Criando um novo mercado – SportFood
28 de Maio de 2017
Categoria: Entrevistas

E se seu clube comunicasse que vai inaugurar uma rede alimentícia por todo o estado? Como você reagiria?

É disso que o pessoal do SportsFood cuida. Com sua inovação e criatividade, a empresa vem criando um novo mercado global  que promete crescer bastante nos próximos anos e, quem sabe, rivalizar até mesmo com o lucro que fornecedores esportivos dão aos clubes. Conversamos com  Fernando Ferreira, fundador do SportsFood, e ele nos contou alguns detalhes curiosos e importantes sobre o seu negócio.

Confira na íntegra:

1. Conte um pouco mais sobre o projeto, como começou a SportsFood?

A empresa nasceu após um estudo que a Pluri Consultoria fez em 2011 para um grande clube de São Paulo que tinha a intenção de ampliar suas receitas. Uma das sugestões que a Pluri deu foi trazer a marca para fora do padrão futebolístico, parar de se vender apenas na esfera de campo e bola. Não adianta apenas vender camisa, pay per view e um ou outro produto licenciado relacionado ao campo hoje em dia. Precisa entrar onde se tem volume. Então baseando-se nesse conceito, descobrimos que a alimentação fora do lar era um destaque a se explorar, a experiência da alimentação aliada à um provedor de experiências, que é o futebol. Esse foi o conceito inicial.

2. Como pioneira neste ramo, vocês com certeza tiveram que passar por uma fase explicativa no processo de início de projeto. Como que os clubes reagiram ao tomar conhecimento da ideia da sua empresa? Qual foi a recepção inicial?

Sim, quando fomos vender nosso negócio aos clubes houve um grande trabalho de convencimento. Entretanto, em nenhum momento eu senti desconfiança da parte deles, até porque ao invés de sairmos mostrando o conceito para todos os clubes, nós fomos apenas à alguns em específico. Entrar em contato com o Grêmio por exemplo, não aconteceu por acaso. O mercado do Rio Grande do Sul é um mercado complicado, queríamos testar lá, estávamos determinados a iniciar lá em busca de uma resposta mais rápida em relação a aceitação do público. O Beto Carvalho (Diretor de Marketing do Grêmio) capturou a nossa visão do negócio já na primeira reunião. Então, a partir do momento que o nosso negócio saiu da fase de projeto para se tornar algo concreto, as coisas começaram a evoluir mais favoravelmente e tem sido assim até hoje.

3. De fato, a oportunidade identificada por vocês foi um achado valioso para a prospecção em relação a gerar receita líquida para os clubes brasileiros. Na sua visão como empreendedor, qual é o potencial econômico que isso pode alcançar? Quanto pode chegar a ter de representatividade no balanço de um clube de elite?

Em longo prazo nós acreditamos que a receita do licenciamento do mercado voltado a alimentação entre produtos e consumo fora do lar brigue com a receita de fornecimento de material esportivo.

Sera que alcança?

4. Com algumas franquias já lançadas, já há como fazer uma estimativa em relação a avaliação dos clientes/torcedores? Como vem a aceitação do público alvo?

Este é um dos pontos mais estudados por nós. Até mesmo antes do primeiro projeto com o Grêmio, já vínhamos estudando o mercado a dois anos e meio para avaliar o comportamento do torcedor diante desse tipo de empreendimento. Hoje em dia a aceitação do torcedor é realmente muito grande, enorme. Há inclusive, uma surpreendente aceitação de torcedores de outros clubes, tanto que no Rio Grande do Sul (onde atuam com o tricolor gaúcho) 20% dos clientes são torcedores do Internacional. Já em São Paulo (onde atuam com o Palmeiras) a fatia de consumidores não-palmeirenses chega a 30%.

5. Bahia, Corinthians, Santos, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Vasco. Esses são os times para o qual vocês trabalham atualmente. Há algum outro em negociação? Quais são os projetos para esse ano?

Atualmente estamos em fase final de negociação com mais dois clubes, negociando também com uma liga de esportes americana e uma liga de futebol europeu. Além disso, ainda estamos negociando com uma marca muito forte que não é do mundo futebolístico, as pessoas estão percebendo o potencial de expansão desse negócio além do mundo do futebol.

6. Todas as unidades são temáticas e possuem cardápios personalizados de acordo com o clube? Dê alguns exemplos de pratos que fazem alusão há algum dos clubes.

