Em meio a tantos erros, título do Corinthians vem do acerto na criação de um estilo
16 de novembro de 2017
Categoria: Futebol e Nacional

 

Nos últimos anos, o Corinthians foi a clara antítese do ditado popular “treinador não ganha jogo”. Popular por anos, a frase, muito reproduzida pelos mais diversos torcedores do país, vem sendo derrubada ano após ano pelo clube alvinegro. Fora das quatro linhas, a direção corinthiana passa longe de ser um primor. Coleciona erros, dívidas e equívocos. Mesmo assim, o futebol segue vitorioso. O segredo é o padrão.

Parece mais fácil dar todo o crédito do padrão vencedor ao técnico Tite, mas o desenvolvimento de uma “cara” vem de antes disso. Com Mano Menezes, o esqueleto desse Corinthians sólido defensivamente foi desenhado. Adenor aprimorou e ergueu mais troféus que seu antecessor. O atual treinador do Cruzeiro ainda retornou ao clube para mais uma montagem de elenco, que acabou, indiretamente, resultando em outra conquista de Tite, em 2015.

Leia também: Ao mestre com carinho – o início convicto de Fábio Carille

O ano de 2015 muito tem a ver com a conquista do hepta desta quarta-feira. Na oportunidade, os comandados de Tite passavam por um longo período sem receber salários. Em 2017, as dívidas salariais não existem – pelo menos é o que diz a diretoria -, mesmo assim, sobraram processos judiciais cobrando pendências de luvas, premiações e até mesmo direitos de imagem de ex-jogadores do clube.  Em contrapartida a coleção de erros, é preciso destacar que, nos últimos anos, os dirigentes alvinegros também seguem um padrão interessante de contratações. Nada de contratar “em atacado”. As peças, a cada temporada, mudam pontualmente.

Jô e Clayson: Contratações pontuais e importantes para a conquista.

Em meio a essa turbulência financeira, a calmaria de Fábio Carille resolveu. O grande acerto da temporada – que só veio depois de dois erros: Cristóvão e Oswaldo. O discípulo de Tite prometeu logo em sua primeira coletiva um time bem montado, com linhas próximas e competitividade. Entregou muito mais que isso. Com personalidade, deu sua cara a equipe. Um dos “1” dos 4-1-4-1 foi deslocado. Rodriguinho ficou mais perto de Jô no 4-2-3-1 brilhante do primeiro turno.

Como falamos aqui no Blog, a equipe do técnico novato foi bem mais do que um time que sabia a hora de contra-atacar. O Corinthians das primeiras 19 rodadas sabia a hora de acelerar, virar o jogo, enfiar a bola para os pontas. Era um time cirúrgico, com movimentos bem orquestrados e muita triangulação. Algo que vem sendo uma característica de muito tempo em Itaquera – antes no Pacaembu.

Muito estudado, Carille quase foi surpreendido, mas, mesmo com a demora, teve peito para mudar a equipe e dar o último gás para a conquista. Colocou Clayson e Camacho, viu um time melhor com a bola no pé e mais incisivo pelos lados. Mudanças essenciais para bater o Palmeiras, o Atlético-PR, o Avaí e, por último, o Fluminense. Ainda em sua temporada de estreia, era normal que o treinador demorasse em algumas alterações ou errasse em outras. É questão de evoluir.

A cara da conquista alvinegra.

Agora concretizado, depois de poucas ameaças reais, o título mostra bem que criar uma modo de atuar e de trabalho faz diferença. Estabelecer um padrão e seguir uma filosofia pode ser o segredo para colher bons frutos de uma terra não tão próspera assim. Virou costume valorizar mais o treinador do que os jogadores do elenco em uma conquista. A busca já não é mais por um ou dois craques. É por convicção na hora de montar uma equipe e, claro, por títulos.

Carille reforça o discurso e a mensagem dada por Tite. Treinador ganha jogo sim. E mais do que isso, ganha campeonato. Já são oito nos últimos oito anos. E contando…

Postado por Andrew Sousa Formando em Jornalismo justamente pela paixão pelo esporte, sente enorme prazer em poder escrever sobre o que ama. Apaixonado por um bom domínio e alguns jogadores ruins, vive o futebol desde o primeiro dos seus vinte anos.