Dança das cadeiras: Marco Silva é o próximo?
5 de dezembro de 2019
Categoria: 4-3-3

(Foto por PAUL ELLIS/AFP via Getty Images)

Hoje a cidade de Liverpool acordou diferente, há um clima de rivalidade no ar. Algumas pessoas já levantam de suas camas apreensivas, grande parte de seus moradores resmungaram alguma ofensa ao Primeiro Ministro Boris Johnson e especialmente o lado azul de Liverpool resmunga uma ofensa ao seu treinador. Após um jogo que o Liverpool passou o carreto por cima do Everton, os torcedores amargam um tabu difícil de engolir.

O clube se encontra com a corda no pescoço. Com apenas quatro pontos somados nos últimos seis jogos e dentro da zona de rebaixamento, os toffees tem a ingrata missão de buscar a recuperação com uma sequência pesadíssima – já contando com a virada sofrida pelo Leicester e a derrota acachapante por 5-2 pro rival Liverpool- o Everton ainda tem: Chelsea (casa) Man U. (fora) e Arsenal (casa).

Marco Silva segundo consenso geral da imprensa inglesa está muito perto de passar o natal desempregado, pois ainda não conseguiu acertar seu time. Segue buscando variações que encaixem melhor suas peças e possam render bem mais do que rendem, além disso, o departamento médico tem André Gomes fora por muito tempo. A ausência do volante é muito sentida num ataque cada vez mais refém de cruzamentos visando Richarlison – que faz muito bem o papel de fechar pelo meio pra testar as bolas de frente pro gol.

Jogando com cinco ou quatro meias as melhores jogadas ofensivas vem dos laterais, Digne soma três assistências enquanto Sidibé e Holgate – que faz uns bicos de lateral direito – serviram dois tentos cada.

Richarlison é a única válvula de um Everton de poucas ideias (Foto por Jordan Mansfield/Getty Images)

Muitos times usam seus laterais como arma principal de seu ataque, mas o grande problema do Everton é que seu repertório ofensivo se resume em cruzamentos, enquanto o atacante brasileiro faz a corrida pra puxar a zaga liberando o espaço pro cabeceio frontal. Resultado disso são alguns escanteios e laterais lançados na área. Jogo aéreo e só.

Outro problema que Marco Silva tem em suas mãos é a posição de centroavante. Até agora ninguém conseguiu convencer na vaga. Calvert-Lewin é quem recebeu mais chances e tem três gols anotados. Cenk Tosun, por sua vez, recebeu duas chances como titular nos últimos cinco jogos. Moise Kean, que chegou com certo hype da Juventus, não consegue mostrar o mesmo nível de atuação do fim da temporada passada nos italianos.

Richarlison recebeu algumas chances improvisado na posição e teve um desempenho regular, mas o Everton funciona melhor com ele puxando os contra-ataques e fechando a jogadas pelo meio pra cabecear

Mas com o ataque sofrendo pelo menos a defesa vai bem? Não. Marco Silva precisa resolver alguns problemas constantes em sua retaguarda. Quando sua primeira linha sobe pra pressionar o adversário ou naturalmente num momento ofensivo, ela sofre demais com bolas enfiadas nos espaços vazios. Ainda mais com a linha média muitas vezes espaçada ou desatenta, não acompanhando quem chega por trás pra finalizar. Os dois gols sofridos contra o Norwitch e o gol marcado por Dele Alli também acontece de maneira parecida.

No jogo contra o Leicester, Silva entrou com a proposta de uma linha de três atrás – Keane, Mina e Holgate -, cm Mina mais preso dentro da linha sem sair pra dar o bote. Funcionou melhor, o Leicester viu a área do goleiro Pickford mais fechada, só que novamente seus meias continuam sendo muito brandos na marcação e na pressão ao portador da bola, tornando a vida de sua zaga e goleiro um inferno.

Contra o Liverpool sua linha de três e posteriormente de cinco não funcionou como esperado. Batendo cabeça com Pickford, o miolo da zaga viu o Liverpool infiltrar muitas vezes pelo meio e ter liberdade pra finalizar.

Estando dentro da zona de rebaixamento com quase um turno inteiro completo e com a janela de transferências tão próxima, essa sequência pode decretar o fim da passagem do treinador português pelo lado azul de Liverpool. Já balançando no cargo, inclusive, ele vê crescer a sombra de David Moyes como possível substituto pra sua vaga.

Agora é o momento da verdade pra Marco Silva, seus jogadores mostraram que acreditam no seu trabalho e correm por ele. Ainda existe uma força dentro do time que acredita no trabalho de Marco Silva e credita os resultados ruins a má sorte. Só que se terminar o primeiro turno dentro da zona de rebaixamento com menos de 20 pontos marcados, a situação pode ficar irreversível. Será que ele aguenta?

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Postado por Caíque Andrade Técnico em química e agora estudante de jornalismo, sempre amei escrever e sempre amei futebol.