Análise Tática – Hoffenheim 2×1 Dortmund: Domínio e falta de concentração aurinegra
23 de dezembro de 2019
Categoria: 4-3-3 e Futebol e Internacional

(Foto por Christian Kaspar-Bartke/Bongarts/Getty Images)

Após encerrar uma sequência de quatro jogos sem vencer na rodada passada, ao derrotar o Union Berlim por 2×0, o Hoffenheim recebeu o Borussia Dortmund para buscar a segunda vitória seguida que deixaria o time, novamente, próximo do pelotão que briga por vaga em competições europeias. Enquanto o Dortmund tentava recuperar o caminho das vitórias após deixar escapar os três pontos no confronto direto com o Leipzig.

Alfred Schreuder fez algumas alterações no time titular para esse jogo. Saíram Posch, Kadeřábek e Adamyan e entraram Nordtveit, Geiger e Baumgartner. Com a saída de Kadeřábek, Rudy desempenhou a função de lateral direito. Já Lucien Frave manteve os mesmo 11 titulares que iniciaram contra o Leipzig.

Esse foi um confronto entre dois dos quatro times que tem mais posse de bola na Bundesliga. Mas quem obteve um maior domínio da posse no inicio do jogo foi o Borussia Dortmund. O Hoffenheim apresentava uma marcação alta, para tentar dificultar a construção do jogo do time visitante, com os jogadores de meio campo marcando Weigl e Brandt impedindo que o jogo do Dortmund se desenvolvesse pelo meio. A solução encontrada pelo time de Favre foi os zagueiros acionarem os alas para estes conduzirem e tabelarem com os atacantes de lado do time, Sancho e Hazard.

Essa movimentação permitia que os meias se desmarcassem e conseguissem participar das jogadas, podendo receber a bola em melhor condição. Essa foi a principal forma encontrada pelo Dortmund para chegar à área do Hoffenheim, atacando, principalmente, pelo lado direito com as ultrapassagens de Hakimi e as subidas de Brandt para fazer associações com o ala e Hazard. O ala direito foi o jogador dos aurinegros que mais tocou na bola, realizando 102 toques. O trio explorou muito o espaço nas costa de Skov que, por ser ponta de origem, apresentou algumas dificuldades para marcar, principalmente para impedir que Hakimi recebesse os passes. Foi assim que saiu o primeiro gol do jogo, Hakimi faz a ultrapassagem, ataca o espaço nas costas da defesa e cruza rasteiro para Götze que antecipa a marcação e coloca o Dortmund em vantagem.

Reprodução: FOX Sports.

O trio de ataque do Hoffenheim se movimentou bastante durante o jogo, isso afetou a equipe defensivamente, apenas Bebou que ficou mais fixo do lado direito. A transição defensiva da equipe foi afetada porque do lado direito estava um centroavante de ofício, que encontrava dificuldade para recompor em velocidade e pelo lado esquerdo Kramaric e Baumgartner revezaram, quando um centralizava o outro ia para o lado esquerdo e isso deixava os dois com muito campo para percorrer quando a equipe perdia a bola, não conseguindo recompor com qualidade. Como aconteceu no lance do gol do Hakimi:

Reprodução: FOX Sports.

O duelo entre os meio campistas das duas equipes também dificultou a criação das jogadas do Hoffenheim pelo meio, assim como aconteceu com o Dortmund. Weigl e Brandt marcaram muito bem a dupla de meias do time da casa. Tão bem que Geiger, com 36 toques, e Samassékou, com 21, foram os dois jogadores que menos tocaram na bola, dentre os titulares da partida. Eles simplesmente não conseguiam participar do jogo. Impedido de chegar ao ataque através de trocas de passes e pelo meio o Hoffenheim passou a tentar utilizar de passes longos, rasteiros e pelo alto, para tentar explorar o espaço nas costa da defesa auri-negra, que jogava adiantada para manter a equipe compactada e também atacando pelas laterais.

Mas essas estratégias também esbarraram em alguns problemas. Os passes rasteiros encontravam na falta de velocidade e acerto nos dribles dos atacantes um empecilho para continuar as jogadas, além dos passes que eram interceptados pelo trio de zaga. Enquanto que os passes longos não eram concluídos também graças ao ótimo desempenho da defesa auri-negra no jogo aéreo e também por conta de Bebou, principal destino desses passes, ter mais dificuldades para recebê-los por encontrar-se na lateral, tendo que posicionar o corpo mais lateralmente o que tornava ainda mais difícil a tarefa de dominar essas bolas.

O mapa de toques na bola mostra a dificuldade que o Hoffenheim teve de chegar na área do Dortmund. Foram pouquíssimos toques dentro da área aurinegra.

