Coalização, lobismo e cláusulas contratuais: formas de combater o racismo
12 de dezembro de 2019

 

Este é o último texto adaptado do meu TCC para este lindo site, agradeço a todos que leram até aqui e espero que o conteúdo aqui escrito tenha ajudado na assimilação destas questões para quem necessitava entender melhor a história do esporte bretão e a relação diretamente proporcional (e infelizmente bem próxima) com o preconceito racial. O trabalho contou com muito empenho e dedicação e, acima de tudo, esperança, esperança que em um Brasil de tempos autoritários, brilhe uma pequena luz de humanidade. Os textos anteriores podem ser vistos abaixo. Boa leitura!

Primeiro texto
Segundo texto
Terceiro texto
Quarto texto
Quinto texto
Sexto texto
Sétimo texto

Após tanto dissertar e mostrar toda a origem, construção e as consequências do racismo no futebol brasileiro, me sinto na obrigação de sugerir melhorias no combate contra o preconceito racial. Acreditando nisso, tenho algumas ideias a destacar:

É necessária pra ontem uma coalizão de pretos notáveis do futebol brasileiro contra esse tipo de situação. Jogadores como Neymar, Ronaldinho, Ronaldo, Romário, Marcelo e Daniel Alves, por exemplo, atletas que possuem voz e alcance para fazer a sua palavra ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Seria de extrema importância uma organização, ou algum tipo de órgão social que contasse com fortes nomes do futebol e se prontificasse a servir como para-raio de crime de ódio. Além disso, que agisse dentro das organizações via influência e lobismo, de  modo que sua interferência fosse levada em conta na hora de punir racistas e afins. Claro que os jogadores citados podem ser trocados por vários outros, não necessariamente o conjunto deveria ser este, o foco central é a importância que teria um local que parafraseasse a voz de toda e qualquer vítima de racismo dentro do esporte em interlocutores de grande impacto midiático.

Outra alternativa seria oficializar via cláusula de contrato o suporte total e incondicional do clube em qualquer ocorrência de crime de ódio, sob pena de quebra unilateral do vínculo. Desta maneira, ao passo que um negro fosse contratado por um clube que esteja em uma região mais hostil à pessoas pretas, seu apoio pelo empregador é totalmente garantido via contrato, e isso serviria em qualquer tipo de incidente. O apoio implicaria desde o aspecto jurídico ao esportivo e psicológico, até que o processo se conclua e a vítima lesada, esteja satisfeita com o desfecho.

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A palavra de um R10 quebraria barreira incríveis.

RESPONSABILIZAÇÃO

A mais viável se tratando de curto prazo, seria a completa adesão de tecnologias de reconhecimento facial em todos os ambientes do estádio e câmeras que cubram todo o perímetro da arquibancada, tendo total visão dos torcedores, de modo que a identificação de um eventual racista seja feita de maneira precisa e rápida. Desta forma, estaríamos elevando a responsabilização em casos de preconceito a um outro nível, deixando de punir o CNPJ e punindo o CPF.  Em suma, a automação para tal coisa existe, o interesse em usa-la desta maneira, não.

-CONCLUSÃO

Após todo este trabalho e tantos estudos feitos a partir do processo de pesquisa de material, considero fechado o ciclo que me propus traçar neste documento. O racismo não está sequer perto de ter um fim, principalmente no futebol. Falar do tema é importante, as vezes gritar também é necessário e sem sombra de dúvidas, ter produzido esse trabalho é um motivo de orgulho pra mim.

Aqui, viajamos desde o primeiro pilar de fundação dessa estrutura, até a cobertura no último andar. Jogadores negros sofrem todos os anos na mão de pessoas intolerantes, de mente atrasada, que, em meio a um desporto dito tão democrático, protegem sua mentalidade de senhor de engenho com insultos justificados como piadas sem a menor graça.

O futebol brasileiro “raiz”, no fundo de todo o debate sobre saudosismo e memória, trás consigo uma história de brancos, contada por brancos, gerida por brancos, lucrativa pros brancos. A raiz, na base desse caule, ainda hoje, em 2019, olha de cara feia para suas mudas de cor.

Esta é a estrutura do racismo no futebol brasileiro, resta à nós fazer com que ela colapse.

Postado por Renan Castro 23 anos, administrador, torcedor do Flamengo, natural de Nova Iguaçu - RJ, fã de aviação e dono de três quadros: Vestindo o Futebol, Ícones Alternativos e Memória FC.