Da Suíça para o mundo – Tranquillo Barnetta
18 de fevereiro de 2016

Um dos principais pontas da suíça no século XXI, Tranquillo Barnetta foi destaque na Alemanha, onde disputou 260 jogos da Bundesliga em 11 temporadas, por 4 clubes diferentes. Após as boas campanhas pelo país da cerveja, o atleta aceitou o desafio de ir à MLS, atuar pelo Philadelphia Union. Com expressivas 70 partidas pela seleção, Barnetta cedeu entrevista ao Blog 4-3-3, contando sobre suas passagens no futebol, bem como seus projetos e novos objetivos.


1 – Somos um país que atrai muitos estrangeiros para conhecer nossas cidades. Você veio para o Brasil com a seleção suíça para disputar a Copa do Mundo de 2014. Foi sua primeira vez? Algo chamou sua atenção, de maneira positiva ou negativa?

De fato foi minha primeira vez. Infelizmente, nós não vimos muito do país em si, já que gastávamos a maioria do tempo nos hotéis. Mas todas as pessoas foram amigáveis e de bom humor. Isso foi o que realmente mais gostei

2 – Todo mundo sabe, a Europa é o sonho dos jogadores em todo mundo. Mas como é jogar nos Estados Unidos? Eles realmente estão desenvolvendo a liga e seus jogadores como o mundo imagina? A seleção americana reflete o progresso do futebol local?

Sim, é verdade. A liga americana e seus times vem se desenvolvendo mais a cada ano. E eu fico realmente muito feliz de fazer parte de todo esse processo.

3 – Você tem dupla nacionalidade (Suíça e Itália). As vezes você pensa que poderia ter escolhido atuar pela seleção italiana? Ter sido campeão do mundo em 2006, por exemplo. 

Isso nunca foi uma opção para mim. Eu cresci na Suíça, portanto sou mais suíço que italiano.

4 – No passado, nossa liga era repleta de jogadores notáveis, como Ronaldo, Ronaldinho, Romário, Pelé, e esse jogadores fizeram nosso futebol famoso. Quanto você conhece do nosso campeonato e de nosso clubes? Se aparecesse a oportunidade de jogar no Brasil, você iria?

Eu não conheço muito sobre a liga e é difícil achar notícias na Europa. Porém, claro que conheço todos esses jogadores. Eu acho que a Liga brasileira não é uma opção para mim, já que penso em encerrar minha carreira na Suíça.

Por mais que tenha dupla nacionalidade, Tranquillo sempre se viu como suíço.

5 – Vimos algumas temporadas surpreendentes do Basel recentemente. Pensando nisso, o que falta para que o futebol suíço seja um dos grandes da Europa? Dinheiro? Interesse? O que você pensa sobre? 

Nós não temos as oportunidades monetárias como os outros países. Nós temos que continuar a trabalhar para sermos uma das ligas mais atrativas para os jovens jogadores. Eu acho que jogar na Suíça é uma grande oportunidade para todo jovem jogador iniciar sua carreira.

6 – Agora uma pequena brincadeira, no Brasil “Tranquilo” é sinônimo de alguém calmo. Inclusive, temos uma música popular aqui que se chama “Tá tranquilo, tá favorável”. Fale-nos um pouco sobre suas características dentro e fora de campo. No geral, é uma pessoa calma?

Na Itália, Tranquillo também significa isso. Na verdade, sou calmo quando estou fora do gramado, mas quando estou jogando, tento de tudo para não ser tranquilo e lento.

7 – Obviamente, todos os jogadores atuam por anos e depois se aposentam. Quais os seus planos para sua vida depois de aposentado? Algo relacionado a futebol?

Eu espero que possa continuar jogando por mais alguns anos e, depois disso, eu definitivamente estarei procurando algo diferente. Acho que não continuarei nos negócios futebolísticos.

8 – Qual foi sua reação ao ver o Brasil ser derrotado para a Alemanha por 7-1 em casa na semi final da copa? Você acha que foi algo atípico ou a Alemanha de fato merecia vencer como venceu?

Foi duro de assistir. Time algum merece perder dessa forma e com esse placar. Foi um dia difícil para o Brasil. Porém, a Alemanha mereceu o título. Eles fizeram um grande campeonato.


9 – EUA é um grande país, assim como o Brasil. Como as grandes viagens afetam no cansaço e nos resultados dentro de campo? Você pensa (por essa razão) que é possível haver uma competição envolvendo a América do Sul, Central e do Norte? 

É difícil e talvez a mudança mais sentida por todos os jogadores europeus. Às vezes, nós fazemos voos de 6 horas para um jogo fora de casa, com um fuso horário de 3 horas de diferença. Logo, o time de casa tem uma pequena vantagem. Longas viagens não são factíveis, portanto, uma competição com a América do Sul não faria nenhum sentido.

Barnetta e seu novo desafio: o Philadelphia Union.

10 – Sendo um atleta de 30 anos, o que você tem de fazer para manter seu corpo saudável e preparado? Que tipo de coisas mudaram no seu corpo nos últimos sete ou dez anos?

A regeneração leva mais tempo e nas manhãs de treino eu preciso de mais tempo para começar a treinar. Alguns exercícios de melhora me ajudam a ficar pronto.

11 – Você gostaria de dizer algo para os leitores do Brasil?

Eu realmente gostei muito da entrevista, e desejo tudo de melhor para todos do 4-3-3. Tudo de bom, meus amigos!

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Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.