Sim, todas elas são muito temáticas, queremos fazer o projeto com a identidade do clube. Com o Grêmio por exemplo temos o sanduíche imortal, nossa cerveja também é chamada de “A imortal”, tem o sanduíche do pão azul, temos o Borracho y Loco (em referência à uma música da torcida gremista), é sempre uma alusão as conquistas do clube, a visão da torcida em relação ao clube. Até o ketchup vem com um adesivo na embalagem pedindo desculpa por ele ser vermelho, estamos tentando mudar isso com a importação de tomates azuis da Espanha, quem sabe conseguir fazer um ketchup que não seja vermelho. Com o Palmeiras temos as massas nas cores do clube, as sobremesas são no formato do novo estádio alviverde, do escudo.

A personalização especial atrai muitos clientes.

7. Com variados tipos de restaurantes, como Fast Foods, Pizzarias, Self Service, La Carte, Rodízios entre outros, devo perguntar, em qual desses segmentos vocês mais atuam na área alimentícia?

Isso depende muito do tipo de posicionamento que damos a cada marca e da identidade do clube em questão. O Palmeiras é uma instituição que tem uma identidade italiana muito forte e isso nos dá um link mais direto em relação a alimentação (massas), que no caso funciona como cantina mesmo, bem restaurante. Nossas redes devem se situar entre o fast-casual (não tão “fast” quanto o fast food, porém mais artesanal, mais personalizado) e o casual dinning (restaurante). O objetivo é não cair na linha fast food clássico, entendemos que é um nicho bastante saturado, muito ocupado. Além de limitar a experiência do cliente.

8. Como a crise vem assolando o país, o brasileiro médio consequentemente vem tentando gastar menos com lazer. Como vocês lidam com isso? Qual é a média padrão de preço de um dos seus estabelecimentos?

É a crise econômica mais intensa da história do país. Então, obviamente, nós, como qualquer outra organização, temos que trabalhar defensivamente. Devido a isso criamos opções mais econômicas para os consumidores, na cantina (Palmeiras), por exemplo, nós temos prato executivo em uma condição de preço bem atraente. O valor médio gasto na Hamburgueria (Grêmio) está na faixa de 27 reais, já na cantina palestra a média é de 52 reais. Existe uma preocupação muito grande com o custo-benefício, foi algo que foi bastante discutido com os clubes, preço de royalties e valor final dos pratos.

9. Por conta da grande rivalidade que por vezes extrapola a esfera campal, com diversos ocorridos de depredação de patrimônio por conta de rixas entre torcidas organizadas, vocês já foram vítimas de algum episódio como esse? Temem tal ato?

Esse foi um dos fatores mais estudados, nossa prospecção era de que não teríamos problemas graves com essa questão da segurança. Uma boa referência pra isso são as próprias lojas licenciadas dos clubes de futebol, as lojas ficam nas ruas, nos shoppings e não se vê caso de depredação. Nesses dois anos e meio o que temos é uma convivência bem bacana entre os torcedores rivais e dos clubes para o qual trabalhamos. Em Porto Alegre há casos até de torcedores do Inter uniformizados dentro da Hamburgueria gremista.  Muito comentário de colorados nas redes sociais falando bem do local, a presença deles já se tornou até mesmo algo comum dentro do estabelecimento, não é mais surpresa.

Aqui em São Paulo por estarmos em frente o estádio não é muito comum ver as torcidas dos outros grandes do estado, mas torcedores de outros clubes costumam frequentar o lugar, torcedor do Vasco, Cruzeiro e até Grêmio. Então, nesse período nunca houve qualquer tipo de vandalismo, pichação, nada. Logico que o que aconteceu nos casos de Palmeiras e Grêmio não nos garante que será igual nos outros clubes, por isso mantemos sempre a nossa preocupação e vigilância.

Rivalidade apenas dentro do campo.

10. Para encerrar, faça suas considerações finais. É um imenso prazer poder ceder este espaço para um novo empreendimento se apresentar aos nossos leitores. A equipe 4-3-3 deseja toda a sorte do mundo para vocês.

Eu que agradeço a oportunidade. Estamos com um calendário bastante extensivo, pela ordem os próximos clubes a terem suas operações inauguradas devem ser: Cruzeiro, Corinthians e Santos. O processo de abertura de estabelecimento, legalização de obras, é algo bastante complexo e precisa ser feito com cautela. Mas além desses mais um outro clube deve entrar no nosso portfólio ainda este ano. Ficamos feliz por ser a empresa que inaugurou esse mercado no mundo. Digo no mundo pois acredito que, em 5 a 10 anos, nenhum clube deixe de ter sua rede própria de alimentação oficial. Obrigado e um abraço a todos!

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.