para o Corinthians, nos pênaltis.

Aguirre simboliza a esperança do São Paulo por um 2018 melhor.

DESTAQUES NEGATIVOS E POSITIVOS

Se perguntarmos para qualquer são-paulino quais são os destaques negativos do clube na atual temporada temos grandes chances de chegar a um senso comum. Da direção às contratações, a verdade é que nada parece funcionar muito bem no Morumbi até o momento. Quem chegou para suprir as saídas não correspondeu na maioria das vezes. O treinador, após salvar a equipe de um rebaixamento, não conseguiu seguir um projeto e caiu ainda durante a primeira fase  do Campeonato Paulista. O acúmulo desses fatores escancara a desorganização na qual o São Paulo têm se metido ano após ano.

A queda de Dorival, a apatia dos jogadores diante de resultados adversos e o mau funcionamento enquanto equipe formam a síntese de tudo que deu errado no São Paulo em pouco menos de quatro meses. No entanto, nem tudo é desgraça para o Tricolor. Podemos destacar um ou outro ponto positivo que dê, ainda que de forma tímida, alguma esperança ao torcedor.

Dorival e Diego Souza: alvos das maiores críticas da torcida.

A chegada de Diego Aguirre deu um novo ânimo para a equipe paulista. O que antes era visto como um time apático, sem brio e sem poder de reação, ganhou um status de equipe aguerrida, ainda que deixe a desejar nos aspectos táticos e técnicos – isso tudo pode ser personificado na figura de Tréllez, colombiano que vêm ganhando espaço com o novo treinador, mais por sua dedicação do que por qualidade. Entende-se que as evoluções táticas virão com o tempo, ferramenta da qual Aguirre não dispôs ainda, e que um primeiro passo seria revitalizar o ânimo da equipe, o que o uruguaio têm conseguido.

A integração dos trabalhos de Aguirre e de Jardine já começou a entregar alguns bons frutos para o São Paulo. A promoção do treinador da base para o profissional pareceu mexer com a cabeça dos jovens jogadores que por lá estavam. Lucas Fernandes é um bom exemplo disso, já que foi por indicação de Jardine, como confessou Aguirre, ainda em seu segundo jogo, que o jovem entrou e mudou a partida contra o São Caetano. No entanto, a melhor notícia das últimas semanas para o torcedor do tricolor tenha sido a rápida adaptação de Igor Liziero ao estilo de jogo da equipe profissional. O jovem volante, embora tenha sido o responsável por perder o pênalti que eliminou a equipe do Paulistão, conta com muito prestígio dentro do clube e dele se espera um grande futuro como jogador.

Liziero é uma das boas notícias do São Paulo para 2018.

O QUE ESPERAR DO SÃO PAULO NO BRASILEIRÃO?

Após contextualizar o ano do São Paulo até o presente momento, fica a dúvida: o que esperar deste time para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2018? O time do Morumbi brigará nas cabeças ou o torcedor terá que sofrer mais um ano na luta contra o rebaixamento? A verdade é que o São Paulo é, hoje, uma grande incógnita. Tem bons jogadores, um treinador experiente, grandes ídolos cuidando da administração de futebol, entre outros fatores, como alguns bons jogadores jovens – casos de Jean, Militão e Liziero -, mas mesmo com tudo isso, pesa contra o São Paulo as várias tempestades que, ano após ano, trazem a instabilidade para o Morumbi. Seja por falhas da diretoria, por debandadas de atletas ou por decisões erradas em alguns setores do clube, fato é que ninguém sabe o que esperar do São Paulo, nem para essa temporada, tampouco para as próximas. Resta ao torcedor apenas a missão de acompanhar, torcer e apoiar. Acompanhar o desenrolar das situações que vêm atrapalhando a volta do clube aos momentos de glória, torcer por dias melhores e apoiar enquanto a tempestade insiste em se fazer presente.

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Postado por André Oliveira Estudante de História, torcedor são-paulino, clubista e corneteiro.