As derrotas “esquecidas” da Seleção Brasileira – Parte II
16 de junho de 2020
Categoria: 4-3-3

 

 

(Foto: Baú do Futebol)

 

Algumas semanas atrás postamos a primeira parte do texto sobre as derrotas da Seleção Brasileira em partidas não-oficiais. Hoje trazemos a continuação, com a história dos quatro últimos reveses do Brasil em partidas que entram para as estatísticas como amistosos não-oficiais por motivos diversos – no caso das histórias contadas hoje, tem despedida de Zico, amistoso em comemoração ao aniversário de 50 anos do Rei Pelé e uma partida disputada em homenagem a um atleta do Flamengo que faleceu com apenas 22 anos. Confira as últimas derrotas “esquecidas” da Seleção:

Brasil 0x2 Flamengo (1976)

O terceiro clube brasileiro que conseguiu uma vitória sobre a Seleção foi o Flamengo de Zico, Junior e companhia. Em outubro de 1976, se enfrentaram no Maracanã, em partida que foi realizada para homenagear Geraldo “Assoviador”, meia flamenguista que faleceu dois meses antes, com apenas 22 anos. A renda foi destinada à família de Geraldo. Pela Seleção Brasileira, vários veteranos que haviam sido campeões mundiais em 1970, como Félix, Jairzinho e até Pelé, que atuou por 45 minutos. Mário Travaglini, treinador do Fluminense à época, comandou a Canarinho, substituindo Osvaldo Brandão que estava se recuperando de uma cirurgia. Com mais de 140 mil pessoas no estádio, o fortíssimo time flamenguista, contando com alguns atletas que viriam a fazer história conquistando vários títulos nos anos seguintes, jogou melhor e venceu, com dois gols ainda no primeiro tempo, não dando chances de reação à Seleção.

Escalações:

Brasil: Félix (Leão); CA Torres (Wladimir), Marinho Peres (Zé Maria), Piazza (Beto Fuscão), Marco Antônio (Rodrigues Neto), Clodoaldo (Givanildo), Rivellino (Ademir da Guia), PC Caju (Neca), Jairzinho (Gil), Pelé (Dadá), Edu (Valdomiro)

Flamengo: Cantareli; Dequinha, Jaime (Andrade), Rondinelli (Jorge Paolino), Junior, Merica (Zé Roberto), Tadeu (Dendê), Zico (Junior Brasília), Paulinho (Adílio), Luisinho (Marciano), Luís Paulo (Júlio César)

Gols: Paulinho, Luís Paulo (Flamengo)

Brasil 1×2 Resto do Mundo (1989)

Em março de 1989, Zico se despedia da Seleção, em um amistoso contra uma seleção do Resto do Mundo, no estádio da Udinese, clube italiano onde o Galinho atuou por duas temporadas e é venerado até os dias atuais. Na ocasião, a seleção canarinho foi formada apenas por atletas que atuavam na Europa, com exceção do próprio Zico, que estava em sua segunda passagem pelo Flamengo. A base da Copa de 90 esteve nessa partida, com jogadores como Careca, Ricardo Gomes, Branco e Dunga, todos titulares no Mundial da Itália. O time adversário era um selecionado com grandes jogadores da época, mas não exatamente uma seleção com os melhores do mundo – nenhum jogador do Milan, que tinha um super-time com Baresi, Maldini, Gullit e Van Basten, atuou. E Maradona, que chegou a ser convidado, não atuou por conta de lesão sofrida em partida pelo Napoli. O jogo foi muito aberto, com o Brasil dominando os primeiros 30 minutos, abrindo o placar com um golaço de Dunga e perdendo inúmeras chances de aumentar. Depois, a seleção do Resto do Mundo equilibrou a partida e acabou virando, com gols de Francescoli e Détari. Mesmo assim, a derrota não estragou a festa, Zico foi substituído no segundo tempo e muito aplaudido pelos torcedores presentes no Friuli.

Escalações:

Brasil: Gilmar da Costa (João Leite); Ricardo Rocha (Alemão), Mozer, Ricardo Gomes (Júlio César), Júnior (Branco), Dunga (Milton), Silas (Andrade), Zico (Douglas), Valdo (Tita), Renato Gaúcho (Romário), Careca (Evair).

Resto do Mundo: Preud’Homme (Dasaev), João Pinto, Gerets, Demol, Valderrama (Mihajlovic), Dilmen (Çolak), Stojkovic, Détari, Francescoli, Águas, Gurovski.

