André Kfouri responde leitores do Blog 4-3-3
28 de setembro de 2017
Categoria: Entrevistas

 

Você, que separou um instantinho da sua vida para ler essa pequena entrevista, com certeza separa todos os dias um instantão para acompanhar jogos, debates, repercussões, menes e tudo o que cercar o seu esporte ou esportes prediletos. Você é um amante do esporte. E acompanha pelas mídias o trabalho de profissionais que também são e trazem informações, análises, produções multimídias que conversam com a gente, emocionam, nos fidelizam e nos ligam cada vez mais a todo o universo esportivo.

As vezes a gente fica curioso, quer saber um pouco mais desses profissionais, o que eles mais gostaram de fazer na profissão, suas preferências, opiniões… queremos nos identificar em algumas atitudes deles, ou ao menos matar essa nossa curiosidade sobre o que eles pensam. Dentro do possível, essa pequena entrevista mostra um pouquinho de tudo isso.

André Kfouri responde aqui algumas curiosidades surgidas do grupo no Facebook do 4-3-3 como se estivesse mesmo em um grupo de Facebook. Perguntas respondidas de maneira simples por alguém que, mesmo há tanto tempo na profissão, é tão amante do futebol quanto nós. Confiram:

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Lucas Basilio: Qual a influência que seu pai exerceu na sua escolha da profissão? Foi a sua própria paixão pelo jornalismo/esporte, ou foi por vivenciar aquele estilo de vida através do pai? Você acredita que um jornalista com vasto conhecimento de futebol conseguiria virar treinador?

André Kfouri: Pelos dois aspectos. Sempre gostei muito de esporte, e claro que esse processo começou por influência direta do meu pai. Quando comecei a perceber o que era ter pais jornalistas (minha mãe, pesquisadora, também sempre trabalhou em redações), o desejo de trabalhar com jornalismo esportivo foi se intensificando. Sim, acredito que um jornalista possa se converter em treinador, desde que tenha esse objetivo profissional e se qualifique para tanto. Não acredito que seja obrigatório ter sido jogador para trabalhar como técnico.

Luis Gusthavo Souza: Qual foi o evento mais emocionante que você já cobriu no esporte?

André Kfouri: Difícil responder. Há muito tempo, trabalhei em uma transmissão de final de campeonato de basquete feminino, em Ourinhos, em que a quadra foi invadida pelas pessoas após o jogo. Crianças, adultos, idosos, todos choravam com o título, e eu nunca mais esqueci a dificuldade que senti para não me comover com aquilo. Mas foi com as pessoas, não especificamente com o jogo. Acho que o primeiro título do Guga em Roland Garros é uma boa escolha para essa pergunta.

Mateus Saldanha: Quais são seus livros favoritos sobre futebol?

André Kfouri: Guardiola Confidencial, Pep Guardiola – A Evolução e A Pirâmide Invertida.

O jornalista também é editor da Grande Área. (Estúdio Melissa Fotografia)

Matheus Wesley: Você acha que em um futuro próximo algum treinador brasileiro poderá treinar algum clube médio/grande da Europa? Você vê o Tite sendo pioneiro nisso?

André Kfouri: É preciso, primeiro, superar a questão da autorização da Uefa para trabalhar na Europa. Os treinadores brasileiros ainda não têm. Por capacidade, creio que é possível, sim, e o Tite tem todas as condições de fazê-lo.

Andrew Sousa: Você ganhou muita notoriedade pela brincadeira com o Bonde do Stronda. Com esse fato, fica difícil fugir da pergunta do entretenimento x informação. Até que ponto acha que cabe uma brincadeira no jornalismo esportivo? Vê a necessidade de primeiro prender o telespectador (entretendo) para depois informar de fato?

André Kfouri: Essa ocasião é específica do programa Futebol no Mundo, do qual participo semanalmente. O programa usa muito a música para tratar de futebol internacional, e às vezes surgem esses ganchos que acabam acertando na dose de leveza que um programa com essas características precisa ter. Eu acho que depende da personalidade de cada atração. Um programa de informação e análise pode perfeitamente ter momentos de humor, desde que não deixe de ser um programa de informação e análise.

 

Vitor “Maloka”: Como você vê a atual situação do ‘Lance!’, que entrou em recuperação judicial?

André Kfouri: Com a mesma preocupação que sinto quando redações são diminuídas e colegas perdem seus empregos.

Fred Perez: Seu Top 100 dos maiores jogadores brasileiros difere muito dos retratados no seu livro feito em conjunto com o PVC? Você acredita que o livro cometeu mais injustiças do que as citadas no mesmo? Você já pensou num Top 100 maiores da história?

André Kfouri: Nunca fiz essa comparação. O livro é o resultado de uma enquete feita com milhares de pessoas, respeitando as opiniões de quem participou. Acredito que as injustiças cometidas estão ali, explicadas na publicação.

Pedro Melo: Qual o seu Top 5 de todos os tempos? E os parabéns por esse texto maravilhoso

André Kfouri: Obrigado. Desculpe, mas não consigo fazer essas listas. Não vejo como comparar jogadores que atuaram em eras distintas.

Gustavo Bifone: Como foi entrevistar o Telê Santana? Tem mais alguém que você tem vontade de entrevistar que esteja numa categoria próxima do Telê?

André Kfouri: Entrevistei o Telê várias vezes, quando ele era técnico do São Paulo, bem antes de ficar doente. Mas não tive, infelizmente, a oportunidade de conversar com ele sobre futebol sem a pressa da cobertura de jogos e treinos.

Por fim, deixe aqui uma mensagem livre aos fãs de futebol que acompanham o Blog 4-3-3 e que também apreciam o seu trabalho na ESPN durante todos estes anos:

Obrigado pela conversa e por acompanharem o meu trabalho. Um abraço a todos.

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Postado por Victor Hugo Martins 22 anos. Formado em Jornalismo. Blogueiro na Real Sociedad Brasil. Ri de quem diz que o futebol é apenas um jogo.