Balanço do Campeonato Italiano 19/20 – Parte 2
4 de agosto de 2020
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

 

Seguimos com o balanço do campeonato italiano 19/20 no Blog 4-3-3. Dessa vez, falaremos sobre os destaques, as surpresas e as decepções do campeonato. Como visto na parte 1, usaremos jogadores historicamente icônicos da liga para representar os prêmios e dissertaremos sobre cada ganhador. Vem com a gente!

 

– REVELAÇÃO DO ANO

Vencedor: Dejan Kulusevski

Formado na Atalanta, o sueco Dejan Kulusevski teve poucas oportunidades sob o comando de Gasperini. Então a decisão foi por um empréstimo para o Parma e o impacto não poderia ser maior. O então meio campista foi deslocado para o lado direito do campo por Roberto D’Aversa. Marcando, puxando contragolpes, fazendo inversões, criando chances de gol ou mesmo definindo. Aos 20 anos Kulusevski foi o melhor jogador da campanha do Parma, fechando a temporada com 10 gols e 8 assistências.

Vai dar que falar... Dejan Kulusevski

Além da qualidade técnica, seu preparo físico chamou bastante atenção sempre atuando com muita intensidade e mantendo o nível quando todo o time do Parma pareceu despencar após a paralisação. Seu destaque não passou desapercebido e ele foi disputado por Inter e Juventus, mas no fim os bianconeri garantiram a sua contratação para a próxima temporada pelo valor de 35 M de euros mais adicionais.

Menção Honrosa: Sandro Tonali / Marash Kumbulla

 

– VETERANO DO ANO

Vencedor: Cristiano Ronaldo

Ibrahimovic, Bonucci, Miguel Veloso, Ribery, Bruno Alves… Vários veteranos atuaram em bom nível nessa edição da Serie A. Mas é inevitável dizer que o melhor deles seria Cristiano Ronaldo. O profissionalismo, dedicação para manter a forma física, se recuperar de uma lesão, não decair após a paralisação.

Cristiano Ronaldo says there is a chance he could retire in 2020 ...

A tremenda aplicação nos treinos aliado ao talento e inteligência extraordinários desse que é um dos maiores atletas da história fazem com que mesmo hoje aos 35 anos seu desempenho seja tremendamente impactante, ao ponto de levar a Juventus com todos seus problemas de transição a mais um título italiano.

 

– GOL DO ANO

Vencedor: Josip Ilicic

Um lance de genialidade, rapidez e precisão por parte do esloveno. Ele marcou vários belos gols, mas este certamente foi o melhor. O goleiro Salvatore Sirigu ao início da jogada estava bem adiantado. Ele tenta rifar visando uma ligação direta, mas a zaga se antecipa. A bola volta para a defesa do Torino, mas a defesa se atrapalha e é marcado falta por bola na mão. Ilicic Percebendo que o goleiro voltava lentamente se apressa e cobra direto praticamente a poucos metros da linha do centro de campo.

O chute forte, alto não deixa chances de reação. A bola cai no tempo certo, no ângulo direito de um gol vazio.

 

– MAIOR CRESCIMENTO DO ANO

Vencedor: João Pedro

Aqui não estamos para falar necessariamente de uma revelação e com 28 anos João Pedro certamente não é, mas sua evolução foi notória e de certo modo improvável. Um nome de certo modo desconhecido do cenário brasileiro ele rodou bastante até se firmar no Cagliari. Revelado pelo Atlético-MG, foi rapidamente vendido ao Palermo, aonde não teve tantas oportunidades. Logo em seguida emprestado ao Vitória de Guimarães aonde novamente as atuações foram escassas. Regressou a América do Sul e teve mais chances de atuar pelo Peñarol. Depois uma curta passagem pelo Santos até engrenar no Estoril. Foi em Portugal que despertou interesse do Cagliari e atuou desde então quase sempre no meio campo ou aberto pela esquerda.

Pausa no futebol breca temporada artilheira de João Pedro, do ...

Porém nessa temporada, ainda nas mãos de Rolando Marán, João Pedro passou a atuar mais próximo do gol. E os resultados foram excepcionais: enquanto na temporada passada foram 7 gols e 2 assistências, nessa o desempenho foi alavancado com 18 gols e 4 assistências, sendo, portanto, um dos grandes destaques dessa edição do campeonato italiano.

Menção Honrosa: Jeremie Boga

 

– SUBSTITUTO DO ANO

Vencedor: Luís Muriel

O colombiano Muriel trocou o Sevilla pela Atalanta por 13,5M de euros com o intuito de fazer sombra a Duvan Zapata. Tendo sido titular apenas 10 das suas 34 aparições em campo, nenhum jogador causou tanto impacto vindo do banco quanto ele. Seja como segundo atacante ou como centroavante, Muriel entrava para infernizar, buscando sempre o desmarque, arriscando chutes de longe (marcou seis gols de fora da área) e ainda teve boa participação atuando fora da área.

