Diretor do Flamengo abre o jogo sobre situação de Jorge Jesus, tragédia no Ninho e volta do futebol
19 de maio de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Nacional

Cacau Cotta é diretor de relações externas do Flamengo. Foto: Reprodução

Mesmo com a bola parada por conta da pandemia do novo coronavírus, os bastidores do futebol continuam aquecidos. Com o alcance de sempre, o Flamengo se mantém nos noticiários por uma série de temas. Jorge Jesus fica? O clube quer voltar aos treinos agora? Como estão as tratativas em torno da tragédia do Ninho? São inúmeras perguntas, que repassamos a Cacau Cotta, diretor de relações externas do clube rubro-negro. A seguir, você acompanha toda a entrevista na íntegra com o dirigente.

  • O repórter Eric Faria disse que o Flamengo está por detalhes de renovar com o Jorge Jesus. A informação procede? e quanto tempo de contrato seria?

Cacau: Então, sobre o Jesus, o Eric Faria é um dos jornalistas mais bem informados sobre o Flamengo. Cobre o Flamengo há muitos anos e é amigo pessoal do vice-presidente de futebol, Marcos Braz. O Jesus voltou ao Rio para resolver e parece estar feliz. É isso, acho que não tem muito o que falar (risos). Sobre o tempo de contrato quem decide isso é o futebol, é o vice de futebol, com o Bruno Spindel. O conselho de futebol e o presidente. Não interfiro nisso.

  • Qual a posição do Flamengo sobre voltar à atividade? Existe alguma possibilidade do Carioca, Brasileirão e Libertadores não serem disputados por completo?

Cacau: A posição do Flamengo é de jogar, né? De terminar sempre dentro do campo, protegendo a vida. Em primeiro lugar, a vida. Com o maior protocolo possível de segurança com a autorização das autoridades de saúde e governamentais no geral, seguindo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), do Ministério da Saúde, da Secretaria da Saúde do estado e do município do Rio de Janeiro e principalmente do corpo médico do Clube de Regatas do Flamengo, o qual tem um médico especialista em medicina do esporte, que é o Dr. Tannure, que está dando uma aula do que é um protocolo sobre esse assunto.

É óbvio que as atividades vão voltar pelo Carioca, que não há necessidade de deslocamento de avião e nem de ônibus. O jogador pode ir em seu próprio veículo e a qualquer momento quando houver essa autorização, a segurança de todos, com a pratica de exames, então é óbvio que vai voltar, sem público, pelo carioca. Não tenho dúvidas disso. A libertadores depende aí da Conmebol e o Brasileiro a CBF, que já mostrou que tem vontade de continuar. Assim como a FERJ também. Então é questão de tempo, de estar preparado, e o Flamengo, mais uma vez, sai na frente, com exames e prevenção, fazendo exames periódicos nos atletas, na comissão técnica, na diretoria e nos funcionários no geral.

  • Recentemente, o ex-presidente Bandeira de Mello se eximiu de culpa sobre o incêndio que ocorreu no Ninho do Urubu. Também afirmou que, se ele estivesse no comando, o incêndio teria sido evitado. Como os dirigentes receberam essa notícia e o que o senhor poderia nos falar sobre?

Cacau: Cara, eu recebi com decepção e tristeza, pois eu tinha uma outra ideia do presidente Bandeira. Foi infeliz. Não sei se ele continua pensando dessa forma, mas foi muito infeliz e aí eu vou concordar com o Marcos Braz: “Ou é de mau-caratismo ou é de oportunismo”. Eu lembro quando fui candidato em 2015 (à presidência do Flamengo), ele estava me acusando de querer aparecer para poder se candidatar a cargo público e hoje ele é candidato a tudo. A vereador, deputado, prefeito… Então eu nem sei qual foi o foco dele. Foi infeliz. Classifico como infeliz. O que ocorreu no Ninho foi uma tragédia inevitável, um pico de luz. As investigações já andaram, né? Tanto no âmbito de inquérito e por isso agora está no Ministério Público e a justiça vão esclarecer os fatos. Só Jesus pode impedir uma tragédia e é muito triste você falar dessa forma de uma tragédia. Fico triste. Encaro com muita tristeza.

Cacau não escondeu a chateação com declaração recente de Bandeira de Mello

  • Falando da tragédia, vocês mantém contatos constantes com os familiares ou advogados? Existirá, futuramente, alguma homenagem, como um memorial? existe algo nesse sentido?

