Em outra grande atuação, o Leicester de Rodgers continua encantando e fazendo história
9 de dezembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

(Foto por Michael Regan/Getty Images)

O Aston Villa entrou em campo pela 16ª rodada da Premier League para encerrar uma sequência de três jogos muito difíceis. Após empatar com o Manchester United e ser derrotado pelo Chelsea a equipe de Birmingham recebeu o Leicester para tentar reencontrar o caminho das vitórias e se manter fora da zona de rebaixamento. O vice-líder da competição estava em busca da sua oitava vitória consecutiva, feito nunca antes conseguido pelos Foxes, para manter a distância de oito pontos para o Liverpool e aumentar a vantagem para o City.

Dean Smith levou a campo o Aston Villa na formação tradicional que vem utilizando nesse campeonato: uma variação entre 4-3-3 e 4-1-4-1, com um volante dando proteção à frente da defesa, dois meias centrais, dois jogadores abertos e um centroavante. Enquanto Brendan Rodgers modificou a estrutura de jogo que vinha sendo utilizada. O Leicester vem jogando numa formação que se assemelha ao próprio Aston Villa na distribuição dos jogadores em campo, mudando, claro, as características deles e o estilo de jogo de cada time. Nessa visita ao Villa Park, Rodgers escalou sua equipe no 4-3-1-2. Com isso, saíram os pontas Barnes e Ayoze e entraram Praet, para ser o meia central ao lado de Tielemans, e Iheanacho, para fazer dupla de ataque com Vardy.

Reprodução: WhoScored

Pelas características dos dois times já era esperado que o Leicester tivesse a bola na maior parte do jogo e foi isso que ocorreu desde que soou o apito inicial. O domínio da posse de bola do time de Brendan Rodgers, que já era esperado, se tornou ainda maior com o esquema que ele escolheu para esse jogo. Com Praet a equipe passou a contar com mais um meia de boa qualidade nos passes, facilitando a manutenção da posse. Dos 59.3% de posse de bola que teve o Leicester, 27% foi entre o quarteto de meio campo, com Ndidi (7.9%) e Maddison (8.3%) sendo os dois jogadores que mais ficaram com a bola durante o jogo. Jogando como meia atacante centralizado Maddison teve liberdade para flutuar por todos os lados do campo, sempre deslocando-se para o lado onde estava a bola para fazer triangulações com o meia central e o lateral do lado em questão.

Sem os pontas para apoiarem os ataques pelos lados, os laterais, que já costumam apoiar muito ofensivamente, participaram ativamente dos ataques do time, principalmente Ricardo Pereira, que foi muito acionado nas ultrapassagens, além de participar das triangulações citadas anteriormente, e também recebendo e conduzindo a bola desde a faixa central do campo. O lado direito da equipe de Rodgers também contou com a participação ativa de Iheanacho que flutuava muito por aquele setor, assim nasceu o primeiro gol, com o atacante nigeriano recebendo pelo lado, conduzindo para o meio e lançando Vardy.

O mapa de toques na bola de Iheanacho mostra como ele flutuou pelo lado direito.

O Aston Villa tentava se defender com duas linhas, uma com quatro e outra com cinco jogadores, bem compacta e já dentro da área quando o Leicester chegava ao campo de ataque. Porém, ainda assim os Villans não conseguiam evitar que os Foxes encontrassem espaço dentro da sua área, como aconteceu no segundo gol do jogo, onde Iheanacho conseguiu finalizar dentro da pequena área. Dito isso, quando a equipe de Dean Smith conseguia se defender e recuperar a bola seus jogadores tentavam sair em contra ataques rápidos, com as decidas em velocidade de El Mohamady pela direita, para cruzar ou entrar na área e finalizar, ou através das conduções de Grealish pela esquerda em direção ao meio buscando uma finalização ou uma assistência, ou ainda um passe para a ultrapassagem de Targett, que aproveitou pouco o espaço gerado no flanco esquerdo com os movimentos do camisa 10 dos Villans.

