Flamengo e Maracanã massacram o imortal
24 de outubro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

Divulgação/Conmebol

Como falar sobre um massacre? Poderíamos começar apresentando os suspeitos. Ou poderíamos tratar de chorar as vítimas. Para falar de um massacre pode-se contar como foi o crime, dados mais sanguinolentos. Mas, eu vou começar falando do local. O local onde morreu o imortal.

Maracanã. Palco de festas populares maiores que muitos carnavais. Palco de espetáculos mais belos que muitos teatros franceses. Maracanã. De Zico, Romário, de Adriano. Maracanã, de Pelé, Garrincha e Ronaldinho. Maracanã, objeto do estudo de Nelson Rodrigues. Objeto de brilho nos olhos do carioca que ama. Maracanã do Flamengo.  A noite de hoje, foi uma noite de Maracanã. E por consequência, uma noite de Flamengo.

A começar pelo clima. A temperatura média marcada no Rio de Janeiro hoje foi de 23 graus. Ameno. Mas dentro do estádio Mario Filho, rara era a testa que não derramava água. Quente. Como o coração latino do português mais carioca desde Dom João Sexto.

Divulgação/Conmebol

O tal Jorge Jesus. O cabelo grisalho. A postura franzina. Chegou trazendo o azeite e rejeitando o vinho. Jogo após jogo construiu o que há muito não se via no esporte bretão aqui no país. Um time que tem prazer em ver seu rival sangrar. Assassino. Brutal.

A começar pelos zagueiros R.Caio e Marí, que iniciam o jogo como Fernando Pessoa inicia seus versos e nesse crime tiveram participação fundamental. Dois golpes. Visceral. Os laterais, Rafinha e Filipe Luís. Pela direita, a insanidade. Pela esquerda, a parcimônia e visão privilegiada. Pelo meio campo, Arão, o criticado, joga como se soubesse que os erros afinal tem serventia. Gerson. Ah, Gerson, se eles soubessem! Se eles soubessem que você estava pronto, talvez nem estaria aqui de volta.

“Daí pra frente é covardia”. Você vai me dizer. Eu vou ser obrigado a discordar. Daí pra frente, é coragem. Jogar com quatro jogadores tão ofensivamente primorosos, por incrível que pareça, é coragem por essas bandas. Everton Ribeiro, um Messi de baixo orçamento. O motor da engrenagem. O pincel do artista. Arrascaeta, o craque resoluto. Bruno Henrique, como disse um amigo, o mais próximo de CR7 que já vimos por aqui. Apareceu para golpear também.  Gabigol. Gabriel e o gol, assim como amor de Camões por suas musas. Fez a bola encontrar sua sina duas vezes hoje.

O Grêmio? Não teve suas chances. No primeiro tempo, resistiram. Mas Paulo Victor, ex-habitante do local do crime, resolveu devolver ao Flamengo, em chute de Gabigol, o presente que é poder jogar no Maracanã.  Porém no segundo tempo… Os golpes vinham de todo lado, de todas as formas. Pela esquerda, pela direita, pelo meio, por dentro, por fora, por de trás, pela frente… e não deu pra sequer gritar.

Os gols foram acontecendo, de forma extremamente natural. Gabriel, Gabriel, Marí, Rodrigo Caio.Uma dança. Como no filme Laranja Mecânica, eles dançavam e matavam o imortal. Mas ao invés de Sing In The Rain, a trilha sonora foi de Jorge Ben Jor. Sem guarda-chuvas, e sim chuteiras. A tristeza do técnico dos gaúchos metaforizava o espetáculo.

Renato Gaúcho, sentia como se o Maracanã, tão bonito em seu tempo, houvesse brigado com ele. E sabe, Renato, é que hoje era dia do Flamengo. Hoje era dia de massacre. Cinco acabou sendo até pouco. Se fosse seis seria pouco. Se fosse sete seria pouco. Se fosse 10… ainda seria pouco.

Sabe, Renato, hoje foi dia de um português, que quando jogador sequer limparia suas chuteiras, sim.

Renato, hoje foi dia de Flamengo. Hoje foi dia de Maracanã. Hoje, Renato, foi dia de Massacre.

Postado por Igor Varejano 19 anos. Estudante de Jornalismo. Do interior de São Paulo, morando em Minas. Vivo em ódio por amar o Palmeiras e o Liverpool. Futebol é o que move a humanidade. Bom, pelo menos a minha. twitter.com/varejanoiu