Escolhas ao acaso
18 de dezembro de 2019
Categoria: 4-3-3

 

A engrenagem do futebol brasileiro funciona de uma forma que já conhecemos muito bem. O imediatismo e a falta de filosofias firmes do que fazer no jogo são bandeiras facilmente reconhecíveis. Em menos de 24 horas, o Palmeiras saiu de uma especulação sobre o técnico argentino Jorge Sampaoli para a contratação do medalhão Vanderlei Luxemburgo. Dois técnicos com estilos de jogo completamente diferentes. Não tem como se planejar se não tem firmeza nem naquilo que quer para si a curto prazo.

Num país onde planejamento estratégico não existe a partir da terceira derrota consecutiva, o Palmeiras, clube com o maior patrocínio do Brasil, mostra que ter dinheiro é o de menos: o importante é saber usá-lo. Será que um trabalho suficiente no Vasco chancela Luxemburgo ao cargo e faz esquecer anos e anos de fracassos?

Em seu último trabalho, até pelas aspirações e peças disponíveis, Vanderlei optou por um jogo mais seguro, abusando dos contra-ataques e jogadas diretas em velocidade. Enquanto Sampaoli prega o “amor ao balón”, com bastante posse de bola e controle das ações.

Aproveito o momento pra dizer que não é uma crítica à contratação de Vanderlei Luxemburgo – apesar de eu achá-la estapafúrdia, já que até seis meses atrás Vanderlei era só uma piada, um personagem folclórico do futebol brasileiro. 

A partir desse texto te convido a um raciocínio rápido. Quando o último técnico do seu time foi demitido, quantas opções semelhantes surgiram? Poucas, certo? Costumamos ver uma lista de treinadores sendo citados por setoristas, por comentaristas, por gente de dentro do clube, baseados em achismos e outras colocações que envolvem pouco, ou quase nada, do futebol praticado.

Vanderlei saiu do Vasco após uma campanha de altos e baixos, com um elenco mediano, que brigava pra não cair e que ele assumiu – com desconfiança da torcida – quando estava em último lugar no Brasileirão. A missão era não cair e, como diria Argel Fucks (rs) “missão dada, missão cumprida”. Vanderlei salvou e deu um ânimo diferente ao cruzmaltino. Fez o arroz com feijão e foi elevado a herói. 

Agora o Vasco vai atrás de Abel Braga. Pelos últimos trabalhos? Pelo histórico? Pela forma como vê o futebol? Não, por ser amigo do presidente Alexandre Campello. O profissionalismo e qualquer chance de se pensar em estratégia, de se pensar o jogo, vai por água abaixo. No Atlético-MG, foram especulados, como os de Fábio Carille, Jorge Sampaoli, Vanderlei Luxemburgo, Jorginho e Rogério Ceni. 

Não existe planejamento estratégico no Brasil. Não existe plano que dure até a terceira derrota consecutiva, não existe longo prazo. Existe o agora. Aqui se escolhe ao acaso, ao imediato. E a conta sempre chega pra quem não se planeja. 

Postado por João Vitor Nunes Jornalista no interior de Minas, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. 23 anos. Apaixonado pelo esporte e pela profissão. Gosto de pitacos embasados e boa conversa de bar.