Quando já estava organizado ofensivamente o Aston Villa tinha ainda mais dificuldades de criar chances de perigo, mesmo com McGinn e Douglas Luiz subindo ao ataque havia poucas trocas de passes e a equipe tinha dificuldades de entrar na área do Leicester. Isso porque a equipe de Rodgers defendia muito bem com a linha de quatro da defesa e de três do meio muito próximas, como na imagem acima, com o trio de meias sempre fazendo o movimento de basculação para o lado onde estava a bola forçando a equipe da casa a atacar pelos lados, principalmente o direito, com El Mohamady dando muita amplitude e profundidade, ou finalizar de fora da área, com 4 das 9 finalizações com bola rolando tendo sido realizado de fora da área.

Foram nove finalizações em lances de bola rolando do Aston Villa porque as outras 6 foram em lances de bolas paradas, enquanto o Leicester finalizou oito vezes nesse tipo de lance. Num jogo muito pegado, que teve 38 faltas, as bolas paradas foram fortes armas usadas pelas duas equipes, que criaram ótimas chances, não apenas nas faltas, mas nos escanteios que foram 13 no total. Foi na sequência de um lance de escanteio que Grealish diminui o placar no final do primeiro tempo e também em um escanteio que o Leicester fez o terceiro no começo do segundo tempo.

Com o placar de 3×1 o Leicester ficou ainda mais a vontade para utilizar da estratégia de saída rápida para o ataque utilizando a velocidade de Vardy. Para tentar reagir Dean Smith levou a campo o ponta egípcio Trézéguet no lugar do meia mais defensivo da equipe, Nakamba. Com isso, os Villans passaram a atuar no 4-2-3-1, com Douglas e McGinn formando a dupla de volantes e Grealish agora como meia atacante centralizado para distribuir o jogo para Trézéguet e El Ghazi nas pontas. A mudança obteve um impacto inicial que aumentou a pressão da equipe da casa, mas poucos minutos depois os comandados de Rodgers se adaptaram a mudança do adversário, retomaram o controle do jogo e começaram a ameaçar a meta de Heaton através de contra ataques, com essa passando a ser a estratégia principal da equipe, principalmente depois da entrada de Barnes que tem muita velocidade, que encontravam a defesa dos Villans desarrumada

Essa má recomposição defensiva era vista na equipe de Dean Smith desde o primeiro tempo, como pode ser visto no frame acima, quando a linha de defesa ficava muito distante da linha de meias centrais e pontas fazendo com que Nakamba, que se posicionava entre essas duas linhas, tivesse uma área muito grande para cobrir. Com a saída do zimbabuano o Aston Villa ficou com um jogador a menos para proteger a defesa, com Douglas Luiz e McGinn não conseguindo fazer grandes contribuições defensivas. E aos 30 minutos Vardy marcou o quarto gol do Leicester numa característica jogada dele: saindo em velocidade e atacando o espaço nas costas da defesa. Poucos minutos depois Albrighton entrou em campo, fazendo o Leicester voltar de vez ao seu característico 4-1-4-1, com o Rodgers querendo explorar ainda mais espaços da defesa do Villa através das transições rápidas. Aos 33 minutos Dean Smith teve que fazer mais uma mudança na defesa por lesão, tirando o Targett para a entrada do Guilbert, o que o impossibilitou de fazer qualquer outra mudança visando uma reação da equipe, mas naquela altura já era tarde.

Leicester chega a sua oitava vitória seguida, feito inédito do time na primeira divisão. A equipe de Brendan Rodgers é muito equilibrada, sabe se defender muito bem, fechando os espaços dos jogadores adversários, fazendo uma intensa marcação pressão, e atacar ainda melhor, tem um repertório imenso de jogo, que permite ao time adaptar-se às mais diversas situações de jogo e adversários. O Aston Villa chega ao seu terceiro jogo sem vitória e não termina a rodada em situação pior apenas pelo fato de Southampton e Norwich também terem sido derrotados nessa rodada. A equipe de Dean Smith tem alguns problemas defensivos, principalmente com relação a transição defensiva e aos espaços que a equipe cede aos adversários. Porém, ofensivamente a equipe também precisa evoluir, o técnico precisa conseguir utilizar melhor Wesley, que nesse jogo participou pouco e tem sofrido para conseguir ter alguma influência no jogo da equipe, por conta do estilo mais defensivo adotado pelo treinador.

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Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.