Cacau: Está havendo contato sim. Quem toca isso é o Rodrigo Dunshee (vice jurídico do Flamengo). Ele é quem pode falar melhor os detalhes. Eu não tenho detalhes desse assunto. Foram feitas algumas homenagens e com certeza serão feitas outras. Não tenho dúvidas disso. Estará eternizado em nossa história, está marcado, como o título da Libertadores está marcado na história do Flamengo. Esses meninos ficarão guardados para sempre. Nunca irão cair no esquecimento. Espero que isso seja resolvido o mais rápido possível, tudo o que ainda falta para ser resolvido e será resolvido dentro dessa gestão.

  • Falando sobre o elenco atual. Podemos colocar todos os principais jogadores que foram campeões (Diego Alves, Rafinha, Everton Ribeiro, Gabigol, BH e outros demais) como ídolos ou ainda falta um pouquinho mais para entrar nesse seleto grupo?

Cacau: Marcado na história eles já são, mas acho que ainda demanda tempo, né? O tempo que os transforme em ídolos. Na história eles já estão. Uns mais ídolos, outros menos, mas já estão consolidando. Isso se consolida com o tempo. Não tenho dúvidas disso.

  • Sobre o Marketing, o Flamengo tem algo em vista sobre itens como bonecos colecionáveis dos jogadores, réplica das taças conquistadas, pelúcias e afins? Existe algum trabalho voltado a esses detalhes?

Cacau: Tem muito dirigente que já passou pelo Flamengo que gosta de falar de tudo, que entende de tudo. Pra isso, cada um toma conta da sua pasta. É óbvio que a gente interage e cada um sabe um pouquinho da pasta do outro, até por que eu já fui candidato a presidente, então tive que estudar todas as áreas. Fui vice presidente de administração e social da Gávea e hoje sou diretor de relações externas. Passei ali próximo ao futebol. A relação externa é um braço do futebol, mas quem fala sobre o marketing é o Gustavo Oliveira. Ele tem os detalhes maiores, mas eu te garanto que o Flamengo está trabalhando incansavelmente por novos patrocínios, por crescer, por se adaptar ao sócio torcedor, melhorar a qualidade do serviço. Flamengo está sempre buscando a excelência em todas as pastas da melhor maneira. Vocês podem ter a certeza que estamos trabalhando na quarentena. Ninguém parou de trabalhar, é home office, é falar por telefone, em vídeo chamada o tempo todo, buscando melhorar e não parar o tempo todo. O Flamengo não parou. Ninguém parou no Flamengo.

Cotta faz parte de gestão vitoriosa no Flamengo. Foto: Reprodução/Instagram

  • Aproveitando a deixa, o senhor falou que já foi candidato à presidência (2015). Atualmente ainda tem esse desejo ou prefere ajudar mais nos bastidores ou sendo algum VP, algo do tipo?

Cacau: Eu tendo a continuar ajudando a diretoria, ajudando o Flamengo da melhor maneira. Aonde eu for requisitado, estarei à disposição para ajudar o Flamengo. Ser candidato, acho que todo torcedor tem esse sonho, mas por enquanto está descartado. Prefiro ser amigo do rei e ajudar naquilo que for possível e do meu melhor sempre. Vocês podem ter a certeza que eu vou honrar cada vez mais. Eu vou errar e acertar, mas sempre pelo excesso, sempre tentando acertar, na vontade de acertar. Na omissão, nunca. Flamengo não é para omissos. Flamengo não é para se vitimizar. Flamengo é para ser liderança, estar a frente de tudo. Pra estar ganhando tudo. Esse é o Flamengo de hoje com o Landim, com essa tropa toda, encabeçada por ele, um vencedor nato. Quero continuar assim.

  • Sobre a mídia, você poderia citar três nomes dos quais mais gosta de ouvir/assistir/ter confiança na informação e outros três que não gosta/não confia?

Cacau: Irmão, essa parada de gostar, de não gostar, eu vou desagradar a alguns e agradar a outros. Na verdade, eu vou ser bem sincero, eu não gosto e nem desgosto de ninguém. A mídia, o jornalista, seja ela a mídia alternativa (como falam, os blogueiros, os youtubers, os jornalistas de site, de televisão, de papel impresso, seja o que for) eles fazem o papel deles. Se eu errar eu vou apanhar e se eu fizer coisa boa, serei aplaudido. Uns batem mais, outros batem menos. Outros elogiam menos e batem mais, então é difícil. Eu prefiro ficar nessa questão de que, quando eu erro, receberei vaias. Tem que estar preparado pra isso. Quem estiver no Flamengo ou em outro clube grande, tem que estar preparado pra isso. Tanto para aplausos, quanto para as vaias. São momentos e eles passam, tanto os bons quanto os ruins.

Rubens Gustavo
Postado por Rubens Gustavo Estudante de química bacharelado na UFRN. Apaixonado por futebol e Fanático pelo Flamengo.