Futebol Feminino: seu crescimento e dificuldades
24 de outubro de 2019

 

Por: Sport Manager 365

DECRETO-LEI Nº3.199, DE 14 DE ABRIL DE 1941
Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.

Por mais de 40 anos, a prática de futebol por mulheres foi proibida no Brasil. Por mais que a lei não citasse diretamente o futebol, estava implícito que entre a mulherada a bola não podia rolar. Porém, em 1965, com a ditadura militar, a proibição foi restringida ainda mais e se alterou para: “não é permitida a prática feminina de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, rúgbi, halterofilismo e beisebol”.

Apesar da proibição, sempre existiram àquelas que jogavam de forma amadora, ou até mesmo clandestina e, graças a desobediência, o futebol feminino se manteve vivo. Após a desproibição em 1979, foram mais quatro anos para o esporte ser regulamentado e só a partir de 1983 surgirem os primeiros times profissionais.

Que as mulheres não eram mais impedidas de jogar futebol era um fato, então o que tentou ser feito foram regras diferentes paras elas. O tamanho da bola seria reduzido, bem como a duração das partidas. Até a FIFA na Copa de 1991 ordenou que as partidas tivessem a duração de 80 minutos. Essa discussão existe até hoje e, como em outros esportes as adaptações existem, por que não o futebol?

Muitas jogadoras, treinadores e preparadores se posicionam a respeito disso. Em entrevista a UOL, Paty Nard, goleira do Santos e Marcelo Rossetti, preparador físico do Corinthians, expressaram suas opiniões a respeito do tema:

“Essa questão é um assunto que vem sendo comentado muito, principalmente durante a Copa. Minha opinião é a mesma de todos que realmente conhecem o futebol feminino e o potencial das atletas. Falando mais sobre o tamanho do gol, acredito que não seria necessário mudar. Existem outras formas de compensar a altura. Sabemos que a média de altura é bem menor do que o masculino, mas podemos trabalhar posicionamento no gol, a explosão, a técnica. Podem ajudar. O que falta hoje no futebol feminino são pessoas capacitadas para trabalhar e começar isso desde a base. No masculino, aqui no Santos, nas categorias sub-11 já tem preparador de goleiros. Já trabalham desde cedo, no feminino demora. Fui ter um preparador pela primeira vez no Santos, aos 26, 27 anos. Isso que precisa mudar. O investimento, a visibilidade, o apoio e não diminuir a trave ou o campo. São pessoas que não conhecem a realidade da modalidade. Se comparado com antigamente, vemos hoje na Copa goleiras que são consideradas as melhores dos jogos. Está tendo uma melhora, mais profissionais para trabalhar. O futebol está começando a ter mais apoio. Quanto mais investimento, menos as pessoas vão falar sobre essa redução. É trabalhar a parte técnica, tática e posicionamento”, afirmou a atleta.

Para desenvolvermos a modalidade, deveríamos olhar mais para as categorias de base e as atletas. As formas de treinamento, tentar evoluir nesse sentido ao invés de pensar em alternativas como adaptação de campo, gol, bola, tempo de jogo. São medidas que não são cabíveis para o momento. Por consequência da Copa do Mundo, teve um olhar grande para a modalidade. Poderíamos aproveitar e investir nas atletas para aumentar o nível do jogo. O próprio Mundial mostrou jogos em alto nível, atletas com bom treinamento. Bons confrontos, bons duelos e com as mesmas regras. Esse não é o caminho, é melhor investir no treinamento. Se quisermos evoluir a modalidade, precisamos olhar para as atletas, comissões e forma de trabalhar“, completou Marcelo.

Apesar do longo caminho ainda a ser percorrido, o futebol feminino no Brasil parece estar vivendo uma boa fase. Uma resolução da CBF no início deste ano cobra que todos os clubes da Série A tenham pelo menos uma equipe feminina adulta e uma de base e que disputem pelo menos um campeonato oficial. A decisão foi suportada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), dessa forma, os clubes que desejarem participar das competições continentais também precisam manter suas iniciativas no futebol feminino ativas.

Em passos lentos a modalidade vem crescendo e se desenvolvendo e, apesar da disparidade com o masculino no mundo todo, tanto pequenas nações como grandes potências têm atravessado obstáculos para fazer a categoria brilhar cada vez mais.

Postado por Camila Andrade Graduanda em Relações Internacionais, sou apaixonada pelo esporte, principalmente pelo futebol. O esporte me ensinou importantes lições que carrego comigo: a perseverança, liderança e trabalho em equipe.