Destaque da Atalanta, Luis Muriel sofre acidente doméstico ...

Muriel foi um homem de confiança para Gasperini em qualquer situação, seja vencendo ou perdendo e ele retribuiu essa confiança com a melhor média de gols por minuto em toda a Serie A.

Menção Honrosa: Malinovskiy

 

– CONTRATAÇÃO DO ANO

Vencedor: Romelu Lukaku

“Só eu sei o que tive de fazer para conseguir que chegasse Lukaku. Só eu sei, acreditem”. A frase de Antonio Conte após a última rodada mostra a importância que o jogador tinha dentro do projeto do treinador para a Internazionale. E ainda que a hegemonia da Juventus não tenha sido quebrada pela diferença de apenas um ponto, até agora os 65M de euros investidos certamente estão valendo muito a pena. O belga marcou 23 gols e deu mais duas assistências, mas principalmente agregou força e velocidade ao ataque. Jogadas de pivô, arrancadas, Lukaku era uma válvula de escape, permitia a Inter contragolpear, se tornar um alvo de cruzamentos quando o time estivesse atacando e ligações diretas, quando o sistema defensivo era pressionado.

George Floyd lembrado por Lukaku - Itália - Jornal Record

A confiança em Romelu era tanta que em certo ponto do campeonato, o treinador fixou Lautaro, e pôs o camisa nove para flutuar muitas vezes como um segundo atacante, semelhante ao que acontece no esquema de Roberto Martínez, criando espaços para Mertens, Hazard e Bruyne, na seleção belga. No auge da sua forma técnica e física, Lukaku lamentavelmente teve de enfrentar o racismo de torcedores rivais e pior ainda suportar ver a própria torcida justificar aquelas atitudes. Ainda que não seja obrigado a tolerar tal situação, Lukaku teve força mental para superar o episódio, seguiu atuando em alto nível e despertou comparações com outro grande atacante que marcou com a camisa da Internazionale: Adriano, o Imperador. Uma curiosa, mas válida observação foi o fato da rápida adaptação de Romelu ao país: Antes de chegar à Itália, falava seis idiomas fluentemente, e segundo o próprio, precisou de “duas ou três semanas” de prática intensa para chegar a um nível de razoável fluência em italiano. “Ninguém mais fala comigo em inglês” chegou a declarar Lukaku à imprensa local.

Menção Honrosa: Bennacer

 

– CONTRATAÇÃO MAL SUCEDIDA DO ANO

Vencedor – Diego Godín

Com alto salário e 34 anos, Godín não se adaptou bem a uma nova realidade. No Atlético de Madrid jogava sempre bem recuado e com importância como rebatedor dos cruzamentos que eram lançados na área. Na linha de 3 de Antonio Conte seu papel era diferente, precisava ser mais combativo no 1 x 1, por vezes conduzir para iniciar a saída de bola, cobrir os avanços dos alas.

Godín crítica realização de jogos em meio à pandemia de Coronavírus

Mostrando lentidão e pouca aptidão para o novo papel, suas decepcionantes atuações fizeram com que a titularidade fosse perdida gradativamente para o jovem Alessandro Bastoni. Agora Marotta tem um problema e negociar Godín (que inclusive já demonstrou desejo de ficar) nesse momento não será tarefa fácil.

Menção “Desonrosa”: Mario Balotelli

 

– CRAQUE DO CAMPEONATO

Vencedor: Cristiano Ronaldo (127 pontos)

2° Lugar: Papu Gómez (113 pontos)

3° Lugar: Ciro Immobile (44 pontos).

Uma boa disputa e de certa forma com argumentos que validem a escolha de qualquer um desses três. Immobile foi artilheiro, recordista, jogador que mais participou de gols nesta campanha. Com um ano mágico não seria absurda sua eleição. Já Alejandro “Papu” Gómez trouxe encanto aos gramados. Driblador, inventivo, criativo e influente. O melhor jogador e motor do melhor ataque dessa Serie A. Mas de certo modo essa votação é definida pela adversidade.

O melhor arranque de ano de sempre de Cristiano Ronaldo - JN

Cristiano participou de menos gols que Immobile, mas não dá para dizer que a presença de Luis Alberto e Savic em contraste com o atual meio campo bianconero não teve influência em tal disparidade. Sagrando-se campeão com uma performance em alto nível, Cristiano foi a grande referência técnica ou de liderança de um time que possui uma cultura vencedora e que domina o país nessa década.

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Postado por Osório Lopes Universitário, torcedor da seleção argentina, viciado em poker, Rock and roll e futebol.