Entre as quadras de Fut 7 e os campos de futebol – a exótica trajetória de Chayene Santos
27 de março de 2018
Categoria: Entrevistas

 

O futebol é imprevisível. E aqui não estamos falando apenas no decorrer de uma partida, que sabemos ser surpreendente do primeiro ao último minuto. Fora das quatro linhas, o esporte também proporciona histórias incríveis e bastante exóticas. É o caso de Chayene Santos, atacante de 27 anos com uma trajetória bastante interessante dentro da modalidade. Ou melhor, das modalidades.

Depois de começar a carreira no Rio de Janeiro, o atleta rumou a Tailândia, onde defendeu a camisa do Muang Thong Utd, do Songkhla FC e do Esan United. A oportunidade surgiu logo aos 19 anos, por meio de um treinador que já tinha trabalhado com ele no Brasil. O período longe do país natal, no entanto, não passa perto do quão alternativo foi o rumo que tomou após o retorno: o Fut 7.

Foi pedido de um amigo e treinador. Aceitei ajudá-lo, me apaixonei pela modalidade e decidi permanecer. A mudança foi tranquila, não é um esporte muito distante do futebol de salão. Como joguei muito tempo, consegui me adaptar bem rápido“, relembra.

Mais do que se adaptar, Chayene passou a se destacar. Na modalidade, era um dos nomes mais privilegiados e respeitados, tendo defendido a camisa de grandes clubes, sobretudo do Rio de Janeiro. Vestiu as camisas de Flamengo, Botafogo e Fluminense. O segredo para se dar tão bem, segundo ele, foi o estilo de jogo desde os tempos do gramado. “Eu tenho uma condução de bola boa e sou bastante rápido, acho que isso acabou me ajudando a conquistar essa notoriedade“.

No Fut 7, foi referência na equipe do Flamengo.

O excelente desempenho na quadra do Fut 7 voltou a dar rumos diferentes a trajetória de Chayene. Em 2017, o Bela Vista, do Rio de Janeiro, lhe fez uma proposta. Ele aceitou e voltou ao gramado para buscar seu espaço entre os 11 da equipe carioca. As expectativas foram cumpridas. Em seis jogos, quatro gols e uma semifinal da segunda divisão do estado. Depois disso, veio a chance de defender o Mogi Mirim, tradicional clube de São Paulo. Por lá, no entanto, os problemas financeiros da equipe acabaram dificultando as coisas e encerrando sua passagem pelo interior paulista.

Os problemas foram aparecendo, mas como em qualquer outro time quando os resultados não ajudam. Mesmo com a falta dos resultados planejados, foi excelente individualmente, contribui com o melhor que pude, me dedicando sempre no dia a dia. Vestir uma camisa como a do Mogi e representar o clube aonde um dos maiores jogadores do país foi revelado, que foi o Rivaldo, não tem como se arrepender“, pontuou.

Atacante guarda com carinho passagem pel Mogi Mirim.

Depois das duas transições, Chayene já sabe o que quer para seu futuro. Mesmo com o enorme prestígio no Fut 7, é no campo que ele pretende traçar seus próximos passos. Por conta disso, já analisa algumas propostas para o restante da temporada. Mesmo longe da modalidade que tantas glórias lhe deu, ele segue na torcida pela evolução do esporte.

O esporte continua crescendo, não alcançou ainda o que merece, mas creio que com pessoas sérias por trás, que queiram o crescimento e o amadurecimento da modalidade no país, acho que esse esporte pode até se tornar olímpico. Precisa ser melhor administrado“, completou, antes de destacar as diferenças entre os dois esportes que já praticou profissionalmente.

Para mim é o contato com a bola. No fut 7 você está sempre em contato com a bola e quando se transfere para o campo ajuda na condução, no passe. Quando ao contrário, o campo me ajudou muito no fut 7 pelo fato da força, porque a maioria dos jogadores de fut 7 são oriundos do futebol de salão e geralmente nós que viemos do campo levamos vantagem nisso“, concluiu.

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Postado por Andrew Sousa Formado em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus 23 anos.