Choque de realidade alviverde
13 de dezembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Nacional

(Foto: Fábio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação)

Pegando todos de surpresa, Anderson Barros é anunciado como novo homem forte do futebol palmeirense. Após a conturbada saída de Alexandre Mattos, a impressão que todos tinham é que a situação se resolveria rapidamente. Mas o mercado passou uma mensagem diferente pra diretoria alviverde, após duas recusas oficiais de Rodrigo Caetano e Diego Cerri, o Palmeiras teve um vislumbre da sua real imagem no mercado.

Acumulando diversos problemas nos últimos anos com os bastidores sempre efervescentes, pressão desproporcional da torcida organizada e um elenco que parece se cansar dos treinadores a cada seis meses, não havia entre os grandes nomes disponíveis no mercado alguém disposto a segurar a bucha que seria a tão pedida renovação geral no futebol palmeirense.

Agora sem seu “homem forte” que reinava no futebol palmeirense sem qualquer ingerência, Galiotte teve que montar um mini conselho formado por ele mesmo, Cícero de Souza (gerente de futebol e da base), um membro do jurídico e dois nomes do setor financeiro, para tentar não deixar o futebol palmeirense abandonado até que seu novo diretor  fosse escolhido.

Mattos nunca foi bem visto pela ala mais conservadora dos conselheiros alviverdes. Por não ser “um dos nossos” segundo os carcamanos, nunca teve paz para poder fazer seu trabalho. Seu principal escudo, no primeiro momento, foi o então presidente Paulo Nobre que o blindava e afastou os conselheiros do setor de futebol. E no começo da sua jornada vieram os títulos da Copa do Brasil 2015 e do Campeonato Brasileiro 2016, que ficaram maiores que as reclamações sobre seu método de trabalho.

Títulos esses que abafaram alguns problemas da gestão de Mattos. Sua escolha por manter Marcelo Oliveira após o titulo da Copa do Brasil causou um certo mal estar no clube, pois mesmo com o título, o trabalho do treinador não era bem quisto por quase ninguém no clube, e a relação de amizade e gratidão entre Mattos e Marcelo foi determinante para sua renovação pro ano de 2016.

No fim do ano seguinte, o título do Brasileirão não acalmou os ânimos nos bastidores entre o treinador Cuca – que assumiu no lugar de Marcelo em março – e Mattos, desavenças que foram determinantes para a não renovação do treinador.

2017 foi ano do início da gestão de Mauricio Galiotte. Desvirtuando o modus operandi de Nobre, Maurício aproximou a patrocinadora de sua gestão, também voltou a dialogar com todas as alas de conselheiros e recuperou uma certa ligação com a maior organizada do time. Sendo visto por todos com um nome ponderado e conciliador, Galiotte tentou abraçar o mundo e com isso começou seu martírio na presidência.

Galiotte é o principal responsável pela turbulência no Verdão (Foto: César Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

Em uma função que é historicamente do bastidor e de pouca fama no futebol, as recusas que o Palmeiras sofreu mostram que poucos querem ser o escudo da presidência – como Mattos se mostrou em várias vezes após resultados decepcionantes. Somando isso às ameaças e protestos cada vez mais radicais da principal organizada, que parece ter cada vez mais poder dentro da política palestrina, além da principal patrocinadora que na coletiva de renovação de contrato afirmou que caso ocorresse a saída de Alexandre Mattos do futebol palmeirense, repensaria os valores de patrocínio, a situação oferecida como “grande oportunidade” de emprego na verdade pode se mostrar um grande cavalo de troia com muita pressão e pouco espaços para erros. Anderson Barros (por indicação de Mattos) chegou pra resolver diversos problemas e capitanear uma renovação total no futebol palmeirense. Seu perfil discreto e conservador não me parece o ideal para a situação encontrada, mas por ser acostumado a trabalhar em situações difíceis ele pode calar essa corneta tão comum por esses lados. Resta ver como ele resolverá de cara o primeiro grande problema que é a definição do novo treinador, com Jorge Sampaoli como grande alvo.

Postado por Caíque Andrade Técnico em química e agora estudante de jornalismo, sempre amei escrever e sempre amei futebol.