Nem mesmo a escolha de Schreuder de escalar Rudy na lateral direita facilitou a troca de passes da equipe ou a construção das jogadas, dos 70 passes realizados pelo camisa 16 do Hoffe, apenas 17 foram no terço final do campo. Essa pouca participação do alemão no ataque aliada a dificuldade de Bebou em atuar aberto tornou o lado direito do time da casa pouco efetivo no jogo. Pelo lado esquerdo Skov também teve dificuldade de apoiar o ataque e chegou pouco à linha de fundo, muito por conta da preocupação defensiva com as decidas de Hakimi. Com a dupla de meias completamente anulada e com a falta de apoio pelas laterais o ataque do Hoffe foi quase inoperante no primeiro tempo.

Mapa de calor de laterais do Hoffe mostra a pouca participação da dupla no campo de ataque.

Toda a dificuldade do time Hoffenheim em construir as jogadas e chegar à área dos auri-negros se refletiu na forma como elas foram concluídas. Aconteceram apenas quatro finalizações do time no primeiro tempo, sendo três de fora da área, uma numa cobrança de falta e com nenhuma delas acertando o alvo. Enquanto que o Dortmund, que conseguia criar muito pelos lados explorando os espaços da defesa, terminou o primeiro tempo com oito finalizações e três no alvo. O fato de seis delas terem ocorrido dentro da área mostra como os ataques do time de Favre foram efetivos em furar a defesa do time azul.

O Borussia já voltou do intervalo com duas alterações: Piszczek entrou no lugar de Hummels que teve uma lesão na mão no primeiro tempo e Larsen substituiu Hazard. Schreuder também mexeu no Hoffenheim colocando Adamyan no lugar de Samassékou. As alterações do time aurinegro não afetaram a estrutura da equipe, mas a mudança do Hoffe fez com que Baumgartner atuasse mais pelo meio, ao lado de Kramaric, fazendo a equipe atuar no 4-4-2, com Grillitsch e Geiger como dupla de volantes e Bebou ainda aberto na direita.

As mudanças não alteraram o panorama do jogo até os 70 minutos, Dortmund continuou criando as melhores chances, principalmente nas costas de Skov, mas esbarrava nas escolhas erradas quando tinha que concluir as jogadas, principalmente, Sancho e Hakimi. Aos 65 minutos, Schreuder havia colocado Locadia no lugar de Geiger deixando sua equipe mais ofensiva, contando apenas com Grillitsch como meia na equipe. Nesses últimos 25 minutos de jogo a equipe azul finalizou 5 vezes, quase metade do total de finalizações do time na partida (11).

Nesse momento do jogo apareceu também o que vêm sendo um dos principais adversários do Dortmund nessa temporada: a falta de concentração. Aos 79 minutos o Hoffe chegou ao empate em lance onde a defesa dos auri-negros permitiu que Locadia dominasse a bola dentro da área e finalizasse, Bürki ainda conseguiu defender, mas Adamyan no rebote marcou. Enquanto que aos 87 minutos Kramaric recebe a bola e conduz até a entrada da área sem ser pressionado, abre para Adamyan e o próprio Kramaric invade a área para cabecear sozinho, virar o jogo e decretar a vitória do Hoffenheim.

Pela segunda rodada seguida o Borussia Dortmund deixa a vitória escapar e em ambos os jogos foi muito mais por demérito da equipe. No jogo contra o Leipzig a equipe entregou a bola nos pés do Werner nos dois lances em que ele marcou e agora contra o Hoffenheim a equipe mostra novamente o problema de falta de foco e concentração que já apareceu em outros momentos da temporada. Agora o time de Lucien Favre vai para a pausa de inverno mais distante dos líderes do que poderia estar e o técnico francês terá que aproveitar esse tempo para tentar solucionar esses problemas que o time vem apresentando e quem sabe trazer um centro avante para ajudar a equipe já que Alcácer vem tendo dificuldade para se manter no time titular pelos problemas com lesões.

Quanto ao Hoffenheim, as escolhas do técnico Alfred Schreuder não foram as melhores, tornaram a equipe inexpressiva no ataque, frágil na defesa e anulada no meio. A equipe trocou 551 passes, número muito próximo da quantidade de passes trocadas pelo Dortmund (588), mas apenas 22% deles ocorreram no terço final do  campo o que mostra a dificuldade que o time encontrou para chegar ao ataque, e se manter no setor. Porém, suas alterações durante o jogo melhoraram a equipe e fizeram a equipe alcançar a segunda vitória seguida terminando assim o primeiro turno mais próximo das vagas por competições europeias e se recuperando de uma pequena fase de maus resultados. Agora o técnico terá a pausa de inferno para continuar evoluindo a equipe para manter o bom desempenho na volta para o segundo turno.

Postado por Wallas Vieira Técnico em Edificações, cursando Administração. Torcedor de Flamengo e Liverpool. Fã da intensa Premier League e do tático campeonato italiano. Gosta de táticas, crônicas e número sobre o futebol.