Gols: Dunga (Brasil); Francescoli, Détari (Resto do Mundo)

Brasil 0x1 Combinado da Úmbria (1990)

Talvez a derrota não-oficial mais marcante da Seleção aconteceu em maio de 1990, no último amistoso de preparação para a Copa do Mundo. Já na Itália, o Brasil fez uma partida contra um selecionado de jogadores de 3 clubes da região da Úmbria: Perugia, Ternana e Gubbio (os dois primeiros estavam na terceira divisão, enquanto o último se encontrava na quarta divisão nacional). A ideia era que a Seleção goleasse o adversário muito mais fraco e chegasse com confiança para a Copa do Mundo, mas deu tudo errado e a equipe de Lazaroni conseguiu o feito de ser derrotada pelo placar de 1×0, gol de Artístico, um atacante que estava no Perugia. Apesar do Brasil ter utilizado um uniforme de treino, sem numeração, a escalação inicial foi exatamente igual à que estreou alguns dias depois na Copa, em partida contra a Suécia, o que configura ainda mais o absurdo que foi essa derrota. E era só uma prévia do que viria pela frente, já que as atuações no Mundial foram bem ruins (mesmo nas 3 vitórias da primeira fase) e a nossa Seleção caiu logo nas oitavas para a Argentina.

Escalações:

Brasil: Taffarel; Mozer, Mauro Galvão, Ricardo Gomes (Ricardo Rocha), Jorginho, Dunga (Silas), Alemão, Valdo (Bismarck), Branco (Mazinho), Muller (Bebeto), Careca (Romário).

Combinado da Úmbria: Vinti (Riommi), Rossi, Altobelli, Forte (Capelli), Sciannimanico (Taccola), Del Piano, Battista Luiu, Borrello (Di Matteo), Valentino, Artistico (Giunchi), Cozzella (Eritreo).

Gol: Artistico (Úmbria)

Luca di Matteo, meia italiano, marcando Romário (Foto: Infoesporte)

Brasil 1×2 Resto do Mundo (1990)

Depois da Copa, aconteceu uma grande renovação na Seleção, e Falcão assumiu o comando técnico. Em outubro, foi disputado um amistoso em Milão, para comemorar os 50 anos do Rei Pelé – que atuou por 43 minutos, e dentro das limitações que a idade já impunha, conseguiu ter uma boa atuação. O lance mais marcante foi quando Rinaldo, atacante do Fluminense, partiu com a bola dominada, tinha Pelé totalmente livre pedindo a bola dentro da área, mas resolveu finalizar e errou, não dando a oportunidade de Pelé marcar mais uma vez com a camisa da Seleção. O constrangimento veio de imediato, com uma sonora vaia do estádio ao lance do “fominha”. Diferentemente do que aconteceu no amistoso de um ano antes, a despedida de Zico, a Seleção Brasileira dessa vez foi formada apenas por jogadores que atuavam em território nacional – inclusive, três brasileiros que jogavam na Europa fizeram parte da Seleção do Mundo: Alemão (Napoli), Júlio César (Juventus) e João Paulo (Bari). Assim como no ano anterior, o adversário não era exatamente uma equipe que contava com todos os melhores jogadores da época, mas tinha muitos nomes importantes do futebol mundial como Van Basten, Stoichkov, Michel e Hagi – os dois últimos foram os autores dos gols. Pelo lado brasileiro, Neto (que substituiu o Rei) descontou de falta. Foi a última derrota não-oficial brasileira, que nos últimos 30 anos disputou raros jogos que entram para essa estatística.

Escalações:

Brasil: Sérgio Guedes (Ronaldo); Gil Baiano (Bismarck), Paulão, Adílson (Cléber), Leonardo (Cássio), César Sampaio, Donizete Oliveira (Luís Henrique), Cafu, Pelé (Neto), Charles (Valdeir), Rinaldo (Careca).

Resto do Mundo: Goycochea (Preud´Homme) (N´Kono) (Higuita); Clijsters (Kunde), Júlio César, Ruggeri (Aleynikaw), De Léon (Détari), Ancelotti (Francescoli), Michel (Calderón), Alemão (Basualdo), Vázquez (Hagi), Van Basten (Stoichkov), Milla (João Paulo).

Gols: Michel, Hagi (Resto do Mundo); Neto (Brasil)

Avatar
Postado por Leonardo Tudela Del Mastre Natural de Sorocaba-SP, amante do futebol do interior paulista e torcedor de São Bento e Corinthians. Além do amor pelo interior, viciado no futebol como um todo. Formado em Processos Gerenciais pelo IFRS.